Posts de novembro, 2011

All These Changes Taking Place

segunda-feira, novembro 28th, 2011

Dessas coisas que fazem parte de você. Desses sons que encarnam em ti, que entram na sua alma e de lá nunca mais saem, desses acordes e dessas palavras que te cortam, deixando a cicatriz pra sempre marcando algo que nunca mais vai ser igual.

Memories like fingerprints are slowly raising. Of me, you wouldn’t recall for I’m not my former…it’s hard when you’re stuck upon the shelf.

A ficha caiu só agora. Três semanas depois, e foi preciso um documentário e um fim de semana pra fichar cair. Porra, eu fui no show do Pearl Jam! Eu ouvi “Elderly Woman” ao vivo. Eu gastei minhas cordas vocais berrando o mais alto que eu podia todas as letras que eu conhecia – e eu só não conhecia a letra de “Olé”, veja só. Eu ouvi “Just Breathe” ao vivo. Eu ouvi os caras tocando lá em baixo, mas tão alto que parecia aqui do lado, aqui dentro. Eu ouvi “Severed Hand” ao vivo, e eles QUASE abriram com “Severed Hand” então pra mim foi, porque “Severed Hand” é minha música preferida. (Tá ali, pau a pau com “No Way” e “Amongst The Waves”). E eles tocaram Amongst The Waves!!! E “Not For You”!! E “Wishlist”…aaaaah, wishlist! E porra, porra, PORRA, tocaram “Inside Job”! Dessas músicas que você nunca espera que toquem ao vivo, porque é longa, porque a letra é pessoal, porque…ah, foda-se, TOCARAM AO VIVO e eu tava lá berrando feito um condenado! E o melhor de tudo, com a dona Catarina ao meu lado, também berrando feito uma condenada (sem falar nos gritinhos de AAAAAAIN, A LOCA), me acompanhando na fãzice desavergonhada. Foi foda. Foi perfeito. Foi demais. Foi louco bagarai. Sei lá, tô me repetindo.

I just wanna scream helloooooooo! My god, it’s been too long, never dreamed you’d return…

Mas lá estávamos nós, e lá estavam eles. Estranho isso. Eu estava lá! E não parece ser nada…mas ao mesmo tempo é tudo. Porque uma banda pode ser tão importante na vida da gente? Porque essas músicas tem tanto poder na gente? É simples: são pedaços de nós, que a gente encontra por aí escondidos entre um acorde e outro, entre uma frase e outra, que são só nossos mesmo que sejam de todo mundo. A gente é assim, colcha de retalhos, livro de recortes que a gente vai completando aos poucos e acho que nunca termina de verdade. Mas cada pedaço que encontramos é um achado e um tesouro e uma jóia, e eu devo a esses cinco caras um monte de tesouros. E a ficha caiu…porque no meio da correria a gente esquece das coisas importantes, e de repente Pearl Jam passa a ser só mais uma banda, e a gente ouve música só pra servir de trilha sonora entre uma viagem e outra, entre um trabalho e outro, e isso é ridículo. Ridículo porque essas coisas tem que ter seu peso, tem que ter seu valor, e não podemos esquecer disso. É preciso que algo seja sagrado, que algo seja maior do que a própria vida, pra servir de centro pra todo o resto. E eu não sei se ainda estou fazendo sentindo, então é melhor parar por aqui.

Deixo vocês com a música mais linda do universo, num vídeo horrível mas que captura parte do que foi estar lá:

Minha Voz

quinta-feira, novembro 24th, 2011

Acho que eu nunca falei tão bem em público na minha vida. As palavras sempre fogem de mim, a memória desaparece, a desenvoltura nunca existiu de qualquer forma, e o melhor que eu consigo fazer é terminar bem rápido pra fazer a dor parar.

Mas não hoje. Hoje eu tomei a palavra e falei tudo que eu precisava falar, na frente de um monte de quase-desconhecidos, com a cara e a coragem que eu nem sabia que tinha. Contei minha história e a história dos meus colegas, expliquei sobre o que fazemos, nossos problemas e falhas, e minha visão daquilo que falta para melhorarmos. Minha visão de que precisamos melhorar, e precisamos aprender, e precisamos nos focar.E eu consegui falar tudo o que queria. E foi tão libertador, e foi tão…simples, e certo, como tudo que é pra ser é. E as pessoas gostaram, pelo menos eu acho que gostaram, pelo menos elas todas aplaudiram e ficaram surpresas e me parabenizaram. Descobriram que eu tinha uma voz. Eu descobri que tenho uma voz. Ora só.

Não sei se consegui atingir o alvo. Na verdade, sei que não. Tarde demais, e certas coisas a gente não consegue mudar só com palavras bonitas e demonstrações de força de vontade. É a teoria da chuva, que a Eluza me contou no primeiro dia em que conversamos e que eu encontro aplicação para tudo na minha vida. Você pode chamar o quanto quiser as pessoas para debaixo do seu guarda-chuva, mas elas só virão se estiverem dispostas a ouvir. O que não nos impede te tentar gritar, e gritar mais alto, pelo menos até cansar. Enfim, paciência, paciência. Queria que a Veronica tivesse me ouvido, que o Lucas tivesse me ouvido, que a Polise estivesse lá, que todo mundo estivesse lá…na verdade eu ficaria com vergonha e não falaria, acho eu. Mas senti orgulho de mim mesmo hoje, do que eu consegui fazer, de defender a minha posição e declarar minha intenção, e queria que essas pessoas importantes estivessem lá. “Hey, olha só, eu tenho potencial, olha pra mim!”. Bobeira, mas né.

Enfim, eu fiz o que queria fazer. E me surpreendi comigo mesmo. E deveria fazer isso mais vezes. E fiquei frustrado porque sei que o alvo principal do “discurso” não deu valor ao que eu disse. E fiquei feliz porque pessoas que eu nem imaginava que iam um dia me ouvir, ouviram. E assim é a vida, essa sucessão de erros e acertos, de vitórias que parecem derrotas e derrotas que parecem vitórias, e esse gosto agridoce que jamais vai sair da boca. Tudo bem, tudo bem, prossigamos, para sempre nesse ir e vir do caralho, toda vida até que a vida se cumpra.

Mas que eu falei bem pra caralho, isso eu falei.

Até que a chama se acenda

terça-feira, novembro 22nd, 2011

O segredo é não olhar pra baixo.

O segredo é um passo depois do outro.

O segredo é seguir a música e obedecer a batida.

O segredo é não procurar por segredos.

( Hoje eu acordei/ Agora eu sei/ Viver no escuro / Até que a chama se acenda )

Float On Okay

sexta-feira, novembro 18th, 2011

Tem a questão do peso.

Quanto mais pesadas as coisas, mais complicadas. Quanto mais pesado, mais gravidade, e quanto mais gravidade, mais difícil de manejar as situações, maior é o esforço necessário, e tanto maior o desgaste.

Quando as coisas são leves, elas flutuam – e tudo acontece naturalmente, e tudo parece mais simples, e tudo parece dar certo, e mesmo que dê errado, tá tudo bem, tudo vai se consertar e tudo vai ficar legal.

Porque vai mesmo, não importa o peso das coisas.

Engraçado eu pensar nisso agora, porque estou num desses raros momentos (dias, semana) de conseguir manter a leveza das coisas. É estranho como a gente consegue essa leveza, esse controle – perde de um lado, ganha de outro, solta de um lado, prende de outro, equilibrando sem perceber que está equilibrando, escolhendo sem perceber que está escolhendo.

Quando as coisas estão pesadas, eu não consigo enxergar. Preso em meus problemas, não consigo enxergar nada do lado de fora, e acabo me enroscando mais ainda. Mas quando tudo flutua, é tão mais fácil ver. Enxergar, perceber, entender, compreender, aceitar, relativizar, mudar, agir.

E eu queria que esse sentimento durasse pra sempre, e pra sempre eu entendesse que o mundo pode ser mais simples se eu deixar, e que tudo que eu não tenho, eu não preciso agora. Mas, tipo aquela música do Pearl Jam, eu sei que de um momento pra outro esse meu eu calmo e sereno vai embora, off he goes e lá vou eu estar de novo as voltas com minhas neuras e quimeras. E tudo bem, assim mesmo.

And All It’s Craziness

segunda-feira, novembro 14th, 2011

Tava tocando “I Don’t Even Know Myself”, do The Who. Não conhece? Então, São Youtube que te salve, ó herege:

Mas então, tava tocando “I Don’t Even Know Myself”.

“Eu adoro essa música, mas ela não tem nada a ver comigo!”

Hein?

“Porque eu me conheço perfeitamente, e a música fala sobre não se conhecer…”

A frase dita com toda a certeza que só quem tem menos de 20 anos consegue ter ficou ecoando na minha cabeça. Não respondi nada, porque só quem tem quase 30 anos sabe que é inútil querer discutir com quem tem quase 20. Mas por dentro eu pensei com meus botões, nunca quero achar que me conheço por completo. Ou pior ainda, me conhecer por completo de verdade.

Eita.

Porque deve ser chato. Porque deve dar medo. Porque deve ser estranho, se conhecer totalmente. Porque tem sempre que ter um cantinho escuro, um lugar desconhecido, uma área fora dos mapas. E os lugares antigos precisam ser reconstruídos, redecorados, virados do avesso e remexidos. Porque tudo é mudança, e nada é estático, e cada sinapse é uma chance de mudar tudo. Porque é só quando a gente se depara com esses lugares desconhecidos, essas florestas negras da alma, que a gente descobre que consegue ser muito mais do que já é. Que a gente descobre que não sabe nada sobre si mesmo, e é isso que faz a coisa toda funcionar.

Deus me livre das certezas e das verdades absolutas. Tenho medo de quem anda por aí com verdades absolutas. E, olha só, olha só, ultimamente eu não posso ouvir alguém dizer uma verdade absoluta pra que eu me sinta impelido a responder com uma dúvida absoluta. Talvez seja chatice, talvez seja ranhetice mesmo, mas eu gosto do campo das possibilidades em aberto, daquilo que pode ser de algum jeito por causa de alguma coisa, das chances mesmo que remotas que algo tem pra dar certo. Porque no fim das contas eu sou desses negos bestas que acham que tudo vai dar certo no final, e assim tem sido desde sempre, e nunca vou mudar. Não me pede pra não ter esperança, e não me pede pra não tentar de novo – se tiver uma chance, se valer a pena, porque diabos não?

E a música acabou de tocar e eu não respondi nada, porque além de muito cheio de esperança eu também sou muito cheio de guardar pra mim o que eu penso. Não que ela fosse entender, porque a gente só entende o que quer entender – eu sou assim, você é assim, todos somos assim. Mas sempre tem uma esperança ou duas de que a gente consegue mostrar pra outra pessoa que sim, o mundo é mais caótico do que você imagina.

E é por isso que ele é tão legal.

“I love the whole world, and all it’s messed up folks”