Posts arquivados em janeiro, 2011

Shaun Tan

Shaun Tan é um desses caras que cria universos. Eu admiro quem cria universos e os compartilha, pra que possamos passear por eles. É preciso algo especial pra criar universos: um talento, um dom, uma fagulha, porque seu universo precisa ter vida e as pessoas precisam se identificar com ele. Tendo essa fagulha, se teu universo tiver uma alma, as pessoas vão querer morar nele, por mais bizarro e insólito que ele seja. Mas então, Shaun Tan é um cara que cria universos, e ele cria universos em livros infantis.

Um desses livros virou filme: The Lost Thing. Ainda não assisti, mas o trailer me deixou babando.

E outro desses livros foi musicado e animado por um fã na internet, e se chama “The Red Tree”. Basicamente é sobre uma menininha tendo um dia difícil, mas as imagens (e o som) fazem disso uma experiência única e linda.

Pra quem quiser saber mais sobre a obra do Shaun Tan, esse é o site oficial dele.

A Notícia É Velha, Mas O Jornal É Novo

“Felicity’s Surprise” deve ser a melhor música do Pearl Jam que não é do Pearl Jam. Na verdade, se mafiosos russos me sequestrassem e apontassem pistolas automáticas contra a minha cabeça, berrando “QUAL SER SUA MÚSICA FAVORITA DO PEARL JAM, CAMARADA???”, eu seria forçado a dizer “Felicity’s Surprise”.

Porque sei lá, certas músicas ficam pra sempre arranhadas em sua alma, como diz o Hold Steady, e certas músicas te arrebatam sem explicação. Eu adoro procurar explicações pra letras de músicas e encontrar significados ocultos, referências, metáforas e tudo mais. Eu não faço a mais puta idéia do que “Felicity’s Surprise” esteja falando. Sorriso demoníaco e sapatos plataforma? Asas de cimento, moedinhas caindo pelo teto? Quem sou eu, quem é você, e porque a surpresa, Felicity? Não faz sentido, Eddie Vedder…mas pouco importa. Não consigo evitar sorrir quando ouço essa música, e preciso me segurar pra não gritar: “Now you’re torn….so let’s go hoooooooooome”.

“And the news is old but the paper’s new
Above the clouds afford a view
Is 39 days, changing his face
Requisitioned

I’ve been you and I’ve been me:
Why the surprise, Felicity?
You seem torn, so let’s go home”

Contra as Quimeras

Aí um dia desses eu topei com essa tirinha do Liniers, e fiquei babando. “Porra, Liniers é sempre genial”. “Que perfeito, que lindo, que foda”. “Olha só, é uma tirinha com alma, só o Liniers e o Laerte fazem isso”. “Liniers, casa comigo, SEU LINDO” e essas coisas que todo fã babão diz. Mas aí depois eu me dei conta…CARAMBA, sou eu na maldita tirinha!

Eu e minhas quimeras todas, sempre me puxando pelo pé. Quimeras são bestas mitológicas, horríveis horrendos monstros bestiais, que babam e bufam e urrram, e que são completamente imaginários. Quando confrontadas pela realidade, elas se desmancham no ar – se desfazem, ridículas e mesquinhas, e te deixam com cara de bobo. O que não quer dizer que elas não são perigosas, veja bem. Quimeras se alojam quietinhas no fundo da mente, e vão engordando e crescendo e se esparramando. Quimeras gordas gostam de nos contar mentiras, de nos fazer ver um mundo cinza e torto, de nos botar medos e inflar nossas inseguranças. E lá elas ficam por séculos, e você não percebe a ação delas até que seja tarde demais. E então você percebe que começa a se afastar de quem ama de verdade, por culpa de um monte de quimeras estúpidas agarradas ao seu pé.

Quimeras, quimeras minhas, criadas e maturadas por anos e décadas, vocês já me deram no saco. Hora de dar cabo de vocês e ir viver de verdade. Stallone, como eu faço pra matar quimeras?

Em Defesa dos Bobos

(E aí eu li esse pensamento no blog de uma amiga, e certas frases ficam ecoando na sua cabeça por um motivo ou por outro. E resolvi comentar.)

“Se eu tiver que pedir por algo a alguém que pretensamente goste de mim, ela não gosta tanto assim.”

Eu devia adotar esse pensamento pra vida. E me pouparia de um mooondicoisa: de esperar por coisas que nunca vem, de criar expectativas que me derrubam, de repetir sempre os mesmos erros, de me iludir e de insistir em coisas que não tem futuro. Facilitaria um mooonte minha vida, perderia menos tempo, quem sabe seria mais feliz e etc e tal…maaas ao mesmo tempo eu acho que se você não lutar por certas coisas, ninguém mais vai. No fundo a gente sabe instintivamente que aquele pensamento ali em cima é de verdade; mas alguns de nós insistem, contra todas as evidências, porque…porque? Porque é um trabalho sujo que alguém precisa fazer. Porque faz parte do processo. Porque as historinhas bonitinhas de “garoto conhece garota e são felizes pra sempre sem esforço” são só histórias. Porque a vida real é feita de perdões e concessões e insistências e esforços e gente lutando porque acredita em alguma coisa – em alguém. Porque o silêncio nunca constrói nada, nunca conserta nada, nunca explica nada – é só silêncio, o que você queria? Porque as pessoas não sabem se comunicar umas com as outras, e porque às vezes é preciso dizer as coisas mais óbvias com as palavras mais simples.  Porque o mundo não é como a gente pensa que ele deveria ser,  porque o mundo é como construímos ele. E pra construir um mundo é preciso sujar as mãos, lutar, se arriscar, falar, mostrar, insistir, fazer, agir, tomar porrada, cair, levantar.

E se no final não der em nada, saber virar as costas e começar do zero em outro lugar. Paciência também tem limites.

A Rede Antisocial

Antes de começar a assistir “A Rede Social”, eu pensei “Se esse filme for bom de verdade, quando acabar de assistir eu vou deletar minha conta no Facebook”. Acabei não deletando a conta – porque eu sou um bundão, porque é legal ter um site manter contato com as pessoas – mas ao mesmo tempo concordo com quase tudo o que o Scalzi diz nesse post no Whatever. Mas não posso negar que o filme é bom, pelo menos como entretenimento.

Se eu acredito nos retratos que o filme faz? Bom, nenhuma história é totalmente verdadeira, e nenhuma história é totalmente falsa. O filme coloca o Eduardo Saverin como o cara bonzinho que é traído pelo amigo, o Sean Parker como o demônio que sai distribuindo dinheiro, drogas e mulheres em troca do talento dos nerds, e o Zuckerberg como um gênio idiota cheio de ambição mas sem um pingo de tato. Em tempos em que todo mundo agora quer se declarar nerd, em que aparecem até coisas como “o orgulho nerd” e tal, é sempre bom lembrar: nerds podem ser e são tão ou mais babacas quanto qualquer outro tipo de pessoa. Babacas, egoístas, mesquinhos, invejosos, vingativos, idiotas,  burros… entender de computadores ou gostar de Star Wars não é garantia de qualidade moral nenhuma. O Saverin não deve ser tão bonzinho quanto pintaram no filme, e acredito que nem o Sean Parker seja tão porra louca – mas eu consigo imaginar o Zuckerberg ser daquele jeitinho lá, inteligentíssimo em certos aspectos, estupidamente burro em outros e com um ego do tamanho de um bonde. Porque infelizmente não é um perfil de nerd tão raro assim…sei lá, quando você vive por tempo demais trancado em seu mundinho, de duas uma: ou você dá um grande valor pras pessoas que se aproximam de você, ou você se fecha e trata elas como lixo (não exatamente porque você quer fazer isso: é mais por medo ou receio ou por não saber realmente o que fazer).

Ser nerd é complicado…não é só dizer que gosta de X-Men, jogar RPGs e saber formatar seu PC. Ser nerd é enxergar o mundo de um jeito um pouco diferente – uma defasagem de 2 centímetros pra esquerda de onde o mundo real deveria estar. Essa defasagem tem várias “vantagens”, e eu não trocaria ela por nada nesse mundo, mas no que diz respeito às pessoas você sempre vai estar se perguntando: o que devo fazer? Como me comportar? O que dizer? O que elas esperam de mim? O que devo esperar delas? Já posso voltar pro meu quarto? Então, por causa de tudo isso, Zuckerberg não chega a ser um vilão – ele é um babaca que fez várias babaquices. Como diz a menina no começo do filme, ele é um cara que vai passar a vida toda imaginando que não tem sucesso com as mulheres porque é nerd, quando na verdade a culpa dessa rejeição toda é por ele ser um babaca.

Dos Filhos de Anansi e do Blues do Coiote

“Anansi Boys” é um dos meus livros favoritos do Neil Gaiman. Esse “é um dos meus favoritos” é uma mera desculpa, porque eu sou um desses fãs estúpidos que gostam de tudo que o Gaiman escreve, até mesmo quando tudo que ele faz é ficar mostrando fotos de sua matilha de lobos brancos passeando pela neve.

Seu autor favorito tem uma matilha de cães-lobos-albinos? Então, né.

Seu autor favorito tem uma matilha de cães-lobos-albinos? Então, né.

Mas voltando. “Anansi Boys” é um dos meus livros favoritos do Neil Gaiman. É um livro bem mais leve do que Deuses Americanos e Sandman, e nem tem o mesmo senso de aventura que Lugar Nenhum ou Stardust. “Anansi Boys”, os Filhos de Anansi, é um livro que fala sobre…família, sobre pais e irmãos e entes queridos em geral, e fala sobre os tricksters e arlequins que eu citei no outro texto, e fala sobre o poder das histórias e mitos e palavras. E fala, especialmente, sobre achar sua própria voz, encontrar sua canção e cantá-la. Como diz o sr. McCartney, “take a sad song and make it better”.

Outra coisa interessante sobre os tricksters: eles são sempre contadores de histórias. No “Anansi Boys” é contado sobre como, no início do mundo, as histórias pertenciam todas ao Tigre e como elas falavam todas sobre força e caça e sangue e morte. Até que um dia a aranha Anansi engana o Tigre e rouba todas suas histórias; e agora que as histórias eram de Anansi, elas falavam de esperteza, de inteligência, de usar a cabeça e se safar do mais forte. Para os índios da América do Norte, o principal trickster era o Coiote – ele assumia várias formas, mas a principal era a de Velho Homem Coiote – e ele era o pai de todas as histórias que se contavam. Joseph Campbell dizia que os mitos são maneiras de se expressar o inexpressável. As idéias e ideais que não conseguimos traduzir em palavras, os sentimentos que não tem nome e que nos movem ou nos atormentam, a sensação indescritível de que existe algo além do que se vê. Todas as coisas que sabemos mas teimamos em fingir que esquecemos – todas as coisas que não sabemos, mas teimamos em fingir que entedemos. Tudo isso faz parte dos domínios de Anansi, tudo isso faz parte da história, tudo isso está na canção de tudo.

Eu acredito nisso: que o que move a vida é essa busca por achar sua própria voz e cantar sua canção. Não existe uma maneira certa ou errada de se fazer isso: é a vida, você a vive da melhor maneira que puder e pronto. Mas existem momentos em que você sabe que está entrando no tom (“I’m getting in tune with the straight and narrow”), e existem momentos em que nem o pior dos cantores de chuveiro consegue cantar pior do que você. E o que fazer? Continuar cantando, acho eu, como se sua vida dependesse disso. Porque depende =)

“Eu sonhei que o Velho Homem Coiote aparecia pra mim e dizia, “Pokey, quando tudo está certo com você, mas você está com tanto medo de que algo possa dar errado que isso acaba destruindo seu equilíbrio, então você está com o Coyote Blue. Nessas horas eu aparecerei para te botar em pé novamente.” Esse sonho que eu sonhei, eu te entrego, Samsom.”

“O que isso quer dizer, Tio Pokey?”

“Eu não sei, mas é um sonho muito importante.”

Trecho de “Coyote Blue”, do Christopher Moore. Outro livro que fala de tricksters e histórias e do caos da vida.

A Verdade Esfregada Na Cara

Enrique: http://www.phoboslab.org/ztype/
esse foi feito em outra plataforma…mas é bem massa XD

Marcelo: rs
massa
um jogo de datilografia
rs

Enrique: hehehehe sim
e vai ficando fodinha…tem até boss

Marcelo: rs
eu não cheguei tão longe assim
eu me ferrei naquele q veio todo picado
rs

Enrique: hahahaha
esse é foda
aquele monte de letrinhas fode

Marcelo: fode msm
rs

Enrique: esses joguinhos em flash e etc tão ficando mais criativos e divertidos q os jogos de videogame, tipo ps3 e xbox.
parece q o povo é forçado a se virar com poucos recursos…então usa a criatividade

Marcelo: ah sim
cara…
eu acho…
q agente tá ficando velho

Enrique: hauahauahauhauahahua

Marcelo: só velho gosta dessas coisas saudosistas
rs

Enrique: =(
não precisa esfregar na cara também

Marcelo: hauhauhauahua

Enrique: senti a artrite chegando aqui

Marcelo: mas eu prefiro esses joguinhos mais simples tb

Enrique: aham
seu idoso