Em Casa, Once Again!

  • Em casa, finalmente! (De hoje até domingo , casa = Araçatuba). Já faziam quase três meses desde que eu vim pra cá – não vim no carnaval, não vim na páscoa, e antes que minha mãe ficasse muito revoltada resolvi vir agora, no dia das Mães. (Na  verdade eu me toquei só anteontem que era dia das Mães, pelo menos a tempo suficiente de comprar um presente.)
  • Como sempre, é bom demais estar em casa, junto da mãe, da Rose, dos infinitos gatos. (Enquanto digito, o Nicolau tá deitado na minha cama, me olhando com aqueles olhos desaprovadores que só um gato pode ter). É estranho que a primeira coisa que eu noto é o silêncio. Lá em Sumpaulo você acaba se acostumando com barulhos o tempo todo – carros, pessoas, movimento constante. E aí quando eu volto pro interior…sei lá, parece que o tímpano relaxa. Dá pra ouvir passarinhos cantando e tudo, mais bucólico impos…mentira: mais bucólico, só atravessando a fronteira e indo pra Mato Grosso do Sul.
  • Quarta-feira eu ganhei pre-sen-te!! Redizendo o que eu disse no twitter, acho que tem poucas coisas mais legais do que receber uma carta, escrita a mão e tudo (mesmo que seja um post-it, hahaha), pelo correio. Mas ainda mais legal é abrir a carta e descobrir que ela contém um marcador de livros em forma de Cthulu!! Obra da genialzíssima Dona Lulu, minha guia de museus favorita e dona do igualmente genialzíssimo “Coruja em Teto de Zinco Quente” – que completou dois anos na quarta-feira, e ganhou layout novo e tudo, com direito a Beatles-corujas atravessando Abbey Road! Valeu, dona Lulu, e fique esperando a resposta da carta…mwahaha! ;D
  • Espero que me perdoem pelos dois dias sem postar as músicas do desafio – é que quarta e quinta foram dias de preparação pra ir embora, e também de entrega de trabalhos e seminários e fazer revista e vetorizar desenhos e etc e tal, e no final do dia eu tava morrendo de preguiça de escrever. Enfim, daqui a pouco eu já posto a próxima música da lista ;D

30 Day Song Challenge – Dia 10

(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)

“Uma canção pra te fazer dormir”

Hmmmm…não lembro de nenhuma música que me faça dormir. E eu poderia aqui fazer tooodas as piadinhas fáceis com Oswaldo Montenegro, Los Hermanos e tudo mais, mas me absterei – principalmente porque não aguento mais escrever hoje, depois de dois relatórios e um seminário de antropologia. Mais do que zoar esses caras, eu quero mais é postar minha música que me faz dormir, e logo em seguida pensar em ir dormir ;D

Eu iria escolher “Around the Bend”, do Pearl Jam, por se tratar de uma canção de ninar propriamente dita e também por ser lindinha de tudo. Mas aí eu lembrei que o Pearl Jam também costumava tocar “Harvest Moon”, do Neil Young, que não é uma canção de ninar mas chega quase lá. É linda, é relaxante, me dá saudades do faroeste paulista e é Neil Young tocado pelo Pearl Jam: “Harvest Moon” it is!

“But now it’s gettin’ late
And the moon is climbin’ high
I want to celebrate
See it shinin’ in your eye…”

Do Adjacente Possível

(O post abaixo fala sobre idéias, com acentos, do jeito que deve ser. Porque ideias sem acento não tem valor nenhum, ok, acordo ortográfico?)

De onde vêm as boas ideias from BPM Multi on Vimeo.

(Uia! Não conseguia achar esse vídeo legendado nem fodendo, no Youtube, e na primeira busca no Vimeo já encontro ele dublado!)

Eu tô lendo um livro bem bacana, do Steven Johnson, chamado “Where Good Ideas Come From”. O título tem cara de auto-ajuda, né? Tipo, “Seja criativo em 10 simples passos!”, “As 10 Lições de Gerenciamento Que Aprendi com Don Vitto Corleone”, ou coisa parecida. Mas muito pelo contrário – a idéia do livro não é ensinar ninguém a ter boas idéias, mas sim discutir de onde diabos elas vem. A questão central é: sabe aquela história do momento do eureka? Aquele mito da epifania milagrosa que surge num instante e muda tudo? Então, tudo balela. Steven Johnson afirma que os verdadeiros responsáveis pelas idéias são os “slow hunches” – aquelas idéias, opiniões, suspeitas que vão se construindo durante anos na sua mente, algo que você sabe que deve ser verdade, ou algo que tem um certo potencial, mas que por um motivo ou por outro acaba ficando no fundo da sua mente. Até que um dia algo acontece: um outro slow hunch, ou a idéia de outra pessoa, se choca com ele e forma uma nova idéia, mais forte, mais formada e com energia suficiente pra vir à tona. E então a mágica acontece…

Outro ponto bem legal comentado pelo Steven Johnson é a história do “adjacente possível”. Pense no planeta Terra durante sua formação: um amontoado de moléculas básicas, como amônia, metano, água, dióxido de carbono, alguns aminoácidos e etc. Cada uma dessas moléculas pode se combinar com outras, em um número finito de combinações possíveis, gerando novas moléculas, novos blocos de construir. Essas novas moléculas podem combinar entre si novamente, gerando novas moléculas, novos blocos de construir…e continue nessa brincadeira por tempo suficiente, e você terá um planeta, oceanos, continentes, plantas, animais, seres humanos…

O cientista Stuart Kauffman dá o nome de “adjacente possível” para cada um desses grupo de combinações possíveis. No caso da formação da Terra, o adjacente possível engloba todas as reações moleculares possíveis naquele primeiro momento da formação do planeta. Você não poderia ter baleias ou vasinhos de flores no segundo dia do planeta Terra, mas o potencial dessas coisas já estava lá, esperando uma expansão do adjacente possível, a expansão das possibilidades de combinação e recombinação das moléculas. “O que o adjacente possível nos diz é que a qualquer momento o mundo é capaz de mudanças extraordinárias, mas somente certas mudanças conseguem acontecer”. E conforme mais mudanças acontecem, o limite do adjacente possível também expande, possibilitando novas mudanças, novas transformações…e assim por diante.

Steven Johnson linka esse conceito com as idéias. Segundo ele, o cérebro possuiria seu próprio adjacente possível: um conjunto de idéias que, combinadas entre si, dá origem a novas idéias que por sua vez expandem os limites e as possibilidades das recombinações.  Cada idéia nova, seja ela pensada por você ou ouvida numa conversa ou lida num website ou o que seja, expande o nosso adjacente possível e nos permite novas combinações, novos conceitos, pensamentos, idéias, etc, etc, etc. Assim, a chave pra se ter boas idéias é estar constantemente expandindo o adjacente possível.

E isso me deixou pensando: eu mantenho esse blog há sete anos justamente pra isso, pra expandir o adjacente possível. É legal postar aqui, e eu sinto que ficaria meio morto se não tivesse um lugar pra escrever e despejar minhas idéias bobas, mas o maaais legal é quando você consegue se conectar de algum jeito com outras pessoas; é descobrir que outras pessoas leêm o que você escreve e de alguma forma se importam, de alguma forma aquilo move elas a fazer alguma coisa, da mesma forma que acontece comigo quando leio algo legal, ou descubro um outro blog interessante. Por todas as pessoas maravilhosas e fodonas que esse blog me permitiu e permite ter contato, já vale mil vezes o esforço de mantê-lo. E blog não é grande, nunca teve mais do que uns 100 acessos diários, nem tenho a pretensão que ele se torne grande – pelo contrário, pequeno é mais legal, porque você acaba conhecendo todo mundo que acessa aqui…ou quase. (Anônimos sempre existirão, e eu também sou anônimo na maior parte do tempo XD ). O que quero dizer é: “Yo no tengo tantos, pero los que tengo son de oro”, nas palavras do Fito Paez, em um disco que conheci por causa do adjacente possível e da dona Chris, dona do maravilhoso “Pequenas Bobagens e Outros Passatempos”.

(Tá, e agora tá na hora de ir pra faculdade antes que a van passe e me deixe aqui XD)

30 Day Song Challenge – Dia 9

(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)

“Uma canção pra te fazer dançar”

Num dos livros do Douglas Adams, acho que o “A Vida, o Universo e Tudo Mais”, o Guia do Mochileiro das Galáxias explica como voar:

“Existe uma arte, ou melhor, um macete para se voar. O macete é aprender a se jogar no chão e errar.”

A técnica pra me fazer dançar é mais ou menos parecida: eu não posso perceber que estou dançando. É algo zen, é algo transcedental: eu deixo a música me levar, meu subconsciente se orienta pelas notas e pela batida, e a mágica acont….Hahahahahaha, tá bom, vai nessa. Mas o fato é que eu consigo até enganar, se não ficar pensando no que estou fazendo.

Na verdade minha primeira e única parceira de dança foi a Sabrina. A única mulher que já me convenceu a ir num show do Falamansa. (Na verdade acho que era aquele grupo que imitava o Falamansa, mas enfim, dá na mesma). A única mulher sem amor aos pés, que sempre inventava de dançar comigo nas festas e churrascos da faculdade. A última vez que dancei com a Sá foi ano passado, no casamento do Smurf. E foi legal, tudo estava indo bem. Dançamos por uma música e meia, demos risadas e até fizemos piada dos velhinhos dançando no salão. Até que a Sá diz pra mim:

- Nossa, Frodo, até que você tá dançando bAAAAAAAAAAAAAAAAI MEU PÉÉÉÉÉ!!

E por mais que eu tentasse entrar de novo no compasso, a mágica já havia ido embora. Hmpf.

Uma foto, pra comprovar o fato. Eu sou o da esquerda.

Uma foto, pra comprovar o fato. Eu sou o da esquerda, tá?

E eu falei, falei e falei e não escolhi uma música pra dançar. Tá, num mundo perfeito, onde eu fosse bonitão, fodão e dançasse bem pra caralho, eu dançaria “Bamboleo”. Porque se é pra dançar, tem que ser com vontade, e porque Gipsy Kings é vida, é amor, e é estiloso como só sete ciganos tocando violões podem ser.

30 Day Song Challenge – Dia 8

(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)

“Uma canção cuja letra você saiba decor”

Ha, essa é fácil.

Na verdade, eu praticamente sei a letra de todas as músicas que mais gosto. Não é um esforço voluntário: acho que todo mundo que gosta muito de música, e ouve música por uma questão de sobrevivência, acaba desenvolvendo esse hábito de decorar as letras sem perceber. E aí você eeeenche o seu cérebro de letras de música, e pensa que isso não vai te afetar de algum jeito? Ha, Rob Gordon estava certo. Mas divago.

Mas uma música eu fiz questão de decorar, e nunca mais esqueci. Eu decorei ela na terceira série – não do colegial, a terceira série do ensino primário. Eu não sabia na época que uma música podia ter mais de dez minutos – UAU! E mais legal, a música contava uma história – NOSSA! E maaais legal ainda, o fato mais legal do mundo: o vocalista falava PALAVRÕES na música, incluindo (mas não ficando só em) “FILHO DA PUTA” e “CU NA MÃO”! Nooooossa…de repente o Legião Urbana era alçado ao mais alto cânone da música ocidental, pelo menos na opinião do jovem Enrique.

(Notem que meus critérios nunca foram lá grande coisa, desde pequeno)

O fato é que eu ouvi TANTO essa música, repetidas vezes, infinitas vezes, que decorei pra sempre. Eu esqueço todos os dias de tomar remédio, de passar colírio quando vou dormir, de tirar a roupa do varal, de trocar o lençol da cama, de tudo…mas já se passam quase vinte anos, e eu ainda sei a letra de Faroeste Caboclo completa.

Da Importância De Não Ser Cool

“We play it safe, cool, composed. It may seem cool to be disconnected, but this is a surface life. It is to run away, it is to establish oneself by feigning composure and saying “Certainly not that,” rather than excitedly jumping up and down in response to the things we love. There are decidedly two ways to respond to what we come in contact with, and I choose “pro-the-things-I-love” over “anti-the-thing-I-don’t-like,” because I believe that things of consequence happen from a response of belief rather than that of disbelief.

We should go pro and abandon anti. Because believing in something? Going after it by running as hard as you can? That is not cool—it is ugly and it is awesome. It’s the best “fuck this shit” those jaded people will ever see. We will run because we have something to run towards, and damned how we appear.

We are going our own way, and we will show our conviction on our faces. We are making progress, and our feet are falling in consistent rhythm. Thump, thump, thump. The images will be made, but for now the words are falling on the page. Thud, thud, thud. The thorn is being pried out, so we can breathe freely. In through the nostrils, out the mouth. We are chasing it.

We may chase after what we love. We may say what we have always wanted to say. And so, we may relax.”

Frank Chimero é um designer gráfico americano, dos mais fodões. Eu particularmente adoro o trabalho dele, mas adoro mais ainda o blog dele – por todas as coisas geniais que ele diz, pela visão particular que ele tem do mundo. O texto ali em cima é parte do último post dele, onde ele fala sobre como é escrever um livro, do trabalho sujo e maçante e recompensador envolvido. A última parte do texto, exatamente a parte copiada ali em cima, toca num ponto que eu acho fundamental, e que sempre aparece em tudo que eu leio, em tudo que eu vejo, como um grande recado do universo pra mim: ninguém consegue nada digno de nota só batendo as pernas no rasinho. É só quem se atreve a pular de cabeça no lago profundo que consegue voltar a superfície com algo pra mostrar. É preciso se envolver, é preciso se arriscar, é preciso pular.