30 Day Song Challenge – Dia 7
sábado, abril 30th, 2011“Uma música que te lembre de um evento”
(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)
Mas músicas cortam também. O dia mais assustador do mundo foi um dia de semana, provavelmente uma sexta-feira, e começou com um telefonema. Ninguém deveria ter que ouvir a própria mãe desabar via telefone. “Eu tenho que falar, desculpa, mas senão eu não vou aguentar”. Ela estava voltando pra casa, de ônibus, minha tia havia ficado em Jaú – eu iria pra lá no dia seguinte, pra ficar com ela naquela semana, a segunda semana do tratamento. E então eu descobri que monstros eram reais, que tudo pode desmoronar num segundinho de nada, e que não temos tempo pra nada nesse mundo, quanto menos pra desperdiçar com mesquinharias. Mas na hora tudo que eu queria fazer era…não sei. Foi um dia horrível, estranho, de medo e angústia, sem ter pra onde correr.
A música que eu ouvia nesse dia era “How To Save a Life”, do The Fray. A música mais triste do mundo, na minha opinião. A única música que me amarra minha garganta e que me força a segurar as lágrimas. Não coloquei ela no dia apropriado porque…porque ela é forte demais, pra mim. Representa algo que ainda me assombra, que eu tenho medo de olhar ainda. Mas ela marcou esse dia, e é uma música tão linda, por mais triste que seja.
O dia seguinte foi melhor. Quando eu desci do ônibus em Jaú e encontrei ela na pensão, e vi ela sorrir…eu vi que nada estava perdido ainda. E eu gostaria muito de dizer que nesse momento o medo foi embora, mas não foi assim. O medo estava lá, a angústia de se lutar contra forças invisíveis, de querer fazer algo e não saber o quê…mas o importante é que ela estava lutando, que estava resistindo.
E ela venceu, porque ninguém derruba ela. Nem mesmo uma doença escrota feito essa.
(A luta continua, é óbvio. Cada ida pra Jaú representa um aperto no coração, e um alívio sem tamanho cada vez que elas voltam e ligam dizendo que está tudo bem. Já repararam que de vez em quando eu posto uma foto do George Harrison, com agradecimentos e tudo? É pra marcar cada vez que isso acontece.)
(E eu agradeço as médicas e enfermeiras e voluntários e pacientes do Hospital Amaral Carvalho. Eles salvaram a vida da minha tia, assim como salvam a vida de muita gente todo dia, e fazem milagres com tão pouco. Se por acaso quiserem doar grana – ou sei lá, fazer trabalho voluntário, ou doar sangue – uma ótima opção é o Hospital Amaral Carvalho, lá em Jaú.)
(E eu contei essa história toda sem dizer a palavra, talvez por causa da sensação que ela ainda me causa. Esse episódio me fez crescer vários anos em alguns meses – mas ainda tenho ganas de voltar a ser criança toda vez que o medo me assalta)