Posts arquivados na categoria ‘Nerdismos e Geekices’

Esteja Aqui Agora

quinta-feira, agosto 12th, 2010

“Numa carta escrita na Índia, Fedro falava de sua peregrinação ao sagrado Monte Kailas, nascente do Ganges e morada de Shiva, no alto do Himalaia. Começou a fazer a peregrinação na companhia de um santo e seus discípulos.

Nunca chegou à montanha. No final do terceiro dia desistiu, exausto, e a peregrinação continuou sem ele. Disse que tinha a força física, mas que essa força física não era suficiente. Tinha a motivação intelectual, mas ela também não era suficiente. Não achava que tinha sido arrogante, mas que tinha tentado fazer a peregrinação para ampliar suas experiências, para obter conhecimento para si mesmo. Tentava usar a montanha e a própria peregrinação para seus próprios fins. Para ele, a entidade fixa não era a montanha nem o caminhar, mas ele mesmo; assim, não estava pronto para peregrinar. (…)

Para o observador leigo, a escalada com ego e a escalada sem ego parecem idênticas. Ambos os tipos de escaladores colocam um pé a frente do outro. Ambos inspiram e expiram no mesmo ritmo. Ambos param quando estão cansados e vão adiante quando bem dispostos. Mas quanta diferença! O escalador pelo ego é como uma máquina desregulada. Põe o pé no chão um segundo antes ou depois que devia. Tende a não perceber as belas passagens do sol por entre as copas das árvores. Vai adiante quando seu passo desajeitado mostra que já está cansado. Descansa na hora errada. (…) Vai mais rápido ou mais devagar do que deveria e, quando fala, suas palavras versam sempre sobre outro tempo, outro lugar. Está aqui mas não está. Rejeita o aqui, vive descontente com o aqui, quer estar mais adiante no caminho; mas, quando estiver lá, também estará descontente, pois então “lá” será “aqui”. O que ele procura, o que quer está em toda parte à sua volta; mas, exatamente por causa disso, não a quer. Cada passo é um esforço físico e espiritual, pois ele imagina que sua meta está fora dele e muito, muito longe.

Trechão de “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”, livro fodíssimo que estou lendo. Em parte, é uma espécie de road-book porque descreve uma viagem de moto através do interior dos Estados Unidos. Em parte também é um ensaio filosófico – uma investigação sobre os valores, como diz o subtítulo. E em parte também, talvez a parte mais fascinante, a história de um homem que tenta escapar do fantasma do homem que ele um dia foi – que foi declarado insano e condenado a ter sua personalidade apagada através da “terapia” de eletrochoque.

Inverno Has Arrived

terça-feira, julho 13th, 2010
  • O inverno finalmente resolveu dar as caras em Araçatuba. “Inverno” é uma palavra beeem forte, se eu for pensar bem. No máximo rola uma semana de frio mediano (nada no estilo serra gaúcha), sempre em julho, sempre coincidindo com a exposição agropecuária da cidade, sempre indo embora justo quando você já estava se acostumando com ele. Mas tá bom, qualquer vestígio de frio é bemvindo no faroeste paulista.
  • Falando na Exposição Agropecuária…caracoles, como tá fraquinha! Costumava ser uma das maiores exposições da região, sempre com shows grandes (note que eu disse grandes, e não bons): duplas sertanejas de sucesso, pagodeiros quando ainda existiam pagodeiros, e uma ou outra banda de rock/pop. Já teve Paralamas, Capital Inicial (na época do Acústica, quando eles re-estouraram), Barão Vermelho…bandas que de outro jeito nunca viriam tocar aqui. E esse ano não tem NENHUMA bandinha de merda de rock/pop, só um monte de tranqueiras. Duplas sertanejas pouco conhecidas, bandas de pagode que devem ter renascido no inferno só pra vir tocar na exposição… A cidade do Boi Gordo (ou Boi Fofo, como diz o Deroco) anda mal das pernas mesmo! oÔ
  • Ontem de madrugada eu assisti o primeiro episódio de Caprica, seriado prequel de Battlestar Galactica, que conta como os humanos inventaram as criaturas cibernéticas que viriam a se rebelar e destruir todas as colônias humanas no início de Battlestar. Achei bem legal, interessante e ao mesmo tempo BEM diferente de Battlestar Galactica. Ainda não me convenceu a colocá-lo na lista de seriados “Pra Assistir Urgentemente”, mas está no caminho. E eles arrumaram uma clone da Zooey Deschanel pra fazer uma das protagonistas! Olhão grandão, franja, carinha de menina, fofinha, etc e tal….e o pior é que eles não tentaram nem disfarçar: o nome da personagem dela é Zoe! O seriado também conta com uma Jodie Foster Genérica, e um Eric Stoltz genérico ( que é o próprio Stoltz, mas ele é genérico por natureza).
  • Agora, digno de nota mesmo é a trilha do Bear McCreary, tanto pro Caprica como pro Battlestar Galactica. É perfeita, fenomenal, de proporções épicas e lendárias – e olha que eu nem tenho saco pra trilhas sonoras. Os temas de ação são caralhais, os temas calminhos tem aquela calma paranóica de que alguma coisa vai acontecer. O cara curte sons orientais, cítaras, tambores tribais e coisas esquisitas…olha, tinha tudo pra dar errado e sair música bunda mole e sem sal. E acontece justamente o oposto – prova disso é essa versão de “All Along The Watchtower”. Já ouviu uma música com cítara soar ameaçadora? Eu nunca tinha ouvido.



“No reason to get excited”, the thief, he kindly spoke
“There are many here among us who feel that life is but a joke
But you and I, we’ve been through that and this is not our fate
So let us not talk falsely now, the hour is getting late

Laerte e o Vento

segunda-feira, julho 12th, 2010

O que eu acho massa no Laerte é que o cara consegue ler meus pensamentos e traduzir perfeitamente numa tirinha só. Eu conheço um monte de gente que pensa nessas linhas…e nenhuma dessas idéias moribundas me desce, me passa pela garganta. “O homem é o que é e ponto”? E o que é o homem, e como se bota um ponto no que não se consegue nem começar a definir? Como é que se pode dizer que não se muda o mundo, que não se muda o homem, sendo que tudo nesse mundo é mudança – um universo inconstante, uma vida cheia de voltas, com o caos e a criação brincando no quintal (pra citar Paul McCartney). Não consigo enxergar – e nem imaginar – esse mundo aonde o homem é o que é e ponto. O vento entrando pela janela e mexendo em tudo me diz justamente o contrário.

Eu Fecho os Olhos e Tudo Vem

segunda-feira, julho 12th, 2010

Sinceramente? Eu acho que Paralamas é A melhor banda de rock nacional, do período de “ouro” do rock nacional. (Coloco “ouro” em aspas porque, caracoles, eram os anos 80: provavelmente não era ouro, era só purpurina dourada ou algum efeito toscão do Hans Donner)

E olha que eu não sou daqueles que desfazem da Legião Urbana, que escrotizam o Cazuza, que excomungam o Capital Inicial. Minha educação musical deve muito a um programa de rádio semanal da Rádio Cultura (95,5 MHz) lá de Araçatuba, que só tocava rock nacional durante uma hora. Eu gravava esse programa religiosamente – em fitas K-7, as ancestrais da MP3 – e passava a semana ouvindo elas, esperando o próximo programa. Então eu aprendi a gostar dessa galera toda: Legião, Paralamas, Engenheiros, Capital, Kid Abelha, Titãs (pero no mucho). E sinceramente, vendo a situação atual do rock nacional, por maaais que se fale mal dessas bandas dos anos 80, eles são muito melhores que qualquer Restart ou Cine ou o que for.

(E acabei de perceber que estou defendendo bandas que já passam dos 20 anos de idade. Caralho, tô velho :~ )

Mas o Paralamas SEMPRE teve algo a mais, na minha opinião. Se eu fosse um crítico musical eu usaria um nome bem tchã pra definir esse algo a mais. Algo como “sensibilidade pop”, sabe? Mas eu diria que eles tinham coração e eles tinham alma – sabe essas bandas que você ouve e de repente fica tudo bem? Sabe essas músicas que você não consegue evitar entrar na onda delas? Eles sabiam fazer isso, e cada hit dos caras atingia seu alvo sem perdão. Claro que nada é perfeito, e depois do meio dos anos 90 eles ficaram BEM chatos – tipo o Skank, que depois do supermegafodão “Maquinarama” também perdeu seu rumo. Mas enquanto a magia durou, eles foram a banda mais legal do cenário nacional.

E eu simplesmente não consigo evitar entrar na onda de “Caleidoscópio”. Eu ouvi ela pela primeira vez quando tinha o quê? Nove, dez anos de idade? E nunca mais tirei ela na cabeça. É perfeita, em vários e vários sentidos. Olha só essa introdução – com direito à guitarra rasgando blues, trompetes e o caralho à quatro! A música me pega e me leva embora – “eu quase posso ouvir a tua voz, eu sinto a tua mão a me guiar pela noite a caminho de casa. Se tudo tem que terminar assim, que pelo menos seja até o fim – pra gente não ter nunca mais que terminar…”

(E aí o videoclip tá bloqueado pela EMI para incorporação em outros sites fora do Youtube. PAU NO RABO da EMI, que não saca que quem quer incorportar o vídeo tá fazendo propaganda DE GRAÇA pra banda. Em compensação, achei outro vídeo mais afudê ainda – com participação do Pericos, solo extendido e o cacete. Quando é que esses dinossauros monolíticos dessas gravadoras vão morrer, ó meu Deus?)

Adeus, Frank Sobotka – ou “The Wire” é FODA

domingo, julho 11th, 2010

I’ll bring you precious contraband and ancient tales from distant lands
Of conquerors and concubines and conjurers from darker times
Betrayal and conspiracy, sacrilege and heresy
And I feel alright – I feel alright tonight…

“The Wire” conseguiu algo que nunca antes um seriado policial conseguiu na história do mundo: me fazer assisti-lo. Na verdade minha teima é com seriados do tipo “um caso por episódio” – com pouco avanço de continuidade, sem uma história central que avance, só com aquela galerinha batuta resolvendo os casos mais difíceis do condado. Nesse perfil se enquadram praticamente qualquer seriado policial, “House”, e até “Arquivo X”. Sabe o que eu queria mesmo? Era assistir só os episódios de Arquivo X que avançam a história principal, e pular toooodos os trocentos episódios que não levam a lugar nenhum. Pensando bem, na internet deve ter uma lista de episódios assim. Vou procurar depois.

(Vai, podem me xingar do que for. “Herege”. “Mala escroto”. “Babaca”. “Noveleiro”. “Seletivo”.)

Enfim: “The Wire” conseguiu passar pelo meu processo de seleção justamente porque tem esse esquema de casos. Na verdade, temos um graaaande caso por temporada – e grande mesmo, cheio de mistérios, tramóias, rabos-presos, dedos-duros, e todo tipo de merda que puder dificultar a vida dos policiais. O foco do seriado é mostrar como a cidade de Baltimore funciona em suas entranhas, e cada temporada mostra uma faceta do submundo da cidade: a primeira temporada fala sobre o tráfico de drogas e os conjuntos residenciais da zona oeste, enquanto que a segunda temporada fala sobre o porto e as pessoas que vivem dele. Não existe um protagonista que move a série – são vários personagens, todos muitíssimo bem trabalhados e bem escritos. Dá pra acreditar que eles existem de verdade: não tem nenhum herói da justiça, não tem nenhum vilão que é a raiz de todo o mal. Não existe aquele clichê de “policial filho da puta e bandido que luta pra sobreviver” e nem o seu irmão gêmeo “policial protetor dos indefesos e bandido sórdido sanguinolento”. Todos tem seus motivos, todos tem seus defeitos, e todos tem uma história pra contar.

Eu terminei a segunda temporada alguns dias atrás – é a que fala sobre o porto. Bom, depois da primeira temporada eu deveria saber logo de cara que tudo iria terminar como terminou. É triste, é deprimente, mas é real – é o que aconteceria na vida real, dadas aquelas circunstâncias. Eu torci até o final pro Frank Sobotka escapar, mesmo sabendo que não tinha como. E o mais foda é ver que todo o sofrimento dele, tudo o que ele fez e toda a merda aonde ele se meteu não serviu pra nada. O final do último episódio é absolutamente foda, com uma música absolutamente foda pra acompanhar – o vídeo taí embaixo pra quem quiser ver, acho que não tem taaantos spoilers pra quem nunca viu a série ou não chegou nessa temporada. Ora bolas, spoilers, que spoilers? Desde o começo é um jogo de cartas marcadas – quem diabo acha que o sindicato dos estivadores tem alguma chance contra a máfia?

Hear the Lamentation of the Women

terça-feira, julho 6th, 2010

É fato conhecido que Conan ( o Bárbaro) é o motherfucker original. Antes do Batman tocar o terror e a porrada nos criminosos de Gotham, antes de Samuel L. Jackson encarnar a vingança divina de afro e barba esquisita, o nosso bárbaro cimério já vagava pelos ermos do planeta durante a Era Hiboriana fazendo o que sabia fazer de melhor: esmigalhar seus inimigos, vê-los derrotados diante de seus pés e ouvir os lamentos de suas mulheres. ( E ele fazia isso usando cueca de pelúcia. Eis o segredo do Cimério).

E aí um maluco na internet resolveu compor uma música para um suposto musical do Conan. E claro, não era pra dar certo: Conan e musicais não combinam. Ou não deveriam. Mas ficou FODA pra caralho – com direito a sotaque do Schwarza e letra mais do que épica. Saca só:

Resumo

quinta-feira, junho 24th, 2010

- Em Araçatuba! De férias! No meu quarto! E as aulas só voltam dia 8 de agosto! Tinha esquecido como entrar de férias da faculdade é uma coisa emocionante XD

- As últimas semanas do semestre deram bastante trabalho. Faculdade de design não tem prova, mas tem tanto trabalho quanto um campo de concentração russo. O que salva é que os trabalhos SÃO legais de fazer – porra, eu tive que fazer um Stop-Motion de trabalho final do semestre, olha só veja só que massa. Sem contar os outros trabalhos, envolvendo vetorização de personagens de quadrinhos, montar site de boate com temática russo-comunista, montar um caderno inteiro (com desenhos, pinturas, recortes e o cacete) sobre um museu, tirar fotografias com as câmeras megaultrablaster da faculdade. São coisas extremamente legais, e eu vejo sentido nelas…o que não acontecia naquele monte de provas que fazia antes, naquele infinito de contas absurdas que eu nunca usei até hoje.

- E a melhor parte: caralho, meu boletim nunca foi tão bonito. Tava seriamente pensando em imprimir ele, botar numa moldura e dar de presente pra minha mãe. “Toma, mãe, você esperou 27 anos por um boletim tão cheio de notas altas assim”. A única “mancha” é um 7 de sociologia. Mas sifudê também, né? Tudo que eu sei sobre sociologia eu aprendi lendo Malvados.

- Aí depois de três semanas de trabalhos malucos…três dias extremamente divertidos, devidamente acompanhado de dona Catarina! Teve livraria Cultura, teve brownie, teve Scrabble (Scrabble!), teve Toy Story 3 (Toy Story 3!), teve videogames, teve seriado de garotos cantantes de sexualidade duvidosa (melhor música até agora, a do Journey), teve festival de lojas de brinquedo, teve pretzel de nutella. Só não conseguimos ir no zoológico…mas nem fez falta perto do monte de coisas legais que fizemos, e fica pra próxima. Sinceramente, quando a companhia é excelente até andar de metrô é divertido ;) .

- Sobre Toy Story 3: FODÃO! Tá, não tem a carga dramática (carga dramática? acho que é esse o termo) de Up, mas é um PUTA desenho com uma história fantástica e cheeeeio de detalhes legais. Destaque pro Ken metrossexual (“Me devolve o echarpe!”), pro porco-espinho ator, pro telefone missão impossível e pro macaco vigilante (the eye in the sky!), e pro Buzz. O Buzz Lightyear sempre é legal com seu jeito Superman de ser…mas dessa vez os caras chutaram o baldinho pra longe. Muy longe, diga-se – ficou FODÃO. E se eu disser que o filme fecha com uma música dos Gipsy Kings, alguém acredita?