Metabloguismos

Terminei de ler “Where Good Ideas Come From”, do sempre fodão Steven Johnson. Eu diria que o livro é genial, mas acontece que o livro é justamente “contra” essa imagem tradicional que temos do gênio: um cara que, do nada, tem uma idéia genial e muda o mundo/revoluciona a sociedade/fica rico. Segundo Johnson as idéias geniais não nascem geniais: elas nascem como idéias soltas, simples, perdidas no emaranhado de pensamentos que são nossos cérebros de serzinhos neuróticos. O livro trata de como uma idéia solta se transforma em uma idéia revolucionária, e dos meios que tornam isso possível. De um deles, o adjacente possível, eu já falei, enquanto que os outros são discutidos nos outros capítulos do livro. É legal como Johnson consegue relacionar mil coisas que aparentemente não tem nada a ver, mas que juntas contam a história de como as boas idéias surgem: Darwin, recifes de corais, serendipicidade, livros de anotação do século XVII, a invenção do triodo e muito mais.

Um desses exemplos que achei bem legais foram os livros de anotação do século XVII, chamados de “commonplace books”. Estes cadernos viraram mania entre os antepassados dos nerds, e funcionavam maaais ou meeenos da maneira como os blogs funcionam hoje. Um commonplace book servia para anotar trechos de livros, citações, diálogos, rascunhos, pensamentos e o que mais desse na telha. A regra era “anote tudo, não perca nada!”, de modo a criar uma espécie de banco de dados pessoal, uma colcha de retalhos de pensamentos. E eu sempre gostei dessa idéia de “anotar tudo”, mas do jeito que minha cabeça funciona, eu estou mais pra “esquecer tudo”. Hmpf.

E eu aqui estou pensando com meus botões na reforma do layout desse blog que pretendo fazer em breve, e começo a pensar em como deixá-lo com uma cara de caderno de anotações. Não de um jeito estético, mas funcional: transformar o Coisas Geek em uma espécie de repositório onde eu guardo tudo que vejo/leio/ouço de interessante no mundo. Uma espécie de hub pessoal, ou melhor ainda, um armário de bagunça! Os posts continuariam, claro, porque eu não vivo sem escrever, mas além deles haveriam outras coisas: imagens, links, fotos que tiro com o celular, trechos de livros lidos no kindle…a idéia é juntar tudo isso num lugar só. O desafio é:

  • Fazer isso de forma não muito bagunçada, senão o blog vira uma zona só. Claro que é legal ver tudo numa linha do tempo só, justamente por causa da “bagunça”, mas tem que ser possível organizar tudo em um único clique. Aí entrariam as categorias do wordpress, separando cada coisa em seu lugar, e pra começar eu tenho de organizar todos os novecentos posts antigos desse blog.
  • Encontrar as melhores maneiras de postar esses conteúdos da forma mais simples/ubíqua possível. Ver um link de uma entrevista legal e mandar direto pro blog em alguns cliques. Selecionar o trecho de um texto e enviar direto pra cá. Tirar uma foto no celular e jogá-la imediatamente no blog (de preferência armazenando ela já no meu servidor). Mesma coisa com imagens. É mais um trabalho de pesquisa e testes, mas acredito que já devam existir todas essas soluções prontas na internet.

“Mas tudo isso que você quer o Tumblr já faz!”. Eu sei, cara pálida. E o tumblr é bem legal, no sentido de facilitar bastante a postagem/repostagem de conteúdo. Mas ao mesmo tempo….tumblr não tem cara de blog. Tumblr pra mim parece efêmero feito twitter, onde as coisas se perdem muito rapidamente no oceano de informação, onde os contatos são muito frágeis e breves. Como eu já disse no post sobre o adjacente possível, boa parte da graça de ter um blog é ver pessoas incríveis pipocarem na sua vida por causa das bobeiras que você escreve na internet – e isso de certa forma se perde ao usar o tumblr. (Claro, essa é a minha opinião, e eu sei que provavelmente estou sendo preconceituoso e chato. Mas o fato é que eu prefiro o WordPress, e sei que vai dar mais trabalho de fazer o que pretendo nele mas mesmo assim eu confio nele.)

Espada, Capa, Toureiro e Touro

E nem tudo pode dar certo. E tem sempre aqueles momentos no dia que são feitos pra te lembrar. De tudo que você não é. De todos os seus defeitos, de tudo que ainda não está no teu alcance, de tudo que ainda te machuca.

E tem sempre aqueles momentos, aos 49 do segundo tempo, pra te mostrar que nem tudo está perdido. Que céu e inferno são solo una cuéstion de atitud, e que são os desvios que levam a gente pro caminho correto, e que tem tanto mais, tanto mais pra se ver que não vale a pena escolher o inferno.

Prossigamos, então =).