Pra Não Dizer Que Não Falei da Eleição

A Dilma ganhou. Não votei nela porque não estava em Araçatuba, não sei se votaria nela: não conheço ela direito, não vou muito com o jeito dela, e até seria legal uma alternância de poder caso o candidato da oposição não fosse o Serra. Mesmo porque o PT e os petistas andam pisando MUITO na bola, mais parecendo um bando de fanáticos fundamentalistas do inferno, tendo atitudes que não condizem com o partido que minha família defendia desde os anos 80. Sabe como é, minha mãe e minha tia foram professoras da rede pública, de modo que ser de esquerda e ser do contra é algo que corre no sangue – e ser do contra inclui ser contra as próprias cagadas e as cagadas dos seus. O governo do Lula foi bom? Muuuito longe disso. Tenho sérias ressalvas quanto ao governo da Dilma, mas prefiro ela do que ver o Serra e o PSDB de novo no poder.

O que me leva ao outro assunto do post. Cara, o Serra perdeu. Bem-feito pra ele, e bem-feito pra seus eleitores, essa galerinha supimpa que já deve estar chorando por aí, revoltada com a “burrice da massa brasileira”. O que me irrita neles é essa postura paternalista: “Ó, massa de pobres descamisados iletrados do meu Brasil Varonil, não sabeis o que fazem com seu voto! Estão a eleger a Dilma, foram enganados pelas políticas sociais eleitoreiras do Lula! Não, não, vocês não sabem votar! Nós, os formadores de opinião que lemos os mais imparciais veículos de imprensa do Brasil, quiçá do mundo (Veja e o Estadão), é que sabemos a VERDADE, e nós é que deveríamos eleger os governantes! Agora veja o que vocês fizeram! Vão instalar o comunismo no Brasil! Fora, ameaça vermelha!”.

…Cara, não é assim que funciona. Desde que o Lula foi eleito eu ouço essa ladainha sobre golpe de estado, sobre leis que controlariam a imprensa, sobre leis que acabariam com liberdades pessoais e o caralho a quatro. Olha só, desde que o barbudo lá foi eleito, a imprensa mete o pau nele diariamente, sem dó nem piedade. Colocam as fotos mais escrotas possíveis do cara na primeira página, pra desmoralizar mesmo. Todos os escândalos e acusações aparecem nos jornais. Com a exceção ESCROTÍSSIMA do escroto do Sarney que conseguiu censurar o Estadão com ameaças de processo e do próprio Estadão que demitiu uma colunista por defender o governo Lula, não vejo como a liberdade de imprensa estaria ameaçada. Aliás, como é que se controla informação nesse século? Como é possível censurar alguém depois que surgiu a internet? Todas as tentativas até agora foram como tentar barrar o oceano com um baldinho de plástico. “Ah, mas o Lula segurava o PT, agora com a Dilma vai ser diferente…”. Sim, claro que vai. Fica aí sentado esperando a volta da Censura, dos Comunistas, da Ameaça Vermelha. O sonho de vocês é a Dilma arrancar a máscara e revelar ser o Hugo Chávez, né?

Mas escroto mesmo é esse papo que a massa brasileira não sabe votar. E não sabe mesmo: já fazem quantas décadas que o sistema educacional está sucateado? E quantos moleques ainda saem das escolas porque precisam ir trabalhar pra ajudar a família, e quantos moleques saem da escola porque não enxergam perspectiva? A grande surpresa da direita ao perder a eleição quatro anos atrás foi ver que eles não conseguiam mais prever ou controlar a massa brasileira.  “Mas como assim, eles estão votando no Lula?? Mas a gente quer que eles votem no Alckmin!! Assim não dá, assim não brinco mais!”. Eu achei que eles fossem aprender, mas acontece que a direita (e a elite) brasileira é BURRA que dói. É estúpida. Tem uma visão de mundo escrota, reacionária, que acredita realmente que esses brasileirinhos pobrinhos, coitadinhos, só votam na Dilma por causa do Bolsa-Família. Acredita que o Lula comprou os brasileirinhos pobrinhos, tadinhos, e que é dever da elite educada libertá-los da opressão barbuda. Mas aí os brasileirinhos pobrinhos, poverelozinhos, não quiseram ser libertados. E a elite tomou no cu. De novo. Bem-feito.

30 Anos do Maluquinho

Não sei dizer se Menino Maluquinho foi o primeiro livro que eu li, mas com certeza foi o livro que mais marcou minha infância. Pô, cheio de desenhos fantásticos do Ziraldo, contando todas as aventuras do Ferris Bueller original – impossível não adorar o livro! Devo ter relido ele umas trocentas vezes, e copiado os desenhos outras trocentas vezes – chegava a copiar as brincadeiras do livro, principalmente a parte de desenhar mapas de lugares fantásticos. Nunca consegui ser legal, descolado e ter mil namoradas igual o Maluquinho, mas desconfio que foram aquelas páginas amareladas que me ensinaram a ver o mundo com uma ótica meio…maluquinha.

Valeu, Ziraldo!

Dos Defeitos, A Teimosia

Dos meus defeitos, acho que o mais grave é a teimosia. Eu tenho essa insistência surda e burra, de ir até as últimas consequências quando boto na cabeça que quero uma coisa. Às vezes, isso é uma qualidade e me ajuda a conseguir coisas, me ajuda a lutar pelo que quero e etc e tal. Outras tantas vezes, isso me quebra de maneiras dolorosamente épicas. É algo parecido com um cara indo a 100 por hora em direção a uma parede, e em vez de desviar ele pisa no acelerador. Claro que a gente aprende uma coisa ou outra com o passar do tempo – antes eu nem me dava conta que estava fazendo isso, hoje em dia eu percebo e tento me controlar. Mas está sempre lá, essa minha parte de menino mimado que quer tudo e quer agora. E eu até gosto dessa parte – ela faz parte do que me move, assim como também faz parte do que me segura. Mas preciso aprender a domar ela, e usar ela ao meu favor, e não pra me quebrar a própria cara.

Blackout

Lendo “Blackout” da Connie Willis dá pra entender uma porção de coisas sobre os ingleses. Como, por exemplo, o gosto que eles tem por heróis ferrados estilo Arthur Dent. E o estilo de humor do Monty Python. E os Beatles, e as piadinhas do John, e o movimento punk. Talvez também o Doutor Who, e talvez um monte de coisas que a gente acha “autenticamente inglesas” – principalmente o humor auto-depreciativo, a maneira irônica de olhar para os fatos da vida.

“Blackout” se passa na Segunda Guerra Mundial, quando a Inglaterra era um gigante tabuleiro de dardos para os alemães. Inicialmente com ataques aéreos que aconteciam todas as noites e forçaram o país a mergulhar na escuridão na tentativa de dificultar a busca por alvos, depois passando para os terríveis foguetes V-1 e V-2 que foram lançados em média 100 vezes por dia contra a ilha britânica – num total de 9.251 mísseis disparados até o fim da Guerra. O livro acompanha o cotidiano das pessoas que ficaram na ilha – mulheres, crianças, idosos, toda sorte de pessoa que não podia lutar – através da visão de viajantes no tempo, historiadores que vão para aquele período justamente para entender como era viver em um país cercado e bombardeado todos os dias.

Em um dos capítulos uma das viajantes temporais precisa arrumar um emprego em uma loja de departamentos, no dia seguinte a um bombardeio que havia destruído uma loja e danificado toda a região. E ela encontra as lojas abertas, e cartazes em diversas delas dizendo coisas como “Hitler pode estourar nossas janelas, mas nem ele pode vencer nossos preços”, ou “Nossos preços estão caindo como as bombas dos alemães!”. Em uma das lojas, preso a uma das janelas que haviam sido estilhaçadas no dia anterior, uma faixa dizia “Estamos abertos! E abertos de verdade!”. Quando ela finalmente arranja emprego, uma das compradoras diz a ela: “Quando eu vi o que o Hitler fez com a rua Oxford, eu decidi vir aqui comprar calcinhas, só pra mostrar pra ele!”. Eis um povo na mais profunda merda – bombas e foguetes despencando sobre eles o tempo todo, enfrentando uma força aérea que era cinco vezes maior do que a sua – mas que mesmo assim ainda arrumava tempo pra fazer piadas e continuar com suas vidas, como se nada estivesse acontecendo.

(Claro, não que só os ingleses sejam assim – na verdade acho que todo mundo tem um pouco disso, de estar numa situação absurdamente infernal e conseguir rir, e fazer piada da situação só para conseguir seguir em frente.)

Just Stuff

  • Forçado pelas obrigações sociais (leia-se: meus amigos todos resolveram casar e meu irmão se forma no fim do ano), sexta-feira eu comprei um terno. Preto, todo estiloso, mafioso-style. A partir de hoje só ando de terno: é terno pra ir na faculdade, no supermercado, na padaria, no metrô, na academia, pra dormir, pra TUDO. Barney Stinson estava certo, meus amigos.
  • Contrastando com a sobriedade do terno, fui lá e comprei um all-star vermelho. Meu irmão disse que all-star vermelho é um TAPA NA CARA DA SOCIEDADE. É nóise, bróder.
  • Minha estratégia de sair de Araçatuba às 9 e meia da noite pra evitar a ZONA que é São Paulo às 7 da manhã deu certo. O ônibus veio direto, sem traumas, paradas e congestionamentos!
  • E a Reunidas tá de ônibus novo! Não viajei nele, então só fiquei imaginando se era maior ou mais espaçoso que os antigos…não deve ser, porque né, Murphy sempre fala mais alto. Mas ficou legal, a pintura está diferente das velhas listras vermelhas de sempre. Tem manchas vermelhas espalhadas, todo nervosão…
  • Esse resto de semana vai ser o caos de cuecas fazendo churrasco na sala com a janela fechada. Gravação do curta-metragem, amanhã visita à FAAP e entrega de relatório, um seminário perdido no tempo e no espaço pra ser entregue e apresentado sei lá quando, trabalhos mil pra semana que vem. Mas o que importa é: Fest-Comix na sexta, casamento do Smurf no sábado e festival do vinho no domingo!
  • Acho que é isso, por enquanto. Hora de ir lá ver qual é.

White Apples, ou o Balé dos Sapos

“Ettrich tinha uma câmera – uma Leica digital que ela havia dado para ele em seu aniversário dois anos antes. Quando abriu o presente, ela havia pedido para que tirasse fotos todos os dias de sua vida e que as mandasse para ela via e-mail. Nada especial ou artístico, só coisas que o haviam interessado o bastante para mostrar para ela. Ele mandava-lhe fotos sempre, como a de um cãozinho pulando uma poça de água, ou três mendigos comendo pipoca em grandes copos amarelos, e de uma menininha que não devia ter mais de cinco anos de idade com a língua pra fora e mostrando o dedo do meio ao mesmo tempo. Ele mandava tantas fotos para Isabelle. As vezes ela comentava as fotos, mas geralmente não. As vezes, ele ficava desapontado quando ela não dizia nada pois ele realmente queria saber o que ela pensara.”

Eu comecei a ler “White Apples” meio por acaso: no meu PSP tem uma pasta cheia de arquivos .txt de livros, estrategicamente prontos para ler em viagens de ônibus. Quinta-feira, depois de quase perder a viagem em meio ao trânsito doido de sumpaulo, sentei a bunda na poltrona do busão e comecei a escolher um livro pra ler. “Hmmm, Jonathan Carroll é sempre legal, mas vou escolher um livro dele que eu não a mínima idéia sobre o que seja. Esse aqui, “White Apples”!”. E PÁÁÁÁÁ…paixão à primeira lida. Passei a viagem inteira lendo o livro, totalmente imerso no universo de Vincent e Isabelle.

Vincent está morto, mas não se lembra disso. Com a ajuda de Coco, sua quase-namorada que na verdade é um ser celestial misterioso, ele deve desvendar sua própria nova condição, bem como o motivo dele ter sido trazido de volta à vida. Enquanto isso, Isabelle, o verdadeiro amor de Vincent que o abandonou após o mesmo ter largado tudo para viver com ela, está voltando para a América. E em seu ventre ela traz o filho desse amor, uma criança que conversa telepaticamente com sua mãe e que a protege de todos os perigos. Anjo deve nascer, e é preciso que seus pais estejam vivos. Mas a própria personificação daquilo que quer destruir o universo tentará impedir que Anjo tenha sucesso. E então…a aventura começa.

Pra começo de conversa, Jonathan Carroll constrói ótimos personagens. Vincent é um homem apaixonado por todas as mulheres do mundo, por seus cheiros e sabores e nuances e loucuras. Mas Isabelle é seu ponto fraco, a mulher que para ele representa o conceito ideal de mulher, o verdadeiro “amor-de-sua-vida”. Nas mãos de um escritor sem tato, essa condição nos é contada, mas nunca demonstrada. Agora, Carroll consegue algo único: o amor entre eles ganha forma e vida, quase paupável. Durante vários pontos da história eu me peguei pensando “É assim que deve funcionar, ou deveria”. Pedaços de mundo compartilhado, pequenos rituais, bobagens que ganham significado quase sagrado…eu me apaixonei pelo amor de Vincent e Isabelle. Maldito seja, Carroll. Claro que nem tudo são flores: Vincent é essa bomba-relógio sempre disposta a se jogar nos braços de Isabelle, e Isabelle tem medo de seus sentimentos, de se jogar no precipício e se perder. Quando um arrisca, o outro dá um passo pra trás. E vice-versa.

E em torno da complexa história de amor entre esses dois, temos a velha batalha entre a ordem e o caos. Temos fantasmas, anjos, personificações antropomórficas de idéias, bebês com super poderes, animais fantasmas (ir no zoológico ganha um significado todo novo depois desse livro), uma barbearia caótica e um grande e infinito mosaico. Tudo vai acontecendo rapidamente, mas ao mesmo tempo todos os conceitos e idéias vão sendo explicados. E eu gostei da cosmologia de White Apples…tanto que me pergunto se não tem um fundo de verdade na idéia de que Deus é um mosaico, e cada um de nós é uma peça dele. Peças com poder de escolha, que influenciam outras peças e que mudam de forma durante a jornada, claro…mas é legal pensar que no final cada um tem um lugar no mosaico.

“Com mais ou menos vinte centímetros de altura, era um sapo verde de borracha em um vestido branco de dançar balé. Braços arqueados acima da cabeça, ele se apoiava em um grande pé verde na clássica posição de balé, parecendo ridículo e interessante ao mesmo tempo.
Isabelle o comprou por quase um dólar em um brechó em Vienna quando tinha 24 anos. O sapo viajava sempre com ela para qualquer lugar do mundo onde ela fosse e era uma das primeiras coisas a ser tirada da mala e posicionada estrategicamente aonde quer que ela estivesse se mudando. Ela julgava as pessoas pela maneira como reagiam ao sapo. Se alguém dissesse que era coisa de menininha, ela imediatamente riscava a pessoa de sua lista. Se eles reagissem de forma considerada ou mesmo ficassem surpresos, então ela os deixava chegar um pouco mais perto de seu coração.
A primeira vez que Vincent Ettrich viu o sapo, ele o pegou imediatamente, virou e revirou o objeto, e disse para si mesmo: “É verdade, não é mesmo?”. Intrigada, Isabelle perguntou o que ele queria dizer. Dançando o sapo em suas mãos um pouco antes de responder, Vincent disse: “Esse cara somos nós. Todos nós, sapos bobos, vestidos em nossos tutus tentando dançar o “Lago dos Cisnes”. É tão doce e triste. O Balé dos Sapos, com seu elenco de milhares. Não, milhões e bilhões!”"


Minha Alma, Espremida

Oh, so polite indeed,
Well I got everything I need.
Oh, make my days a breeze
And take away my self destruction.

( It’s bitter baby, and it’s very sweet. I’m on a rollercoaster, but I’m on my feet. Take me to the river, let me on your shore. I’ll be coming back baby, I’ll be coming back for more. Doo doo doo doo dingle zing a dong bone
Ba-di ba-da ba-zumba crunga cong gone bad. IcouldnotforgetbutIwillnotendeavorsimplepleasuresaren’tasspecialbutIwontregretitnever.)

Where I go I just don’t know,
I got to got to gotta take it slow.
And when I find my peace of mind ,
I’m gonna give you some of my good time.

Where I go I just don’t know
I might end up somewhere in Mexico.
When I find my peace of mind
I’m gonna keep you for the end of time.