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“Source Code” e Finais Felizes

sábado, setembro 10th, 2011

“Source Code”, ou “Contra o Tempo”, é desses filmes bacanudos, que não prometem abalar o mundo e mudar a história do cinema mas que podem muito bem divertir numa noite de quarta-feira. A história é interessante: um soldado que acorda no corpo de outra pessoa, viajando em um trem que está prestes a explodir, é forçado a reviver os últimos oito minutos de vida desse passageiro repetidamente até descobrir o responsável pelo atentado. É tipo um “Feitiço do Tempo” com mais pancadaria e menos Bill Murray, mas bem bacana.

O que me chamou a atenção mesmo foi o final do filme. Nada de reviravoltas, nada de surpresas a la Sexto Sentido, nada de grandioso ou épico…hmmm, talvez seja grandioso E épico, mas de uma maneira bem mais intimista, se é que isso é possível. Filme de ficção geralmente tem finais bem desesperançados, bem dark side mesmo. Blade Runner termina daquele jeito que você fica sem saber se deve estar feliz ou triste, Doze Macacos me dá calafrios até hoje, Matrix volta pro mesmo lugar de onde veio…sim, eu sei que tem vários filmes com finais positivos, mas creio que são a minoria. E aí “Source Code” chega como quem não quer nada, com seu final feliz apesar dos pesares. Eu confesso que saí do filme um pouco mais leve, com um pouco mais de esperança no mundo, sorrindo quietinho e pensando que sei lá, deve ser legal criar seu próprio universo. E porque não?

(O nome original do filme é “Source Code” – código-fonte, pra quem não sabe, é o conjunto de instruções e comandos de onde um programa de computador é originado. Sem um código-fonte não existe Windows, Photoshop, WordPress, internet, mundo moderno, etc. E é um título genial, que tem TUDO a ver com as hipóteses e metáforas propostas pelo filme, com o mundo do capitão Stevens. E aí um tradutor zé-buceta vai lá e traduz para “Contra o Tempo”…)

Coisas Que Faltaram no Super 8

domingo, agosto 21st, 2011

SPOOOOOILERS no decorrer do texto todo! Estejam avisados!

  • Um FINAL! Sério, é mal do J.J. Abrams: o cara não sabe terminar. Super 8 é um filme realmente legal, divertido, cativante, interessante, com personagens legais, cativantes, divertidos, etc e uma história bacanuda que termina antes da hora, sem um clímax! Faltou a tensão final, faltou a fuga de bicicleta com o E.T. na cestinha, faltou o Indiana Jones encontrando o cálice e o perdendo logo em seguida, faltou o navio com o tesouro do Willie Caolho!
  • Uma trilha sonora. E quando eu falo de trilha sonora, eu tô falando de JOHN WILLIAMS! Sinto muito, sr. Compositor da Trilha do Lost que fez a trilha do Super 8, mas o senhor ainda precisa comer muito arroz com feijão pra fazer trilhas realmente épicas.
  • Um ET simpático. Sério, ETs em filmes adolescentes precisam ser simpáticos! O bicho poderia ser grandão e assustador, mas ele precisava de um coração. De novo, Abrams quase chegou lá. O ET fugiu do exército e está preso na cidade, tentando juntar peças para construir sua nave e voltar pra casa – era fácil dar uma personalidade pro bicho, nem que fosse com alguma gracinha. Spielberg é especialista nisso: os dinossauros de Jurassic Park tinham baldes de personalidade, até mesmo os que aparecem por dois minutos na tela.
  • Já falei que ficou faltando uma trilha sonora do John Williams? Ou do Alan Silvestri! Alan Silvestri é melhor ainda! No mais, o filme é muito bom: uma homenagem quaaase perfeita aos filmes dos anos 80, que talvez funcione melhor na tela da televisão do que no cinema, mas que vale o ingresso de qualquer maneira.

Pãn-pãrãpãn…

quinta-feira, agosto 18th, 2011

(E ninguém nem reparou que esse blog mudou de layout e tal? Hmpf!)

Tem esses dias em que as coisas não saem exatamente como o esperado. E por mais que todo o resto tenha sido legal e bacana e tal, aquela coisinha que não deu exatamente certo (e nem exatamente errado) é a que mais incomoda. E isso faz todo o resto parecer ter menor importância, e faz parecer que…

Ah, quer saber? Que se foda. JOHN WILLIAAAAAAAAAAAAAMS!!! Toca aquela do arqueólogo!

(Diz em algum lugar que se você não gosta do tema do Indiana Jones, sua alma já morreu. E se lembre-se: “You lost today, kid. But that doesn’t mean you have to like it.”)

Quando A Chave-de-Fenda Sônica Era a Lei

domingo, junho 19th, 2011

“A questão do momento é, quem tem a Pandorica? Resposta: eu tenho! Próxima questão, quem vem tirar ela de mim?…
VAAAAAMOS! Olhem só pra mim, nenhum plano, nenhum reforço, nenhuma arma que preste. Ah, e mais uma coisa, eu não tenho NADA…A…PERDER! Então se você está sentado aí em cima na sua navinha espacial, com todas suas arminhas, e você está planejando tomar a Pandorica esta noite,apenas se lembre de quem está no seu caminho! Lembre de todos os malditos dias em que eu impedi vocês! E então, E ENTÃÃÃÃO…faça a escolha esperta: deixe outra pessoa tentar primeiro.”

Talvez o mais legal sobre o Doutor Who seja isso: ele não tem nenhum plano, nenhum reforço, uma mísera chave de fenda sônica como arma e absolutamente nada a perder. Quem diabos é ele? Um alienígena que viaja no tempo à bordo de uma cabine policial (it’s bigger on the inside!), resolvendo problemas e salvando a Terra, a galáxia e/ou a malha do espaço/tempo. O último de uma raça de viajantes temporais, vagando pelos confins do universo – apesar de SEMPRE acabar voltando para a Terra, ou melhor, para a Inglaterra. Que diabos tem de errado nessa ilha? Os ingleses realmente adoram heróis improváveis, e nesse aspecto o Doutor talvez só perca para outro viajante no tempo (Arthur Dent, estou falando de você).

Apesar de ser um tanto…esquisito, Matt Smith realmente tem mandado muito bem nessas duas temporadas de Doctor Who. Ele é o terceiro Doutor desde que a série voltou a ser exibida em 2005 – antes dele vieram Christopher Ecclestone e David Tennant. Ele não tem a pose cool e a entonação genial (“fantastic!”) do Ecclestone, e também não parece estar sempre bravo igual o Tennant, mas Smith compensa isso fazendo um Doutor inconstante e explosivo num instante, calmo e prudente em outros, mas cuja mente está sempre à mil por hora.

Pra quem nunca assistiur Doctor Who na vida, acho que vale a pena conhecer. É um seriado de ficção científica inglês, na verdade mais aventura do que científico, que ultimamente tem ficado mais e mais legal – graças aos roteiros e a direção de Steven Moffat. E mais: essa temporada nova tem um episódio escrito pelo Neil Gaiman! Que eu ainda não assisti, mas que deve ser o ó do borogodó!

Road Movies

terça-feira, fevereiro 8th, 2011

Dizem por aí que eu sou muito SELETIVO (leia-se: chato) pra assistir filmes e seriados. E eu posso tentar dourar a pílula o quanto eu quiser, mas é verdade – só assisto aquilo que me dá extrema vontade de assistir, abandono seriados pela metade quando encho o saco, não assisto certos filmes por puro preconceito, preguiça ou falta de saco mesmo. (Mas acho que todo mundo faz assim, não é? Não? Hmpf. Enfim…). Mas tem um segredo pra me fazer sentar a bunda no sofá: é só colocar qualquer “road movie” pra passar.

Eu tenho essa tara quase pornográfica por filmes de estrada. De preferência estradas que cortam o interior, esses bolsões de lugar nenhum que existem entre as cidades, onde você olha ao seu redor e só consegue ver um oceano de plantações até o horizonte, e o carro desliza a duzentos por hora mas parece não chegar mais perto de nada. Ou então montanhas – montanhas são sempre fodonas – montanhas e formações naturais variadas, como mesas, canyons e coisa e tal. Ei, eu vi Thelma e Louise anteontem e fiquei babando quando elas chegam na região do Grand Canyon. O que interessa aqui é o conceito: um carro pequenininho e uma estrada que mais parece uma linha imaginária cortando um mundo que é maior do que a própria vida. Como já disse o Pearl Jam, tem tanto pra ser dito sobre lugar nenhum.

Minha sequência de estrada favorita é o finalzinho de Elizabethtown, do Cameron Crowe. “Como assim, você nunca atravessou o país de carro?” pergunta Claire, e então ela prepara um guia de viagem completo pra ele, com mapas, fotos, citações e música – trilha sonora completa pra todos os passos da jornada. E desde a primeira cena eu já havia me apaixonado por ela, porque eu acredito que precisamos de Claires e diabos não dá pra evitar, ela é toda lindinha, mas foi com o guia de viagem que ela deixou de ser um personagem legal num filme pra virar algo mais perto de um símbolo, uma manifestação de algo maior do que tudo. Talvez Claire seja a alma da estrada – aquilo que te arranca e te faz botar o pé na estrada. Ou talvez seja só uma moça legal, com um ótimo gosto musical!

( No youtube tem a cena – mas está em italiano, veja só você. Eu gosto de italiano, mas filme dublado é estranho em qualquer língua XD. O legal de ver aqui é a estrada, o guia de viagem – e as músicas. Ainda acho que Elizabethtown tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, mesmo porque o Cameron Crowe nunca erra no quesito música. )

A Rede Antisocial

domingo, janeiro 23rd, 2011

Antes de começar a assistir “A Rede Social”, eu pensei “Se esse filme for bom de verdade, quando acabar de assistir eu vou deletar minha conta no Facebook”. Acabei não deletando a conta – porque eu sou um bundão, porque é legal ter um site manter contato com as pessoas – mas ao mesmo tempo concordo com quase tudo o que o Scalzi diz nesse post no Whatever. Mas não posso negar que o filme é bom, pelo menos como entretenimento.

Se eu acredito nos retratos que o filme faz? Bom, nenhuma história é totalmente verdadeira, e nenhuma história é totalmente falsa. O filme coloca o Eduardo Saverin como o cara bonzinho que é traído pelo amigo, o Sean Parker como o demônio que sai distribuindo dinheiro, drogas e mulheres em troca do talento dos nerds, e o Zuckerberg como um gênio idiota cheio de ambição mas sem um pingo de tato. Em tempos em que todo mundo agora quer se declarar nerd, em que aparecem até coisas como “o orgulho nerd” e tal, é sempre bom lembrar: nerds podem ser e são tão ou mais babacas quanto qualquer outro tipo de pessoa. Babacas, egoístas, mesquinhos, invejosos, vingativos, idiotas,  burros… entender de computadores ou gostar de Star Wars não é garantia de qualidade moral nenhuma. O Saverin não deve ser tão bonzinho quanto pintaram no filme, e acredito que nem o Sean Parker seja tão porra louca – mas eu consigo imaginar o Zuckerberg ser daquele jeitinho lá, inteligentíssimo em certos aspectos, estupidamente burro em outros e com um ego do tamanho de um bonde. Porque infelizmente não é um perfil de nerd tão raro assim…sei lá, quando você vive por tempo demais trancado em seu mundinho, de duas uma: ou você dá um grande valor pras pessoas que se aproximam de você, ou você se fecha e trata elas como lixo (não exatamente porque você quer fazer isso: é mais por medo ou receio ou por não saber realmente o que fazer).

Ser nerd é complicado…não é só dizer que gosta de X-Men, jogar RPGs e saber formatar seu PC. Ser nerd é enxergar o mundo de um jeito um pouco diferente – uma defasagem de 2 centímetros pra esquerda de onde o mundo real deveria estar. Essa defasagem tem várias “vantagens”, e eu não trocaria ela por nada nesse mundo, mas no que diz respeito às pessoas você sempre vai estar se perguntando: o que devo fazer? Como me comportar? O que dizer? O que elas esperam de mim? O que devo esperar delas? Já posso voltar pro meu quarto? Então, por causa de tudo isso, Zuckerberg não chega a ser um vilão – ele é um babaca que fez várias babaquices. Como diz a menina no começo do filme, ele é um cara que vai passar a vida toda imaginando que não tem sucesso com as mulheres porque é nerd, quando na verdade a culpa dessa rejeição toda é por ele ser um babaca.

Easy C-

sábado, novembro 27th, 2010

Fazer comédia adolescente é uma arte. Em teoria, qualquer um pode escrever uma comédia adolescente: a história é sempre a mais batida de todas. Escolas, pessoas que se dão bem, pessoas que só se fodem, professores cabações, professores legais, um protagonista espertaralho que só se fode mas está prestes a se dar bem. É tudo mais ou menos parecido – mas as comédias que importam, as que realmente funcionam, são aquelas que te fazem ter 12 anos de novo, pela duração do filme e talvez mais um pouco.

Por exemplo, “Curtindo a Vida Adoidado”, só pra pegar a principal delas. O que John Hughes fazia não era nada demais, mas aparentemente só ele conseguia fazer. Ferris não existe. Ele é um sonho adolescente, ele é quem eu queria ser quando eu tinha 7, 10, 12, 27 anos, o cara legal que mata um dia de aula e acaba indo cantar “Twist and Shout” num desfile. Durante 90 minutos, durante aquele day off eu sou Ferris Bueller e eu sou Cameron Frye, eu sou até mesmo o jovem tio Charlie mandando a irmã do Ferris relaxar. Eu poderia dizer…na verdade eu posso, porque esse é meu blog e eu falo a merda que quiser nele, então eu posso dizer que “Curtindo a Vida Adoidado” é mitológico. É a jornada do herói acontecendo num dia da semana em Chicago, onde a catarse é cantada por John Lennon, e onde a tragédia é uma Ferrari sendo arremessada de um penhasco. Ferris Bueller can’t lose, e nós também não.

“Easy A” poderia ter sido um puta filme legal. Na verdade, “Easy A” é um filme legal, mas não passa disso, infelizmente. Parece que o filme fica o tempo todo pedindo desculpas por suas referências, e fazendo aqueles comentáriozinhos auto-depreciativos. “Haha, este é um filme adolescente, haha, nós sabemos que é um clichê mas se apontarmos o dedo e dizermos que é clichê deixa de ser um clichê, né?”. Rola até uma seleçãozinha de cenas de filmes do John Hughes, com citação e tudo – eu achei legal, mas sei lá. Não tem problema usar referências – todo mundo usa. Mas os caras realmente fodões roubam suas referências, as sequestram na cara dura, sem dó, sem piedade, vestindo tangas de pelúcia e brandindo espadas bastardas, e depois se regozijam ouvindo a lamentação dos referenciados roubados e violentados. O segredo é fazer a referência virar sua – olha lá o Heath Ledger cantando “Can’t Take My Eyes Off Of You” em “10 Coisas Que eu Odeio em Você”. É uma cena roubada na cara dura, mas que funciona perfeitamente – tanto pela falta de vergonha na cara do diretor quanto pelo talento do falecido Coringa.

“Easy A” usa um mundo de referências, mas não consegue roubar nenhuma. Não que o filme não tenha boas idéias – a Emma Stone é divertida, os pais dela ficaram MUITO bons (a mãe dela contando sobre os dias de vadiagem e contorcionismo sexual na escola é um espetáculo), e a piadinha do Tom Sawyer e do Huckleberry Finn foi bem pensada. Mas faltou uma história e personagens com quem se identificar, faltou o toque de John Hughes.

(E é preciso dizer que a Emma Stone é linda, e seria perfeita pra Mary Jane Watson. Eu só queria saber quem diabos escolheu ela pra Gwen Stacy no filme novo do Homem-Aranha – caramba, o cara nunca leu um gibi do Aranha na vida?)