Posts de outubro, 2011

Dos Monociclos

sexta-feira, outubro 28th, 2011

E aconteceu de eu quase ser atropelado por um monociclo.

Sabe monociclo? Aquela bicicleta de uma roda só, obrigatoriamente utilizada por palhaços e malabaristas do mundo inteiro, que geralmente a gente vê em desenhos animados mas nunca ao vivo?

Então. Eu vi um monociclo ao vivo, e ele quase me atropelou!

Minha primeira reação foi de “putamerdaqueporraéessa?!”. O cara passou riscando do meu lado, e eu demorei alguns segundos pra sacar que não era um sujeito de bicicleta, e sim um monociclista. Aí eu disparei num silencioso discurso mental contra a falta de responsabilidade do sujeito, que merda de idéia de andar de monociclo numa rua movimentada feito a Teodoro Sampaio, no meio da calçada, desviando de todos os pedestres e camelôs e cachorros e tudo mais que tem na rua, ainda mais porque deve ser difícil se equilibrar em um monociclo…

E então caiu a ficha que eu nunca tinha visto um monociclo na vida. E então caiu a ficha que, porra, o cara tava andando de monociclo! Em plena rua! E será que eu precisava ser tão ranzinza e tão chato a ponto de ficar reclamando feito uma tia velha só porque o cara estava andando de monociclo na calçada? Credo, eu não era tão velho assim! Que foi que houve? Que merda!

E aí eu continuei andando, calado, olhando o monociclista sumir lá na frente, desviando das pessoas e pedalando seu monociclo como se sua vida dependesse disso. E fiquei feliz por visto um monociclo, e mais legal, por ter quase sido atropelado por um monociclo! E se tivesse atropelado? “Tá vendo essa cicatriz? Foi de monociclo!”. Teria história pra contar, teria um grãozinho de conteúdo a mais, ou ao menos um post no blog na pior das hipóteses.

Certo é o monociclista, monocicletando enquando o mundo gira e as pessoas nem prestam atenção. Monopedalar é preciso, viver não é preciso, já dizia um poeta desses aí.

Contra os Fones Gigantes

quarta-feira, outubro 26th, 2011

Você aí, usando fones de ouvido enormes, gigantescos, extraordinariamente grandes em plena rua, em pleno metrô, em plenos locais públicos. Enfim, você…

Você…

TÁ ME ESCUTANDO? É CLARO QUE NÃO, COM ESSE TRECO GIGANTE ENTRE AS ORELHAS!

É bonitinha, mas é SURDA!

Eu entendo a onda retrô, de verdade. Olha só, meu facebook tá cheio de fotos do instagram, e confesso que acho MUITO LEGAIS os efeitinhos de foto velha zoada. Acho que 90% dos meus trabalhos de faculdade envolvem textura de papel velho/rasgado/zoado – eu sei, é meu vício. E as músicas que eu ouço não são em nada novas…

MAS TUDO TEM LIMITE, PORRA!

Veja você, veja só: os fones de ouvido no passado eram gigantes. Cobriam a orelha toda, faziam pressão na cabeça, eram pesados, incômodos, desajeitados, etc. Não eram muito PORTÁTEIS, mas a gente fazia um esforço pra ouvir música na rua e tudo bem. Aí um belo dia apareceu um japonês na parada.

Sempre aparece um japonês na parada, veja só.

Representação artística de nosso herói nipônico

E nosso heróico japonês, cujo nome se perdeu nas areias do tempo, fez uma jura de sangue aos pés de uma cerejeira em uma noite de lua crescente quando o vento estava ventando na diagonal, que ele miniaturizaria os fones de ouvido. E nosso herói passou anos em seu laboratório no alto da montanha, estudando as propriedades intrínsecas dos circuitos eletrônicos, conhecendo todos os segredos da acústica e da manipulação sonora, desvendando o mundo misterioso dos semicondutores e suas possibilidades. Anos de treinamento constante, de concentração absoluta, de dedicação ímpar…até que um dia, nosso herói levantou-se do tatame, aproximou-se de sua bancada e, com três movimentos de mão e uma pequena solda, o fone de ouvido estilo earbud havia sido criado. Feito isso, nosso honorável herói levanta-se, sai do laboratório aonde havia passado tantos anos, senta-se debaixo da cerejeira aonde havia feito o juramento e murmura: “Minha missão está cumprida. O mundo agora é um lugar melhor”. E morreu pacificamente, sob a luz da lua minguante.

Foi uma revolução. As pessoas não precisavam mais andar cabisbaixas pelas ruas, oprimidas pelo peso de seus headphones enormes. Agora era possível encarar a vida de cabeça erguida, com fones minúsculos enfiados diretamente no canal auditivo! Ah, desconhecido herói nipônico, o mundo se curva diante de seu honorável sacrifício!

…Até que um dia um filho da puta decide que fones grandões “vintage” são legais e estão na moda!

Termino este post em silêncio, em consideração ao sacrifício de nosso herói nipônico miniaturizador e em protesto contra as pessoas que usam fones de ouvido gigantes. Bando de pau no cu do caralho. Hmpf.

Mobília Interna

quarta-feira, outubro 26th, 2011

“…the thing that moved the furniture in my head” disse o Neil Gaiman, falando sobre um episódio de Doctor Who que mexeu com ele. O que foi que mexeu com a mobília dentro da minha cabeça? Hmmm…

Tanta coisa! Talvez tenha sido o primeiro filme de Indiana Jones alugado na locadora, talvez tenha sido o videogame clone-do-atari que ganhei num Natal, talvez tenha sido ter que usar óculos quando era molequinho. Talvez tenha sido os desenhos do ThunderCats, talvez tenha sido brincar de Comandos Em Ação jogando os cobertores por cima do sofá pra fingir que eram montanhas, talvez tenha sido minha timidez e falta de jeito que me fez ficar em silêncio até o fim do colegial. Talvez tenha sido Chrono Trigger, talvez tenha sido Pescador de Ilusões, talvez tenham sido todos os gibis, talvez tenha sido a vontade de desenhar e a necessidade de escrever, talvez tenha sido a picada de aranha que quase me matou quando eu tinha um ano. Talvez tenha sido ir pra Ilha Solteira e conhecido todas aquelas pessoas maravilhosas naquela cidade que era meu playground particular, talvez tenha sido Salvador e seu ambiente meio místico meio bagunçado meio divertido, talvez tenha sido São Paulo e toda a correria que a acompanha pra cima e pra baixo, talvez tenha sido sempre e pra sempre Araçatuba e o faroeste na alma. Talvez tenham sido todas as garotas, talvez tenham sido todas as paixões platônicas, talvez tenham sido todos os sorrisos secretos e todos os momentos de revelação e descoberta, talvez tenha sido todos os livros que eu li.

Talvez sejam todas as coisas que eu quero fazer, todas as coisas que eu quero aprender, tudo aquilo que me move through this wonderland of mine, procurando sabe-se lá o que, que me faz sempre querer revirar a mobília, me faz sempre dizer que tudo é novo de novo, me faz sempre acreditar que tudo vai dar sempre certo, mesmo que dê tudo errado. E ultimamente tudo tem dado certo, de um jeito torto e corrido e confuso, mas sempre certo, de um jeito que me faz querer continuar sempre lutando e querendo mais e mais e mais. A voz aqui dentro diz bem alto “Vai e constrói alguma coisa, faça alguma coisa que valha a pena”. E eu só posso obedecer, sem saber direito ainda como, mas crente de que vai dar certo. Porque é assim que as coisas são, e ponto.

Oi, quanto tempo, tudo bem com vocês? =)