Posts de março, 2011

Da Pressa e do Grito

quinta-feira, março 31st, 2011

Eu tenho pressa. Corro contra o relógio. Hoje uma menina de 17 anos me surpreendeu, com trinta vezes mais sabedoria e atitude do que eu jamais conseguir ter em meus 27 anos. “Eu não sei quando eu vou morrer, então eu quero fazer tudo o que puder” não é uma filosofia nova…mas ouvir isso da boca de uma pessoa tão nova (e tão genial, admita-se), me fez sentir tão velho e babaca que sei lá. Eu aqui com minhas picuinhas, com meus desejos e sonhos que sempre ficam pra mais tarde, com todas as coisas que ficam pra mais tarde, pra amanhã, pra uma oportunidade melhor, pra quem sabe quando. E se eu fosse embora amanhã, o que ficaria? “Aqui jaz mais um que quase chegou lá, mas desistiu porque dava muito trabalho”. O tempo é curto.

E perde-se tempo demais esperando as portas se abrirem, esperando por sinais, esperando que o tempo mude, esperando a hora certa, o momento exato, a condição ideal, esperando, esperando, esperando. É preciso chutar as portas, criar os próprios sinais, trazer o vento e a tempestade e a chuva e o sol na marra. Eu caí na estrada, me meti numa fria de faculdade/empresa/pesquisa que só tende a ficar mais caótica com o passar do tempo, e preciso confessar que fazia tempo que não me sentia tão VIVO. Mas eu sinto que tenho que fazer muito mais, sinto que preciso ir muuuito mais longe. E que não posso ficar perdendo tempo parado. Que não posso e não quero mais imaginar como teria sido se tal coisa X tivesse acontecido em tal momento Y. Que posso me dar ao luxo de dizer NÃO pra tudo que me incomoda e me atrapalha e me prende. Que posso levantar minha voz e dizer o que eu penso, que tenho direito e dever de brigar por mim mesmo e por tudo que me importa, ou de dar as costas e ir embora se eu me cansar. Que não posso ficar correndo atrás das pessoas, e que quem realmente se importa com você dá um jeito de fazer parte da sua vida, e você não tem que ficar implorando peloamordedeus pra que isso aconteça. Que eu devo tentar fazer tudo o que eu conseguir, mesmo que fique uma bosta, mesmo que ninguém se importe, mesmo que dê errado, mas eu preciso meter a cara e parar de me esconder atrás de justificativas. Porque se tem uma verdade nessa vida, ela é a seguinte: quem quer faz, quem não quer arruma justificativas. E sinceramente nos últimos tempos eu quero que todas as justificativas se fodam, principalmente (mas não só) as minhas.

Eu ando com uma vontade maluca de gritar. Meio sem motivo, meio pelo simples prazer de berrar, meio pra exorcizar meus demônios. Ando incomodado, algo coçando aqui dentro, fico procurando as palavras pra botar pra fora e não acho – só encontro um grito lá dentro. Não é um grito de desespero, não é um grito de raiva, não é loucura – é algo diferente. E tem sim desespero, raiva e loucura nele, mas não são esses sentimentos a chave. Eu sinto que tô mudando, me sinto bem diferente de um ano, dois meses, duas semanas atrás. De ontem mesmo. Algo mudou aqui dentro, alguma coisa se partiu e uma ficha caiu, mas principalmente as portas se abriram e tudo mudou. Talvez a vontade de gritar sejam as dores do parto de algo que precisa nascer, algo que ficou anos e anos esperando pra nascer e agora tá saindo à força. Me sinto cansado, mas me sinto cansado de esperar – pelos outros, pelo mundo, principalmente por mim mesmo. Isso tudo que eu escrevi parece cheio de raiva, mas na verdade é o contrário. Eu tô bem, me sinto bem, e sinto SEI que estou no caminho certo. Eu caí na estrada, finalmente, e não quero mais olhar pra trás. E quem quiser que venha junto.

“…porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações…” – Jack Kerouac, um sábio filho de uma puta.

Canções de Ninar Para Perdidos – Parte IV

domingo, março 27th, 2011

( Tangled Up In Blue pode ser a canção mais emblemática de Bob Dylan. Uma música sobre encontros e desencontros e estradas e cidades e pessoas e coisas que vão e voltam e que nunca terminam de verdade, uma música que Dylan reescreveu e reinterpretou diversas vezes, cada vez contando uma história diferente mas com o mesmo espírito emaranhado em azul – um hino pra qualquer perdido.)

“So now I’m going on back again, I got to get to them somehow
All the people we used to know, they’re an illusion to me now
Some are mathematicians, some are truck driver’s wives
Don’t know how it all got started, I don’t what they’re doing with their lives

But me I’m still on the road, heading for another joint
We always did feel the same
We just saw it from a different point….of view
Tangled up in blue

Hay Quien Abre Una Ventana

quinta-feira, março 24th, 2011

(Oi, meu nome é Enrique e eu tenho um fraco por rock argentino. E coisas latinas em geral. E procuro um curso legal de Espanhol, alguém indica alguma coisa? E esses clipes fanmade do youtube são sempre esquisitinhos, mas esse pelo menos tem imagens da banda e não imagens de corações e ursinhos e coisas do tipo. E é pra prestar atenção na música, não no clipe. A música é bonitinha, não é? Não? Que merda. Mas será que só eu gosto de rock argentino? Hmpf. )

(Em tempo: achei a música no tumblr “Regalame un Sol”, que é muito bom e vale uma visita e um follow. )

Pra Alimentar a Alma

quarta-feira, março 23rd, 2011

Canções de Ninar Para Perdidos – Parte III

domingo, março 20th, 2011

“There were “Southern Accents” on the radio, as I drove home
And at night I woke up with the sheets soaking wet
It’s a pretty good song, maybe you know the rest

(Maybe you know the rest)

And Maria came from Nashville with a suitcase in her hand
I always kinda sorta wished I looked like Elvis
And in my head there’s all these classic cars
And outlaw cowboy bands – always kinda sorta wish I was someone else”

As Vezes Tudo Muda

sábado, março 19th, 2011

Semana passada eu fiz uma entrevista, na…sexta? Na sexta-feira, pra entrar na empresa júnior de Design lá do Senac. Os membros da gestão anterior estão se formando, é preciso abrir uma nova gestão e lá nos metemos, eu, Adenauer, Lucas, Danilo e Pedro.

E não sei porque, eu saí da entrevista desencanado. Achei que não tinha me mostrado o suficiente, que os outros caras eram melhores do que eu, que a empresa ia dar preferência pro povo de design gráfico (eu  e meus amigos  sendo do design de interfaces) e um monte de desculpas pra me consolar. Sabe aquela música do Ultraje, “Terceiro”? Ela me define horrores, e isso é escroto. Máenfim.

Na quarta-feira minha professora preferida me parou no corredor, pra dizer que havia uma vaga no grupo de pesquisa (iniciação científica) dela e perguntar se eu não estava interessado/disponível. E mais que depressa eu disse “CLARO!”, por mil motivos, o principal deles sendo que eu precisava sair do marasmo em que me encontrava. A Verônica, minha amiga do curso, faz parte desse grupo de pesquisa e me contou que eles trabalham (pretendem trabalhar) com coisas macanudas, como vídeo mapping, desenvolvimento de apps, isso sem contar com o trabalho de pesquisa sobre prédios e áreas antigas da cidade. Ótimo, pulei dentro e mandei email confirmando interesse, e a professora já respondeu animada e tudo.

Weeee!

Aí na quinta-feira me chega um email com o título “PARABÉNS!”, dos caras da empresa júnior. Eu e mais dois amigos fomos chamados pra integrar a nova gestão, junto com duas moças do curso de design gráfico. E o sentimento de “E AGORA, QUE EU FAÇO?” me atingiu com os dois pés no peito. Depois de quase dois meses indo atrás da empresa júnior, finalmente conseguimos entrar…mas ao mesmo tempo, trabalhar com a Polise seria muito bacana. Escolho qual deles? O que faço? Bye bye, tempo livre, chegar cedo em casa, fazer o que der na telha, enrolar pra fazer trabalhos, e tudo mais. Na hora eu fiquei nervosíssimo – do jeito que eu sempre fico quando sei que algo vai mudar de verdade na minha vida. E aí a Marta disse algo que fez todo o sentido do mundo:

“É… mas lembra que era isso que vc queria? Lá atrás, quando vc era um jovem enegenheiro eletricista?”

E aí eu decidi abraçar os dois: entrar pro Estúdio Beta e pra pesquisa. Pra quem estava praticamente parado à um ano, vai ser como abraçar o mundo – não sei se vai dar certo, não sei se vou dar conta de equilibrar faculdade, trabalho e pesquisa, sei que não vou ter mais tempo pra nada e que minha vida vai virar o caos. Mas…fui eu que chamei o vento. E agora que ele veio, ia ficar de frescura, olhando pra trás, esperando uma oportunidade mais “adequada”? Se ficasse, essa seria a prova cabal que os eventos da semana passada não me ensinaram nada. E então eu parei de frescura e pulei pra dentro.

E seja o que Jung quiser.

De Água e Deserto

terça-feira, março 15th, 2011

“Água. Porque havia essa relação com a água?

Ele sabia a resposta para isso.

Eles vinham do deserto, o seu povo. Das dunas impermanentes, das tempestades de areia e das duras montanhas esculpidas; de um lugar onde o vento poderia soprar para sempre sem jamais ser interrompido ou desviado. Onde o Sol matava e eram as estrelas da noite que ofereciam a promessa de vida, o ar para respirar, a brisa para resfriar a febre borbulhante do dia. Onde a água era…o que?

Um sonho, uma prece, a mais pura benção divina.

Ele não tinha nenhuma lembrança desses lugares, a menos que fosse uma memória que já existia nele quando veio ao mundo. Uma memória tribal pertencente aos Asharitas, que os definia. (…) Mesmo assim, era atraído pela água quando perturbado, quando algo dentro dele precisasse de reparo. Longe do deserto, o deserto estendia-se dentro dele como uma ferida ou um peso, assim como estendia-se dentro de todo seu povo.”

(Vou precisar escrever um post gigante pra falar desse livro, “The Lions of Al-Rassan”, do Guy Gavriel Kay. Por ora, basta saber que é um livro de ficção-fantasia histórica, que mais ou menos se passa em um lugar MUITO parecido com a Espanha na época da dominação moura, quando aquelas bandas se chamavam Al-Andalus e eram o coração cultural de toda a Europa (mesmo que só por um século ou dois).  Como se já não bastasse falar de um dos meus períodos históricos favoritos, o livro tem personagens fodidamente e fantasticamente interessantes – como o poeta e assassino de reis Ammar ibn Khairan, que reflete sobre a influência da água e os desertos internos que carregamos pra sempre. Eu gostei desse trecho porque…olha, eu não tenho um deserto dentro de mim, mas eu tenho um faroeste paulista dentro da alma e isso já me basta.)