Você aí, usando fones de ouvido enormes, gigantescos, extraordinariamente grandes em plena rua, em pleno metrô, em plenos locais públicos. Enfim, você…
Você…
TÁ ME ESCUTANDO? É CLARO QUE NÃO, COM ESSE TRECO GIGANTE ENTRE AS ORELHAS!

É bonitinha, mas é SURDA!
Eu entendo a onda retrô, de verdade. Olha só, meu facebook tá cheio de fotos do instagram, e confesso que acho MUITO LEGAIS os efeitinhos de foto velha zoada. Acho que 90% dos meus trabalhos de faculdade envolvem textura de papel velho/rasgado/zoado – eu sei, é meu vício. E as músicas que eu ouço não são em nada novas…
MAS TUDO TEM LIMITE, PORRA!
Veja você, veja só: os fones de ouvido no passado eram gigantes. Cobriam a orelha toda, faziam pressão na cabeça, eram pesados, incômodos, desajeitados, etc. Não eram muito PORTÁTEIS, mas a gente fazia um esforço pra ouvir música na rua e tudo bem. Aí um belo dia apareceu um japonês na parada.
Sempre aparece um japonês na parada, veja só.

Representação artística de nosso herói nipônico
E nosso heróico japonês, cujo nome se perdeu nas areias do tempo, fez uma jura de sangue aos pés de uma cerejeira em uma noite de lua crescente quando o vento estava ventando na diagonal, que ele miniaturizaria os fones de ouvido. E nosso herói passou anos em seu laboratório no alto da montanha, estudando as propriedades intrínsecas dos circuitos eletrônicos, conhecendo todos os segredos da acústica e da manipulação sonora, desvendando o mundo misterioso dos semicondutores e suas possibilidades. Anos de treinamento constante, de concentração absoluta, de dedicação ímpar…até que um dia, nosso herói levantou-se do tatame, aproximou-se de sua bancada e, com três movimentos de mão e uma pequena solda, o fone de ouvido estilo earbud havia sido criado. Feito isso, nosso honorável herói levanta-se, sai do laboratório aonde havia passado tantos anos, senta-se debaixo da cerejeira aonde havia feito o juramento e murmura: “Minha missão está cumprida. O mundo agora é um lugar melhor”. E morreu pacificamente, sob a luz da lua minguante.
Foi uma revolução. As pessoas não precisavam mais andar cabisbaixas pelas ruas, oprimidas pelo peso de seus headphones enormes. Agora era possível encarar a vida de cabeça erguida, com fones minúsculos enfiados diretamente no canal auditivo! Ah, desconhecido herói nipônico, o mundo se curva diante de seu honorável sacrifício!
…Até que um dia um filho da puta decide que fones grandões “vintage” são legais e estão na moda!
Termino este post em silêncio, em consideração ao sacrifício de nosso herói nipônico miniaturizador e em protesto contra as pessoas que usam fones de ouvido gigantes. Bando de pau no cu do caralho. Hmpf.