Posts de julho, 2011

Another One Rides The Bus

segunda-feira, julho 25th, 2011

Foda que Sumpaulo é um lugar abarrotado de gente, gente de todos os cantos, gente de todos os lugares, gente até de Araçatuba! E é por isso que nunca nenhum ônibus pra Araçatuba jamais tem um lugar vazio. Sabe aquela simples alegria misantropa de descobrir que não vai viajar nenhum filho da puta do seu lado? Sabe aquele alívio de poder ocupar duas cadeiras, de poder deitar meidelado na cadeira, esticar os pés e simplesmente curtir a viagem? Esquece essa merda: sempre sempre sempre tem um filho da puta na cadeira do lado. E me desculpem essa terminologia, mas automaticamente qualquer desconhecido que se sente do meu lado no ônibus é um inimigo em potencial, declarado culpado até que se prove o contrário de tentar roubar o MEU precioso espaço no busão. E espaço vale ouro num busão lotado, veja você.

Sempre tem alguém na cadeira do lado, e o que me deixa puto é que nunca é ninguém “normal”. Uma das últimas vezes que viajei a Reunidas me presenteou com um companheiro supimpa de viagem: um velho safado que ficava telefonando toda santa hora pra namorada dele em Três Lagoas. Sabe aquele papo bobo de namorados? Sabe aquela idiotice de querer saber o que você vai fazer agora, e o que vai comer, e tá com saudade paxããão? E o velho lá atazanando a namoradinha, a namoradinha lá aturando ele, e eu lá amaldiçoando todo o conceito de telefonia celular. Alegria, alegria!

E o dia em que uma mulher com criança de colo veio sentada do meu lado? Sabe quando você olha pra uma pessoa e você vê seu futuro se desenhando na sua frente? Eu vi aquele bebê vomitando em mim, eu vi aquele bebê fazendo cocô e a mulher trocando as fraldas EM CIMA DE MIM, eu vi o inferno! Por sorte o moleque era SUPER comportado, e não chegou nem a chorar durante a viagem. Talvez fosse uma boneca, mas eu não parei pra olhar. Enfim, nem tudo é dor e sofrimento.

E ontem o cara que veio do meu lado cheirava mofo e cigarro. São Paulo faz isso com as pessoas, coitado. Mas mó estranho, de qualquer jeito.

Springsteenlogismos, parte 1

sábado, julho 23rd, 2011

A Pilha Interminável de Música!

terça-feira, julho 19th, 2011

No meu HD chamado “Hellboy” eu tenho uma pastinha chamada “Audioteca de Babel”, onde eu guardo todas as minhas músicas. A separação fica por conta de gênero musical: dentro da pasta tem outras subpastas, chamadas “Alternativo”, “Grunge”, “Indie”, “Metal”, “Nacional”, etc…e aí, dentro de cada subpasta, outras subpastas nomeadas pelo nome das bandas, com subpastas nomeadas pelo nome dos discos, e aí as músicas em si. Até aí tudo bem, acho que bastante gente deve fazer isso.

Né? NÉ? Não?? Oh shit…mas continuando: a pasta “Audioteca de Babel” tem 147 gigas até o presente momento. São aproximadamente 31.586 músicas distribuídos em 2.221 pastas e subpastas e o cacete a quatro, segundo o Info do Windows. É música pra CARALHO, certo?

Vamos nos focar numa única subpasta. Por exemplo, a pasta “Alternativo”, onde eu agrupo bandas como Blues Traveler, Foo Fighters, Supergrass, Faith No More, Colin Hay e etc e tal. Essa pasta tem, sozinha, 25 gigas. Isso é dez vezes maior do que o tamanho do HD do meu primeiro computador. São 5 mil músicas, resultando em algo em torno de 400 horas de reprodução. Hoje eu fiz a experiência: botei pra tocar a pasta inteira no winamp, deixei por conta do São Shuffle e fui fazendo as coisas do dia a dia. E olha só, fazia SÉCULOS que eu não ouvia tanta música DIFERENTE, NOVA, INTERESSANTE, DIVERTIDA! Porque na maior parte do tempo eu fico reouvindo as mesmas bandas e discos até a exaustão – Pearl Jam, Bruce Springsteen, Fito Paez, sempre os mesmos suspeitos. E aí eu tenho essa PILHA GIGANTESCA de músicas no meu HD, que eu mal sei o que esconde! É tanta banda que eu baixei a discografia inteira por causa de um álbum ou uma música, e que depois acabei esquecendo…Acumulando, acumulando, acumulando, sem nem saber direito porque está acumulando!

Outro dia eu li em algum lugar que atualmente você gasta mais tempo filtrando conteúdo que propriamente absorvendo – as opções são tantas que você perde mais tempo escolhendo do que lendo, assistindo, escutando. Acho que o fato de eu simplesmente não conseguir lembrar onde foi que eu li isso, e nem se foi no twitter, no facebook ou em qualquer lugar, é prova de que realmente é verdade. A informação hoje vem de todos os lugares, que você fica sem saber de onde ela está vindo. E como a gente lida com isso? Uma das alternativas é ir juntando pra “ler” depois, e assim começa a acumulação. Eu tenho milhares de links no delicious que eu sei que nunca vou ler. Tenho centenas de artigos no GReader que tenho certeza que não vou dar conta de bater o olho. Tenho centenas de livros no Kindle que jamais vou conseguir ler. E tenho essa pilha infindável de músicas no HD, que tá sempre crescendo e crescendo e crescendo…

Isso é bom ou ruim? É ruim, na medida que você pensa em todas as oportunidades perdidas, em todos os artigos geniais esquecidos debaixo do tapete e todas as músicas que mudariam sua vida mas que ficaram escondidas dentro de uma pastinha dentro de uma pastinha dentro de uma pastinha. Mas é bom, na medida em que você pensa que pelo menos tem acesso a esse universo de informação. Porra, o Enrique de 15 anos, que esperava ansiosamente cada aniversário pra poder comprar 3 cds e que gravava fitas k7 da rádio pra poder ouvir no walkman, jamaaais me deixará me desfazer dessa pilha de música. É o tesouro dele, entendam!

Fica a questão de como acessar toda essa informação. Dá pra ler tudo, ouvir tudo, ver tudo? Nem fodendo. E ficar filtrando e filtrando também não dá, enche o saco. Sinceramente, eu não sei. Meu GReader continua acumulando artigos, meu delicious continua um saco sem fundo de páginas geniais que nunca serão vistas. Mas pelo menos agora eu aprendi a usar o São Shuffle para descobrir tesouros escondidos dentro da minha pilha de música!

(O Nick Cave tava escondido nessa pilha, veja só!)

Retomar a Internet

segunda-feira, julho 18th, 2011

E aí um dia o Youtube resolveu passar propagandas antes de cada vídeo. Já não bastavam os filtros de vídeo por país, já não bastava as gravadoras metendo o bedelho em qual vídeo/música podia ou não ser veiculado. Nããããão, agora você tem que assistir 30 segundos de propagandas antes de assistir o seu vídeo! Vem cá, alguém assiste aqueles vídeos? Tem alguns que somos obrigados a ver, mas quando aparece o botãozinho de “Pule esta merda em 3 segundos” aposto que não tem uma criatura que não pule o comercial.

E eu fico realmente encanado com isso. Cada vez mais as coisas tortas do “mundo real” vão invadindo o “mundo internético”. Quem diabos quer assistir propaganda antes de um vídeo no Youtube? Já não existe publicidade o bastante no mundo? Quem diabos é que me força a assistir uma propaganda antes do vídeo no Youtube? O pior é isso – eu não quero assistir, mas me forçam a assistir, uma barreira antes de assistir meu vídeozinho! Ora, a internet é baseada em conteúdo instantâneo – eu vou e pego exatamente o que quero, e não o que me forçam goela abaixo. Nada de ficar esperando os comerciais, nada de comprar uma revista que é 70% composta de anúncios, nada de aturar 10 minutos de propagandas ANTES de começarem os trailers. No mundo real a gente atura essas coisas, mas na internet? A internet é diferente! É outra linguagem, outro jeito de consumir informação, outra relação…na minha opinião, pelo menos.

A impressão que fica é que estamos perdendo o controle da internet. Que cada vez mais e mais as Corporações invisíveis e onipresentes vão estender seus tentáculos sebosos e tentar estragar nosso mundinho cibernético feliz a troco de uns trocados a mais. Que a propaganda no Youtube pode até ser um exemplo razoavelmente banal e fútil, mas que esconde consequências preocupantes – e se o conteúdo deixar de ser livre? Quem escolhe o que eu vejo e o que deixo de ver na internet? Quem é que manda nos intertubos? Não costumávamos sermos nós, os usuários? O que mudou? E o que devemos fazer pra voltar ao controle?

Esse vídeo fala um pouco disso, e levanta a lebre com muito mais propriedade. É fresquinho do Ted, saiu tipo ONTEM e ainda não tem legenda em português – mas é MUITO bom. Vejaí:

Téc Téc Téc

sexta-feira, julho 15th, 2011

Téc téc téc. Vontade de escrever, e eu não sei o que. Esse post não terá pé nem cabeça, não terá eira nem beira, nem nada parecido. O que é que é parecido com eira nem beira? Eu queria falar do meu caramujismo reincidente e recalcitrante, dos meus ataques de sumiço universal e dos meus reaparecimentos, da minha frescurite aguda. Mas eu não queria falar disso, das minhas estranhices, das minhas mil duzentas e quatorze e meia neuroses pessoais, inventadas, adquiridas, herdadas e achadas na rua. Sei lá, parece que tudo que eu escrevo circula em volta (orbita, orbita) em volta desses mesmos assuntos, pra sempre e pra sempre. Então não, não vou tratar do caramujismo, mas já estou falando dele e das minhas neuroses, então…então. Cara, cadê minha voz? Téc téc téc. Difícil sentar e se concentrar, com tanta coisa acontecendo. Questão de se acostumar, questão de se aclimatar com a mudança e ir arrumando a bagunça. Leva tempo, mas tudo se põe no lugar. Assim espero. Téc téc téc. Mudanças que levam mais tempo do que a gente espera, mudanças que acontecem quando a gente não espera, mudanças que dão a entender que chegaram pra arrasar e no final dão pra trás. E essa sensação que eu desperdiço minhas melhores fichas, hein? Téc téc téc. E todas as portas que eu fecho sem perceber que fecho, Deus meu, e todas as vezes que escolho ficar quieto quando podia arriscar abrir a boca. Mas não vou falar do caramujismo, deixa os caramujos quietos em seus jardins, todos os caramujos do mundo em todos os jardins do mundo não vão sair tão facilmente assim da concha. Mas todo mundo acaba saindo da concha, mais dia, menos dia. E eu já não sei mais colocar vírgulas minha, Nossa Senhora. Téc téc téc. Só sei que tudo continua estranho, não de um jeito ruim, mas não exatamente bom, de um jeito assim assim. Wishy-washy, Charlie Brown. E eu já sei que nada jamais vai ser do jeito que eu queria, e sei que tudo vai sempre estar dois milímetros e dois segundos de onde deveria estar, mas é da nossa natureza, seja lá qual nossa natureza for, ficar botando a culpa dos nossos defeitos na natureza. Téc téc téc. Acho que tudo isso é pra dizer tudo é estranho, de um jeito bom e de um jeito mais ou menos, tipo agridoce, e que é assim que funciona. E que meu nome é Enrique e eu continuo procurando minha voz. Recompensa-se quem me ajudar a encontrar.