Musgas Variadas
quarta-feira, novembro 10th, 2010Tem uma pasta no meu HD chamado “Musgas Variadas”, que serve de quarto de bagunças para minhas mp3. Acho que eu comecei a jogar músicas nela em 2003, no começo da faculdade, e desde então fui acumulando e acumulando. Ela permanece aparte do resto da “coleção” de mp3 – onde a coleção é organizada em pastas, estilos, artistas e álbuns, a “Musgas Variadas” é só uma pasta sem subpastas e sem frescuras, onde toda sorte de barulho convive entre sim. São músicas que eu baixei porque queria ouvir, ou porque achei um link, ou porque alguém me mandou, ou simplesmente porque brotaram lá – um quarto de bagunças, como eu já disse, define muito bem a situação. Tem de tudo, literalmente. Três versões de Tears of The Dragon. “Maria”, da Blondie. “When Doves Cry”, com as revelações perturbadoras do artista previamente conhecido como Prince. Tem Men at Work cantando Down Under, e tem o Colin Hay cantando a melhor música de sua vida, “Into My Life”. Tem algumas músicas do Cowboy Bebop, tem o tema do Highlander, tem versões de “Chega de Saudade”. Tem o Pearl Jam tocando Trouble em 29 de março de 98, em qualquer lugar (a id3 não diz). Tem diversos covers punk para clássicos do brega americano. Tem a música mais triste do mundo, “Don’t Follow”, do Alice in Chains. Tem as mais melosas do A-ha, “Hunting High and Low” e “Crying in The Rain”. Tem o Monty Python cantando sobre a vida em Camelot. Tem o Iggy Pop dizendo que é um passageiro. Tem Kleiton e Kledir maldizendo a RFFSA. Tem a Nico cantando “I’ll Be Your Mirror”, cortando a alma. Tem algumas músicas do Bad Religion. Tem o Fagner e suas borbulhas de amor à luz da lua. Tem o Weird Al escrotizando o Nirvana, tem o Nirvana escrotizando todo mundo. Tem uma banda chamada “Leningrad Cowboys” tocando um cover estranhíssimo de “Stairway to Heaven”. Tem o Bob Dylan com sua voz estranhíssima dizendo que, se o amanhã não fosse tão distante…Tem o Rei, pedindo um pouco menos de conversa e um pouco mais de ação. Tem o Ari Toledo contando da casinha que ele vai construir pra Rosinha. Tem o Roupa Nova e seu tema para yuppies-frios-e-calculistas, “Coração Pirata”. Tem Scorpions sendo épico, tem o Ricky Martin sendo bicha. Tem os Raimundos explicando como é o be-a-bá lá do sertão. Também tem os Raimundos fazendo cover de Leandro e Leonardo (!). Tem o Caê explicando a caótica gramática do quereres. Tem o Paul Westerberg e seu coração disléxico. Tem o tema da Pantera Cor-de-Rosa. Tem….tem coisa pra caralho.
Cada música puxa algo lá de trás, cada música lembra algo, alguém, um quando e um onde, ou nada disso. Cada música é um pedaço de uma colcha de retalhos, onde eu me enrolo às vezes, que eu sigo arrastando por aí enquanto assovio uma música bem ridícula.
(Jamais confie em quem não ouve músicas ridículas. A vida é curta e besta demais pra perder tempo se preocupando com bom gosto musical. )




