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Prenda Minha Epifania

sexta-feira, janeiro 6th, 2012

E aí hoje eu estava aqui ouvindo Engenheiros do Hawaii (eu sei, eu sei) e tive uma epifania. Uma revelação. Uma ficha que demorou anos e anos para cair.

Quando o Humberto Gessinger diz “Prenda minha parabólica” ele não quer dizer “Prenda a minha parabólica”, com o verbo prender e o substantivo antena parabólica. Tipo, “Filha, instale a minha antena parabólica, mesmo você sendo uma bebezinha”.

Não! Ele quer dizer “Prenda minha parabólica”. “Prenda minha”, de “minha prenda”, “minha querida”, etc e tal! Meu mundo mudou! Durante anos esta hábil construção gramatical passou desapercebida pelos meus ouvidos. Me sinto mais inteligente, mais esperto, mais capaz.

*Lágrimas másculas de orgulho próprio*

O resto da letra continua indecifrável como sempre, claro. E NOTEM QUE o Gessinger estava a cara do Belchior nesse show. Medo medo medo…

Woody diz: “Wash Teeth, If Any”

terça-feira, dezembro 27th, 2011

Aí lá no Brain Pickings (um dos blogs internacionais que mais vale a pena ler diariamente) postaram uma lista de resoluções de ano novo do Woody Guthrie, o lendááário cantor folk norte-americano, pai do Bob Dylan, do Bruce Springsteen e de toda forma de música de protesto que preste. Anotada num caderninho, com direito a desenhos e tudo, a lista é foda demais:

Destaques:

  • “Wash teeth if any (Escove os dentes, se tiver algum)”
  • “Take bath (Tome banho)”
  • “Learn people better (Aprenda/Entenda melhor as pessoas)”
  • “Don’t get lonesome (Não se sinta solitário)”
  • “Keep hoping machine running (Mantenha a máquina de sonhos rodando)”
  • “Help win war – beat fascism (Ajude a ganhar a guerra – vencer o fascimo)”
  • “Make up your mind (Decida-se)”
  • “Wake up and fight (Levante-se e lute)”

E deu vontade de fazer uma lista assim, simples, de coisas essenciais e possíveis e que só dependem de mim, mas que fazem toda a diferença. Porque são essas coisinhas, essas atitudes que a gente decide tomar todo santo dia, que acabam mudando tudo. Explosões de vontade acabam sendo meio que fogos de artifício – momentos bonitos, mas que não servem pra nada. Mudança de verdade tem que ser por erosão, cavucando lentamente, até conseguir alguma coisa. (Não que seja mais fácil – nunca é. Mas é melhor admitir pra si mesmo que mudanças acontecem lentamente do que ficar esperando o BIG BANG, ora bolas).

Farei uma lista, e depois se der vontade eu publico aqui. Acho que eu ainda volto ainda este ano pra contar sobre 2011 e o que esperar pra 2012 =)

Diggin’ The Blues

terça-feira, dezembro 27th, 2011

Eu não sei o que foi que minha mãe fez com o computador dela, mas o fato é que todas os sons de erro padrão do windows foram trocados por “dedilhadas de violão”, sabe? Sabe quando você puxa a corda e o som faz “tuóóóóin!”, ou então bate o dedo na corda e faz “Tééééunnn”.

É absolutamente genial. Eu fico procurando maneiras de forçar o Windows a fazer sons de erro, só pra “dedilhar” no violão virtual misterioso. Uma das maneiras: abrir um documento de texto vazio e ficar apertando pra baixo. Outra: tentar abrir uma pasta sem acesso. Se eu for idiota o bastante, dá pra compor uma música. Um blues. “The Blue Screen of Death Blues” será o nome da minha primeira composição, e vai ser algo tipo assim:

All These Changes Taking Place

segunda-feira, novembro 28th, 2011

Dessas coisas que fazem parte de você. Desses sons que encarnam em ti, que entram na sua alma e de lá nunca mais saem, desses acordes e dessas palavras que te cortam, deixando a cicatriz pra sempre marcando algo que nunca mais vai ser igual.

Memories like fingerprints are slowly raising. Of me, you wouldn’t recall for I’m not my former…it’s hard when you’re stuck upon the shelf.

A ficha caiu só agora. Três semanas depois, e foi preciso um documentário e um fim de semana pra fichar cair. Porra, eu fui no show do Pearl Jam! Eu ouvi “Elderly Woman” ao vivo. Eu gastei minhas cordas vocais berrando o mais alto que eu podia todas as letras que eu conhecia – e eu só não conhecia a letra de “Olé”, veja só. Eu ouvi “Just Breathe” ao vivo. Eu ouvi os caras tocando lá em baixo, mas tão alto que parecia aqui do lado, aqui dentro. Eu ouvi “Severed Hand” ao vivo, e eles QUASE abriram com “Severed Hand” então pra mim foi, porque “Severed Hand” é minha música preferida. (Tá ali, pau a pau com “No Way” e “Amongst The Waves”). E eles tocaram Amongst The Waves!!! E “Not For You”!! E “Wishlist”…aaaaah, wishlist! E porra, porra, PORRA, tocaram “Inside Job”! Dessas músicas que você nunca espera que toquem ao vivo, porque é longa, porque a letra é pessoal, porque…ah, foda-se, TOCARAM AO VIVO e eu tava lá berrando feito um condenado! E o melhor de tudo, com a dona Catarina ao meu lado, também berrando feito uma condenada (sem falar nos gritinhos de AAAAAAIN, A LOCA), me acompanhando na fãzice desavergonhada. Foi foda. Foi perfeito. Foi demais. Foi louco bagarai. Sei lá, tô me repetindo.

I just wanna scream helloooooooo! My god, it’s been too long, never dreamed you’d return…

Mas lá estávamos nós, e lá estavam eles. Estranho isso. Eu estava lá! E não parece ser nada…mas ao mesmo tempo é tudo. Porque uma banda pode ser tão importante na vida da gente? Porque essas músicas tem tanto poder na gente? É simples: são pedaços de nós, que a gente encontra por aí escondidos entre um acorde e outro, entre uma frase e outra, que são só nossos mesmo que sejam de todo mundo. A gente é assim, colcha de retalhos, livro de recortes que a gente vai completando aos poucos e acho que nunca termina de verdade. Mas cada pedaço que encontramos é um achado e um tesouro e uma jóia, e eu devo a esses cinco caras um monte de tesouros. E a ficha caiu…porque no meio da correria a gente esquece das coisas importantes, e de repente Pearl Jam passa a ser só mais uma banda, e a gente ouve música só pra servir de trilha sonora entre uma viagem e outra, entre um trabalho e outro, e isso é ridículo. Ridículo porque essas coisas tem que ter seu peso, tem que ter seu valor, e não podemos esquecer disso. É preciso que algo seja sagrado, que algo seja maior do que a própria vida, pra servir de centro pra todo o resto. E eu não sei se ainda estou fazendo sentindo, então é melhor parar por aqui.

Deixo vocês com a música mais linda do universo, num vídeo horrível mas que captura parte do que foi estar lá:

Contra os Fones Gigantes

quarta-feira, outubro 26th, 2011

Você aí, usando fones de ouvido enormes, gigantescos, extraordinariamente grandes em plena rua, em pleno metrô, em plenos locais públicos. Enfim, você…

Você…

TÁ ME ESCUTANDO? É CLARO QUE NÃO, COM ESSE TRECO GIGANTE ENTRE AS ORELHAS!

É bonitinha, mas é SURDA!

Eu entendo a onda retrô, de verdade. Olha só, meu facebook tá cheio de fotos do instagram, e confesso que acho MUITO LEGAIS os efeitinhos de foto velha zoada. Acho que 90% dos meus trabalhos de faculdade envolvem textura de papel velho/rasgado/zoado – eu sei, é meu vício. E as músicas que eu ouço não são em nada novas…

MAS TUDO TEM LIMITE, PORRA!

Veja você, veja só: os fones de ouvido no passado eram gigantes. Cobriam a orelha toda, faziam pressão na cabeça, eram pesados, incômodos, desajeitados, etc. Não eram muito PORTÁTEIS, mas a gente fazia um esforço pra ouvir música na rua e tudo bem. Aí um belo dia apareceu um japonês na parada.

Sempre aparece um japonês na parada, veja só.

Representação artística de nosso herói nipônico

E nosso heróico japonês, cujo nome se perdeu nas areias do tempo, fez uma jura de sangue aos pés de uma cerejeira em uma noite de lua crescente quando o vento estava ventando na diagonal, que ele miniaturizaria os fones de ouvido. E nosso herói passou anos em seu laboratório no alto da montanha, estudando as propriedades intrínsecas dos circuitos eletrônicos, conhecendo todos os segredos da acústica e da manipulação sonora, desvendando o mundo misterioso dos semicondutores e suas possibilidades. Anos de treinamento constante, de concentração absoluta, de dedicação ímpar…até que um dia, nosso herói levantou-se do tatame, aproximou-se de sua bancada e, com três movimentos de mão e uma pequena solda, o fone de ouvido estilo earbud havia sido criado. Feito isso, nosso honorável herói levanta-se, sai do laboratório aonde havia passado tantos anos, senta-se debaixo da cerejeira aonde havia feito o juramento e murmura: “Minha missão está cumprida. O mundo agora é um lugar melhor”. E morreu pacificamente, sob a luz da lua minguante.

Foi uma revolução. As pessoas não precisavam mais andar cabisbaixas pelas ruas, oprimidas pelo peso de seus headphones enormes. Agora era possível encarar a vida de cabeça erguida, com fones minúsculos enfiados diretamente no canal auditivo! Ah, desconhecido herói nipônico, o mundo se curva diante de seu honorável sacrifício!

…Até que um dia um filho da puta decide que fones grandões “vintage” são legais e estão na moda!

Termino este post em silêncio, em consideração ao sacrifício de nosso herói nipônico miniaturizador e em protesto contra as pessoas que usam fones de ouvido gigantes. Bando de pau no cu do caralho. Hmpf.

Looking At The Stars

domingo, setembro 25th, 2011

Pra começar bem o domingo e a semana e o mês e o resta da vida, Mrs. Chrissie Hynde!

“Now look at the people
In the streets, in the bars
We are all of us in the gutter
But some of us are looking at the stars
Look round the room: fife is unkind
We fall but we keep gettin’ up
Over and over and over and over and over and over…

Me and you, every night, every day
We’ll be together, always this way
Your eyes are brown like the heavens above
Talk to me darlin’,
With a message of looooove!”

Neko Case e o Tornado

sexta-feira, agosto 5th, 2011

“Climb the boxcars to the engine, through the smoke and to the sky
Your rails have always outrun mine
so I…
Picked them up and crashed them down, in a moment close to now!”

Leva um tempo até você perceber que não são metáforas – a gente é tão acostumado a tratar tudo como imagens e metáforas e significados ocultos, que se torna algo automático. Não não, não aqui. O tornado não é uma mulher, um amante, alguém que procura outra pessoa com uma fúria sem tamanho. O tornado é um tornado, de verdade, a própria força da natureza, ar em sua forma mais destrutiva, levantando e derrubando tudo em seu caminho. E aí, livre das metáforas, a imagem que se forma é ainda mais poderosa e terrível…
E tomar no cu, a voz da Neko Case é perfeita.

“My love…
I’m an owl on the sill in the evening
But morning finds you
Still warm and breathing

This tornado loves you, this tornado loves you…
what will make you believe me?”