Monocultura
Graças a outra dica do Brain Pickings (sim, eu sei, ando viciado nesse site), eu peguei pra ler o “MonoCulture: How One Story Is Changing Everything“. Livrinho curto, que acabei lendo ainda mais rapidamente que o “Magos de Caprona”, mas que levanta umas questões bem interessantes. Eu achei, inicialmente, que o livro fosse algo na linha dos livros do Joseph Campbell, tratando sobre mitologias e histórias que determinam e/ou espelham o comportamento da sociedade, e coisas e tal. E…bom, o livro é sobre isso, mas o foco é totalmente voltado para a nossa era. Segundo o autor, a história que dá forma para o mundo atual é uma história econômica, de lucros e eficiência e performance. Em seis capítulos e alguma coisa, vários aspectos da vida humana são analizados – educação, ciência, relacionamentos, arte, etc – do ponto de vista de como eles eram décadas atrás e como eles são encarados atualmente.
Como eu disse, o livro é beeem curto, o que quer dizer que a discussão não atinge uma profundidade profundamente profunda, mas acredito que não é esta a proposta do livro (afinal, tem vários livros do Zygmunt Bauman que se dedicam justamente a esta análise profundamente profunda). Mas fundamentalmente eu concordo com o que é dito no livro: que o grande problema da sociedade atual é encarar TUDO de um ponto de vista econômico. Como se a lógica dos mercados pudesse ser aplicada para tudo e para todos, como se todos os aspectos da vida humana se encaixassem numa ótica de “o que é mais eficiente”, “o que é mais vantajoso”. Como se a livre competição fosse a solução para tudo, como se o criatura mitológica conhecida como Mercado fosse capaz de indicar o melhor caminho para tudo. Alguém um dia nos contou que o mundo competitivo era mais eficiente do que as outras opções de mundo, e fomos forçados a acreditar…mas existem outros mundos que ainda nem foram imaginados, outras formas de pensar e de se viver, que com certeza serão melhores do que as formas que utilizamos hoje.
Utópico, totalmente. Eu admito, eu sou daqueles românticos incorrijíveis…eu acredito de verdade que os movimentos de “Occupy Everything” sejam o começo da solução, o início de um mal estar que pode nos conduzir para novas formas de ver o mundo. E antes que alguém venha com o papo de “ah, você é socialista, seu retrógrado!”: eu não sou socialista, juro por Deus. Eu não tenho uma “filosofia política”, eu só tenho certeza de que as coisas estão erradas do jeito que estão, e precisam mudar: ficar esperando que o Mercado assente tudo e dê conta de todas as mazelas do mundo é insanidade. Agora, como fazer isso, eu não sei.


