Minha Mãe e o Homossexualismo

Tava lendo deitado no quarto, meio lendo, meio dormindo, quando minha mãe (que veio passar uns dias aqui em Sumpaulo comigo) entra correndo no quarto.

- Enrique! Enrique! Sabe aquele portão que tem do lado da loja de material de limpeza?
- Acho que sei!
- Eu tava lá olhando a janela, quando um homem todo grandão tocou a campainha desse portão. Aí veio outro homem abrir a porta pra ele! Menino…
- O que, mãe??
- Os dois entraram e fecharam o portão. Mas aqui de cima dá pra ver por trás do portão, né? E aí…pois um não arrancou a camiseta do outro, e começaram a se abraçar lá dentro??

Claro que nessa hora eu já comecei a rir sem parar – mais pela reação dela do que pelo que casal. Tadinha da minha mãe, ainda bem que eu nunca levei ela pra passear na Paulista: o choque cultural ia ser demais pra ela.

Hoje cedo era eu quem estava na janela. Minha mãe chegou e começou a explicar melhor a cena.

- …Aí os dois ficaram um tempão agarrados!
- E se beijaram?
- Não dava pra ver direito! Mas depois eles entraram, naquele apartamento ali ó, e fecharam a janela. E não abriram mais a janela! Devem estar lá ainda, se divertindo! Não é que eu seja preconceituosa…mas pra mim, eu tava acostumada com gays tipo o seu primo, novinhos e com jeito mais delicado.
- E que jeito eram os dois do portão?
- Ah, eram dois homões!

(Nota explicativa de mea-culpa: o objetivo desse post era relatar um episódio que eu achei engraçado – a reação da minha mãe ao ver pela janela o casal homossexual se abraçando. Engraçado porque…bom, porque eu e minha família somos do interior. Temos gays na família, somos amigos de gays e tal, mas o convívio não é constante – não temos experiência, de fato. Tenho quase que absoluta certeza que essa foi a primeira vez que minha mãe viu dois homens se abraçando romanticamente…e foi isso que achei engraçado: minha mãe nunca viu isso na vida, algo que pra quem vive nas grandes cidades já é comum, corriqueiro. Não considero minha mãe homofóbica, na verdade sei que ela não é – mas a reação dela pode ser considerada homofóbica, e foi aí que eu errei ao retratar a reação dela sem dar um pano de fundo melhor. Também citei um dos meus primos gays, e nem imaginei dizer que seria ofensivo dizer que ele é “delicado”.  Esse post devia ter sido melhor escrito, melhor pensado, melhor explicado…se a Eluza não tivesse me explicado aonde errei, eu nem teria percebido. Também não me considero homofóbico, mas sei que esse post pode (deve) ter soado extremamente homofóbico… É foda isso: você se considera uma pessoa descolada, legal, antenada, liberal e tal, até que um dia tu escorrega e percebe que não é tão moderno assim. Sei que essa explicação aqui não vai adiantar muita coisa, sei que o dano já foi feito. Mas também não vou apagar o post: o que tá feito, tá feito. É um admirável mundo novo, e ainda estamos aprendendo a viver nele – assumo meus erros e minha falta de experiência. E obrigado a dona Getsuchan pelo leve puxão de orelha =) )

Tanto Mar

Aí tem esse perfil no twitter que publica frases do Chico Buarque.Pra quem não sabe como funciona: são bots, programas que rodam em servidores e que que puxam frases randômicas de uma lista, e as publicam em horários determinados. É como um spammer, sendo utilizado para algo menos escroto. E a idéia é ótima, porque oras, o Chibu tem letras perfeitas e lindas e cheias de sentidos e tudo. Mas nem tudo é perfeito: as frases se repetem com uma frequência absurda, por increça que parível, visto o monte de letras do Chibu que existem. E volta e meia eles postam um trechinho de “Tanto Mar”, que diz: “Sei que há léguas a nos separar…tanto mar, tanto mar.”. E sempre que eu vejo a frase sendo repetida no twitter, não consigo evitar replicar e responder ao perfil, só pelo prazer de completar o verso, só pela vontade de responder, só pela necessidade de se sentir o vento no rosto: “Sei também quanto é preciso, o pá, navegar, navegar…”.

(E ai de quem responder nos comentários que o pior doido é aquele que conversa com o computador)

Road Movies

Dizem por aí que eu sou muito SELETIVO (leia-se: chato) pra assistir filmes e seriados. E eu posso tentar dourar a pílula o quanto eu quiser, mas é verdade – só assisto aquilo que me dá extrema vontade de assistir, abandono seriados pela metade quando encho o saco, não assisto certos filmes por puro preconceito, preguiça ou falta de saco mesmo. (Mas acho que todo mundo faz assim, não é? Não? Hmpf. Enfim…). Mas tem um segredo pra me fazer sentar a bunda no sofá: é só colocar qualquer “road movie” pra passar.

Eu tenho essa tara quase pornográfica por filmes de estrada. De preferência estradas que cortam o interior, esses bolsões de lugar nenhum que existem entre as cidades, onde você olha ao seu redor e só consegue ver um oceano de plantações até o horizonte, e o carro desliza a duzentos por hora mas parece não chegar mais perto de nada. Ou então montanhas – montanhas são sempre fodonas – montanhas e formações naturais variadas, como mesas, canyons e coisa e tal. Ei, eu vi Thelma e Louise anteontem e fiquei babando quando elas chegam na região do Grand Canyon. O que interessa aqui é o conceito: um carro pequenininho e uma estrada que mais parece uma linha imaginária cortando um mundo que é maior do que a própria vida. Como já disse o Pearl Jam, tem tanto pra ser dito sobre lugar nenhum.

Minha sequência de estrada favorita é o finalzinho de Elizabethtown, do Cameron Crowe. “Como assim, você nunca atravessou o país de carro?” pergunta Claire, e então ela prepara um guia de viagem completo pra ele, com mapas, fotos, citações e música – trilha sonora completa pra todos os passos da jornada. E desde a primeira cena eu já havia me apaixonado por ela, porque eu acredito que precisamos de Claires e diabos não dá pra evitar, ela é toda lindinha, mas foi com o guia de viagem que ela deixou de ser um personagem legal num filme pra virar algo mais perto de um símbolo, uma manifestação de algo maior do que tudo. Talvez Claire seja a alma da estrada – aquilo que te arranca e te faz botar o pé na estrada. Ou talvez seja só uma moça legal, com um ótimo gosto musical!

( No youtube tem a cena – mas está em italiano, veja só você. Eu gosto de italiano, mas filme dublado é estranho em qualquer língua XD. O legal de ver aqui é a estrada, o guia de viagem – e as músicas. Ainda acho que Elizabethtown tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, mesmo porque o Cameron Crowe nunca erra no quesito música. )

Dos Pecados da Humanidade

O vizinho…

O meu vizinho…

O sujeito que mora aqui do lado…

O vizinho aqui do lado tem um dos piores e mais bizarros gostos musicais de todas as galáxias conhecidas. Sei lá, alguém devia bater nele. Com um remo. Com um grande atum. Até ele desistir de ouvir essas coisas que ele ouve. Ou desistir de viver. Ou pedir perdão por seus atos e virar um escravo-roadie do Foo Fighters, pra pagar por seus pecados e redimir seus erros.

Sabe, tudo tem limites. Tudo, tudo.

(Menos a estupidez humana, claro)

Existe o sertanejo universitário empacotado pra consumo, isso é fato. Existe a dance music estilo anos 90, e nada corrigirá este pecado da humanidade. Mas você MISTURAR sertanejo universitário com dance music dos anos 90 e fazer um BATIDÃO SERTANEJO é demais. Não dá.

O Meteoro Tecno da Paixão é o fim dos nossos tempos. Putamerda =(.

Eles Voltaram!

Não foi por falta de aviso: os prenúncios foram muitos, e muito claros. A Lady Gaga. O Brandon Flowers. O Restart. O Tron Legacy.  Claro que ninguém deu bola, todos estavam muito ocupados xingando muito no twitter pra perceber o que estava acontecendo de verdade.

E assim, sem nenhuma resistência ou movimento contra, os anos 80 voltaram com tudo, tocando violino neon e com direito à solinho de saxofone.

A tendência, claro, é piorar. Penteados estranhos, permanentes bisonhos, ombreiras, roupas brilhantes, ombreiras, bandas pop européias afetadíssimas, hard rock farofa…é o apocalipse que chegou, e está tocando violino de neon no Eurovision. Porra, “Eurovision”! Tem coisa mais oitentista que Eurovision?

E agora? O que faremos? Pra onde correremos? Pereceremos cegos pelo brilho do neon, envenenados pela overdose de laquê que cobrirá a atmosfera? Ou lutaremos, como bons dinossauros, sobrevivendo ao inverno atômico e seguindo em busca da vida ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO? (Porque nada é mais pós-apocalíptico do que a Tina Turner de cota-de-malha cantando o tema do Mad Max.)

Ou vai simplesmente SE JOGAR, SANTA? …bichona ¬¬.