Another One Rides The Bus
segunda-feira, julho 25th, 2011Foda que Sumpaulo é um lugar abarrotado de gente, gente de todos os cantos, gente de todos os lugares, gente até de Araçatuba! E é por isso que nunca nenhum ônibus pra Araçatuba jamais tem um lugar vazio. Sabe aquela simples alegria misantropa de descobrir que não vai viajar nenhum filho da puta do seu lado? Sabe aquele alívio de poder ocupar duas cadeiras, de poder deitar meidelado na cadeira, esticar os pés e simplesmente curtir a viagem? Esquece essa merda: sempre sempre sempre tem um filho da puta na cadeira do lado. E me desculpem essa terminologia, mas automaticamente qualquer desconhecido que se sente do meu lado no ônibus é um inimigo em potencial, declarado culpado até que se prove o contrário de tentar roubar o MEU precioso espaço no busão. E espaço vale ouro num busão lotado, veja você.
Sempre tem alguém na cadeira do lado, e o que me deixa puto é que nunca é ninguém “normal”. Uma das últimas vezes que viajei a Reunidas me presenteou com um companheiro supimpa de viagem: um velho safado que ficava telefonando toda santa hora pra namorada dele em Três Lagoas. Sabe aquele papo bobo de namorados? Sabe aquela idiotice de querer saber o que você vai fazer agora, e o que vai comer, e tá com saudade paxããão? E o velho lá atazanando a namoradinha, a namoradinha lá aturando ele, e eu lá amaldiçoando todo o conceito de telefonia celular. Alegria, alegria!
E o dia em que uma mulher com criança de colo veio sentada do meu lado? Sabe quando você olha pra uma pessoa e você vê seu futuro se desenhando na sua frente? Eu vi aquele bebê vomitando em mim, eu vi aquele bebê fazendo cocô e a mulher trocando as fraldas EM CIMA DE MIM, eu vi o inferno! Por sorte o moleque era SUPER comportado, e não chegou nem a chorar durante a viagem. Talvez fosse uma boneca, mas eu não parei pra olhar. Enfim, nem tudo é dor e sofrimento.
E ontem o cara que veio do meu lado cheirava mofo e cigarro. São Paulo faz isso com as pessoas, coitado. Mas mó estranho, de qualquer jeito.
