E aí hoje eu estava aqui ouvindo Engenheiros do Hawaii (eu sei, eu sei) e tive uma epifania. Uma revelação. Uma ficha que demorou anos e anos para cair.
Quando o Humberto Gessinger diz “Prenda minha parabólica” ele não quer dizer “Prenda a minha parabólica”, com o verbo prender e o substantivo antena parabólica. Tipo, “Filha, instale a minha antena parabólica, mesmo você sendo uma bebezinha”.
Não! Ele quer dizer “Prenda minha parabólica”. “Prenda minha”, de “minha prenda”, “minha querida”, etc e tal! Meu mundo mudou! Durante anos esta hábil construção gramatical passou desapercebida pelos meus ouvidos. Me sinto mais inteligente, mais esperto, mais capaz.
*Lágrimas másculas de orgulho próprio*
O resto da letra continua indecifrável como sempre, claro. E NOTEM QUE o Gessinger estava a cara do Belchior nesse show. Medo medo medo…
Engenheiros tem essa coisa meio esfinge nas letras. Eu curto, sometimes.
É engraçada essa coisa de redescobrir uma música depois de anos e anos ouvindo, e pensando ser algo totalmente diferente. E olha que acontece com bastante frequência comigo. Acho que é porque gosto de músicas que possuem esses “jogos de palavras”, que dizem algo de maneira diferente, onde a moral da estória não está ali na superfície, sólida e inalterável, mas nos faz ir além, nos faz pensar e participar do processo criativo junto ao compositor.
Agora vou procurar meu CD dos Engenheiros que deve estar em algum canto escondido por aqui.