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A Pilha Interminável de Música!

terça-feira, julho 19th, 2011

No meu HD chamado “Hellboy” eu tenho uma pastinha chamada “Audioteca de Babel”, onde eu guardo todas as minhas músicas. A separação fica por conta de gênero musical: dentro da pasta tem outras subpastas, chamadas “Alternativo”, “Grunge”, “Indie”, “Metal”, “Nacional”, etc…e aí, dentro de cada subpasta, outras subpastas nomeadas pelo nome das bandas, com subpastas nomeadas pelo nome dos discos, e aí as músicas em si. Até aí tudo bem, acho que bastante gente deve fazer isso.

Né? NÉ? Não?? Oh shit…mas continuando: a pasta “Audioteca de Babel” tem 147 gigas até o presente momento. São aproximadamente 31.586 músicas distribuídos em 2.221 pastas e subpastas e o cacete a quatro, segundo o Info do Windows. É música pra CARALHO, certo?

Vamos nos focar numa única subpasta. Por exemplo, a pasta “Alternativo”, onde eu agrupo bandas como Blues Traveler, Foo Fighters, Supergrass, Faith No More, Colin Hay e etc e tal. Essa pasta tem, sozinha, 25 gigas. Isso é dez vezes maior do que o tamanho do HD do meu primeiro computador. São 5 mil músicas, resultando em algo em torno de 400 horas de reprodução. Hoje eu fiz a experiência: botei pra tocar a pasta inteira no winamp, deixei por conta do São Shuffle e fui fazendo as coisas do dia a dia. E olha só, fazia SÉCULOS que eu não ouvia tanta música DIFERENTE, NOVA, INTERESSANTE, DIVERTIDA! Porque na maior parte do tempo eu fico reouvindo as mesmas bandas e discos até a exaustão – Pearl Jam, Bruce Springsteen, Fito Paez, sempre os mesmos suspeitos. E aí eu tenho essa PILHA GIGANTESCA de músicas no meu HD, que eu mal sei o que esconde! É tanta banda que eu baixei a discografia inteira por causa de um álbum ou uma música, e que depois acabei esquecendo…Acumulando, acumulando, acumulando, sem nem saber direito porque está acumulando!

Outro dia eu li em algum lugar que atualmente você gasta mais tempo filtrando conteúdo que propriamente absorvendo – as opções são tantas que você perde mais tempo escolhendo do que lendo, assistindo, escutando. Acho que o fato de eu simplesmente não conseguir lembrar onde foi que eu li isso, e nem se foi no twitter, no facebook ou em qualquer lugar, é prova de que realmente é verdade. A informação hoje vem de todos os lugares, que você fica sem saber de onde ela está vindo. E como a gente lida com isso? Uma das alternativas é ir juntando pra “ler” depois, e assim começa a acumulação. Eu tenho milhares de links no delicious que eu sei que nunca vou ler. Tenho centenas de artigos no GReader que tenho certeza que não vou dar conta de bater o olho. Tenho centenas de livros no Kindle que jamais vou conseguir ler. E tenho essa pilha infindável de músicas no HD, que tá sempre crescendo e crescendo e crescendo…

Isso é bom ou ruim? É ruim, na medida que você pensa em todas as oportunidades perdidas, em todos os artigos geniais esquecidos debaixo do tapete e todas as músicas que mudariam sua vida mas que ficaram escondidas dentro de uma pastinha dentro de uma pastinha dentro de uma pastinha. Mas é bom, na medida em que você pensa que pelo menos tem acesso a esse universo de informação. Porra, o Enrique de 15 anos, que esperava ansiosamente cada aniversário pra poder comprar 3 cds e que gravava fitas k7 da rádio pra poder ouvir no walkman, jamaaais me deixará me desfazer dessa pilha de música. É o tesouro dele, entendam!

Fica a questão de como acessar toda essa informação. Dá pra ler tudo, ouvir tudo, ver tudo? Nem fodendo. E ficar filtrando e filtrando também não dá, enche o saco. Sinceramente, eu não sei. Meu GReader continua acumulando artigos, meu delicious continua um saco sem fundo de páginas geniais que nunca serão vistas. Mas pelo menos agora eu aprendi a usar o São Shuffle para descobrir tesouros escondidos dentro da minha pilha de música!

(O Nick Cave tava escondido nessa pilha, veja só!)

Mumford E Seus Filhos

quarta-feira, junho 29th, 2011

Afinal, o que diabos é o Mumford and Sons?

Os caras se vestem como jovens senhores sulistas da virada do século.

Os caras tocam baixo acústico, aquele grandão que o sujeito precisa tocar de pé.

Os caras tocam banjo.

Os caras são uma autêntica banda americana country bluegrass homeland seiládasquantas – e nem vou mencionar que eles são ingleses. (Nada contra, claro – o que os ingleses fazem de melhor é pegar a música americana e mostrar pra eles como é que se faz de verdade)

Os caras cantam músicas que relacionam mitos gregos com dilemas existenciais.

Os caras usam citações de Shakespeare no meio das letras.

Os caras usam os livros do John Steinbeck (“De Ratos e Homens”, um livro tão curto quanto dolorido) como inspiração.

Os caras falam de mortalidade, de fraqueza, de superação, de situações inescapáveis e inenarráveis, da vida e de como sobreviver para contá-la. Os caras escrevem as letras mais profundas, no melhor estilo “pedrada na cabeça”, que te deixam pensando no que exatamente eles querem dizer. Com banjos.

Já mencionei que eles tocam banjo? Então. Banjo, cara!

Eu confesso que ainda não entendi bem qual é a deles. Mas bendito o dia em que entrei no blog da dona Chris (Thank you, Mrs. Supplier!) e vi a recomendação do “Sigh No More”!

“So tie me to a post and block my ears
I can see widows and orphans through my tears
I know my call despite my faults
And despite my growing fears

One Foot In Front Of The Next

quinta-feira, junho 23rd, 2011

“But every once in a while
I think about her and smile
(One of the few things I do miss).
But baby I’ve to go,
Baby I’ve got to know,
Baby I’ve got to prove it”

Big Man Down

domingo, junho 19th, 2011

Clarence Clemons morreu. O gigante com o saxofone, the Big Man maior do que a própria vida, o Boss do Boss, o coração e a alma da E Street Band, o melhor amigo do Bruce Springsteen – caralho, como é que o Clarence Clemons pode morrer? O que é que se pode dizer nessa hora? Let the music do the talking…

(Nota: o som do vídeo tava meio baixo aqui em casa, mas Mary’s Place DEVE obrigatoriamente ser tocada no último volume possível – questão de princípios, sabe?)

(Lá pelos 5 minutos do vídeo, Bruce Springsteen faz seu ritual de apresentar toda a banda.Clarence era sempre o último a ser apresentado, e o mais reverenciado – Bruce sempre teve uma admiração fora de série pelo homem, um reconhecimento pelo que Clarence era e fazia pela banda. Se Bruce Springsteen for o último dos roqueiros-super-heróis, então Clemons era o mentor dele.)

I got a picture of you in my locket
I keep it close to my heart
It’s a light shining in my breast,
Leading me through the dark
Seven days, seven candles
In my window light your way
Your favorite record’s on the turntable
I drop the needle and pray…
Band’s countin’ out midnight
Floor’s rumblin’ loud
The singer’s callin’ up daylight
And waitin’ for that shout from the crowd…

Retificação!

terça-feira, maio 24th, 2011

Posso mudar de opinião?

Bom, é o meu blog, se eu não puder mudar de opinião no meu blog, meu filho, eu tô fodido! Alguém tem alguma coisa contra? Não? ACHO BOM! Hmpf.

Entããããão…eu adoro “Misunderstood”, do Pete Townshend, e realmente tudo o que escrevi ali embaixo é verdade. Acho que a música me representa, descreve uma parte crucial de mim, é importante, blábláblá, etc e tal.

Mas aí…mas aí…mas aí o St. Shuffle pronunciou-se. Vocês acreditam em St. Shuffle? St. Shuffle, ou São Randômico para quem não curte inglês, é o santo responsável pela randomização das listas de música nos mp3, nos winamps, nos rádios, nos youtubes e em todos os lugares onde a música se faça presente. Sabe quando a música certa acontece no momento certo? Graças a St. Shuffle. Sabe quando a música errada acontece no momento errado? Graças a St. Shuffle e seus caminhos misteriosos. Sabe quando você liga o rádio e sua música favorita está começando a tocar naquele exato momento? Louvado seja St. Shuffle e suas divinas habilidades DJzísticas.

Entonces, aqui estava eu trabalhando na frente do computador (socoooorrroooooooo) quando uma voz familiar começa a falar:

“Pero yo creo que despues es un poco de…Cutipaste!”

E antes mesmo da saraivada de violões e guitarras me atingir, eu já sei que vou ter que vir aqui e mudar esse post.

Tudo culpa do Liniers, que postava tirinhas falando desse tal de Kevin Johansen, que era um tal de um argentino do Alasca que tocava com uma banda chamada The Nada e tinha um disco chamado “City Zen” e porque não baixar o disco? Baixei o disco ano passado, um pouco depois de chegar em São Paulo, e nunca mais parei de ouvir – junto do “Amor Despues Del Amor”, é o meu segundo disco favorito cantado em espanhol. E aí dentro do disco, junto com todas as outras músicas maravilhosas, estava “No Voy a Ser Yo”.

“No Voy a Ser Yo” é especial. O Hold Steady, outra banda que deveria pintar aqui nessa lista, tem uma música que diz “algumas músicas, elas ficavam gravadas em tua alma”. “No Voy A Ser Yo” ficou gravada na minha alma, talvez não na primeira audição, mas com certeza na primeira vez que prestei atenção na letra. Como diz o Johansen apresentando este vídeo, é uma letra de entrega absoluta (…na verdade, dizia. É que eu achei um vídeo ainda mais legal, então troquei. Mas a idéia é a mesma). É a canção de alguém que pula, que mergulha fundo sabe-se lá aonde. Não vou ser eu que vou me cansar antes. Não vou ser eu que vou desistir sem dar um passo. Não vou ser eu, não não. Cada uma de suas palavras soa e é verdadeira. Eu não vejo outra saída, não quero passar a vida sem que a vida passe através de mim. É uma música de alguém que cansa de se esconder, de tomar cuidado com todos os passos, que se entrega ao mundo com abandono e vontade. Não quero passar a vida pisando uma pedra e sempre voltar a pisá-la. Não vou ser eu, não não.

E essa música me dá força. Não porque ela me descreva. Não porque eu seja tão persistente e implacável como ela descreve, muito pelo contrário. Eu sei dos meus defeitos, sei das minhas fraquezas, sei da minha covardia mesmo quando ela está tão impregnada em mim que eu não consiga enxergá-la. Sei que já desisti e me cansei um milhão de vezes, sei que não sou o herói que se sacrifica em nome de algo muito maior do que ele.

Mas essa música descreve quem eu quero ser. Essa música me fortalece, me dá ânimo, mesmo quando o mundo parece cinza e quando todos os meus esforços parecem terem sido em vão. Mesmo quando eu tenho vontade de jogar a toalha e ir virar um ermitão na Putaquepariu (60km de Indiaporã), essa música consegue me levantar.

Mais importante do que me descrever, essa música me lembra de quem eu quero. E mesmo que ainda falte bastante, no voy a ser yo el que se canse antes…no voy a ser yo!

30 Day Song Challenge – Dia 15

quinta-feira, maio 19th, 2011

(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)

“Uma canção que te descreva

Uma canção que me descreva. Fácil.

O problema de ser bonzinho é que…ninguém te leva muito a sério. Você diz as coisas e as pessoas acham que você tá brincando, ou sendo legal, ou sei lá o que, como se suas palavras não tivessem peso. Elas acham que você vai entender tudo que elas fizerem, que vai perdoar as mancadas todas, que vai fazer a parte delas por elas, e que está tudo bem – afinal, você é legal, você é bacana, você é um amigão. É um saco essa maldita mania de ter fé nas pessoas, fé que todo mundo pode ser legal, todos precisam de uma chance…porque eu sei que não vou mudar, que vou continuar acreditando nisso por mais que eu tente esconder, e vou continuar me ferrando. E sempre tento consertar tudo, sempre tento fazer tudo dar certo, sempre tento deixar as pessoas confortáveis, sempre tento achar o melhor caminho pra todos (inclusive pra mim)…mas ninguém percebe que isso demanda um esforço enorme, me cansa mentalmente, emocionalmente, moralmente, as vezes até fisicamente. E o que ganha fazendo isso? Nadinha.

Claro que tudo tem limites. E aí quando você cansa e resolve abrir a boca, as pessoas ficam pasmas, surpresíssimas, mal entendendo porque estão levando a patada. Na verdade entendem muito bem, claro, mas né. Na maior parte das vezes eu nem me dou o trabalho de dar a patada: eu sumo. Desapareço. Se tenho que ver a pessoa todo dia, transformo ela num ponto cego. A idéia geral é sumir do mapa, ir me preocupar com outras coisas, parar de desperdiçar meu tempo com quem não se toca. Eu sei que isso é escroto, mas só faço isso quando chego no meu limite, e meu limite é beeem alto.

(Mas óbvio que quem some, quer ser achado. E óbvio que ninguém percebe isso.)

Enfim, isso tudo pra dizer que uma canção que me descreva tem que falar desse meu dilema: desse minha inevitabilidade em ser bonzinho, e da minha vontade de mandar tudo as favas, as vezes. E como sempre, o sr. Pete Townshend descreve meus dilemas como ninguém. Com vocês, Misunderstood:

“Just wanna be misunderstood
I Wanna be feared in my neighborhood
Just wanna be a moody man
Say things that nobody can understand….

I wanna be obscure and oblique
Inscrutable and vague, so hard to pin down…
I wanna leave open mouths when I speak
Want people to cry when I put them down…

I wanna be either old or young
Don’t like where I’ve ended up or where I begun
I always feel I must get things in the can
I just can’t handle it the way I am!

Why am I so straight and simple?
People see through me like I’m made of glass
Why can’t I deepen with graying temples?
Am I growing out of my class?

I always feel I should be somewhere else
I feel impatient like a girl on the shelf
They say that I should live sera sera
But I am such an ordinary star…

Coolwalkingsmoothtalkingstraightsmokingfirestoking
Coolwalkingsmoothtalking, yeah…”

30 Day Song Challenge – Dia 14

segunda-feira, maio 16th, 2011

(Pra quem quiser participar do “30 Day Song Challenge” também , o link é esse aqui, ó!)

“Uma canção que ninguém esperava que você gostasse

(Hmmm…tema meio difícil. Não sei se minha escolha se encaixa perfeitamente nas exigências do tema, mas foda-se né, regras existem pra ser modificas e eu tinha que tirar um dia pra falar do Chico Buarque!)

Minha fase “ouvinte de Los Hermanos” ao menos teve uma coisa: graças à eles, eu passei a prestar mais atenção à MPB e música brasileira em geral. Foi nessas que comecei a baixar discos de Chico Buarque, Caetano, Gil, Clube de Esquina, Elis Regina e muitos outros. Er, na verdade nem tanto outros assim, mas vocês entenderam a idéia. Aí um dia eu abandonei o Camelo e fiquei com todo o resto da MPB. Coisas da vida.

Dessa galera toda, meu preferido é o Chico Buarque. E acho que eu não tenho muita cara de fã do Chico Buarque – primeiro, porque eu não gosto nada de samba. Não adianta se é pagodão ou samba-de-raiz ou ou que seja, não vou com a cara mesmo.  Tá, eu adoro Jorge Benjor, mas acho que dá pra classificar o que ele faz como outro ritmo totalmente diferente, acho eu. Mas veja só: 73,67% das músicas do Chibu são ou pelo menos tem enorme influência do samba. O cara é fã de carteirinha, estudioso e pesquisador de todos aqueles sambistas das antigas e tudo mais. Não faz muito sentido eu gostar das músicas dele…mas o fato é que eu dia sim, dia não eu boto o Chibu pra cantar aqui em casa. Vai entender.

Acho que a explicação tá nas letras. Tem pessoas que se apaixonam pelas músicas através da própria música – do ritmo, da melodia, da levada, dos sons que a carregam pra longe. E tem pessoas, como eu, que são levadas pelas pelas palavras, pela poesia, pela história e pelas mensagens que as letras das músicas encerram. Eu literalmente aprendi inglês só pra descobrir o que as letras queriam dizer, e agora nessa minha nova onda de músicas latinas percebo que estou aprendendo espanhol meio que na marra só pra entender melhor o que eles dizem. Quando eu lembro de uma música, eu lembro primeiro da letra dela – o resto vem depois, por tabela, mas são sempre as palavras que me ganham primeiro. E convenhamos, o Dr. Chico Buarque é um especialista das palavras.

Por exemplo, pega uma letra feito “Pedro Pedreiro” – dá pra dizer que é algo menos que genial? “Roda Viva”, “Construção”, “Apesar de Você”, pra falar das mais famosas. Sem esquecer das mais sentimentais, tipo “Eu Te Amo”, “Suburbano Coração”, “Tanto Amar”…Aliás, a música mais triste do mundo foi escrita por ele: “Pedaço de Mim” é pra ouvir em silêncio, com um nó na garganta mesmo sem saber o motivo. Pra equilibrar, ele escreveu “João e Maria”, a música infantil não-infantil mais bela de todos os tempos. E aí, pra variar um pouco, mandou um samba-enredo contando a história do Brasil, vulgo Sanatório Geral, em “Vai Passar”. Ah, sem falar do quebra-cabeça-em-versos em “Pelas Tabelas”. E se me deixarem, eu passo a noite dando exemplos do velho Chibu.

Mas eu preciso escolher uma música pra representá-lo. Fo-deu. Que música eu escolho, Chico? Tem tantas fodas, e ao mesmo tempo nenhuma consegue capturar tudo o que ele é – porque ele é tanta coisa, ora bolas. Deixa eu escolher “Suburbano Coração” então – pra fugir um pouco do lugar comum das músicas famosas, pra escolher uma letra genial e uma história agridoce, pra usar um vídeo que mostre o hómi ao vivo.

“Quando aumentar a fita, as línguas vão falar
Que a dona tem visita e nunca vai casar…
Se enroscam persianas, louças se partirão:
O amor está tocando um suburbano coração
Será que o amor não tem programa, ou ama com paixão?
Mulher virando no sofá; Sofá virando cama, coração…”