Do Adjacente Possível

(O post abaixo fala sobre idéias, com acentos, do jeito que deve ser. Porque ideias sem acento não tem valor nenhum, ok, acordo ortográfico?)

De onde vêm as boas ideias from BPM Multi on Vimeo.

(Uia! Não conseguia achar esse vídeo legendado nem fodendo, no Youtube, e na primeira busca no Vimeo já encontro ele dublado!)

Eu tô lendo um livro bem bacana, do Steven Johnson, chamado “Where Good Ideas Come From”. O título tem cara de auto-ajuda, né? Tipo, “Seja criativo em 10 simples passos!”, “As 10 Lições de Gerenciamento Que Aprendi com Don Vitto Corleone”, ou coisa parecida. Mas muito pelo contrário – a idéia do livro não é ensinar ninguém a ter boas idéias, mas sim discutir de onde diabos elas vem. A questão central é: sabe aquela história do momento do eureka? Aquele mito da epifania milagrosa que surge num instante e muda tudo? Então, tudo balela. Steven Johnson afirma que os verdadeiros responsáveis pelas idéias são os “slow hunches” – aquelas idéias, opiniões, suspeitas que vão se construindo durante anos na sua mente, algo que você sabe que deve ser verdade, ou algo que tem um certo potencial, mas que por um motivo ou por outro acaba ficando no fundo da sua mente. Até que um dia algo acontece: um outro slow hunch, ou a idéia de outra pessoa, se choca com ele e forma uma nova idéia, mais forte, mais formada e com energia suficiente pra vir à tona. E então a mágica acontece…

Outro ponto bem legal comentado pelo Steven Johnson é a história do “adjacente possível”. Pense no planeta Terra durante sua formação: um amontoado de moléculas básicas, como amônia, metano, água, dióxido de carbono, alguns aminoácidos e etc. Cada uma dessas moléculas pode se combinar com outras, em um número finito de combinações possíveis, gerando novas moléculas, novos blocos de construir. Essas novas moléculas podem combinar entre si novamente, gerando novas moléculas, novos blocos de construir…e continue nessa brincadeira por tempo suficiente, e você terá um planeta, oceanos, continentes, plantas, animais, seres humanos…

O cientista Stuart Kauffman dá o nome de “adjacente possível” para cada um desses grupo de combinações possíveis. No caso da formação da Terra, o adjacente possível engloba todas as reações moleculares possíveis naquele primeiro momento da formação do planeta. Você não poderia ter baleias ou vasinhos de flores no segundo dia do planeta Terra, mas o potencial dessas coisas já estava lá, esperando uma expansão do adjacente possível, a expansão das possibilidades de combinação e recombinação das moléculas. “O que o adjacente possível nos diz é que a qualquer momento o mundo é capaz de mudanças extraordinárias, mas somente certas mudanças conseguem acontecer”. E conforme mais mudanças acontecem, o limite do adjacente possível também expande, possibilitando novas mudanças, novas transformações…e assim por diante.

Steven Johnson linka esse conceito com as idéias. Segundo ele, o cérebro possuiria seu próprio adjacente possível: um conjunto de idéias que, combinadas entre si, dá origem a novas idéias que por sua vez expandem os limites e as possibilidades das recombinações.  Cada idéia nova, seja ela pensada por você ou ouvida numa conversa ou lida num website ou o que seja, expande o nosso adjacente possível e nos permite novas combinações, novos conceitos, pensamentos, idéias, etc, etc, etc. Assim, a chave pra se ter boas idéias é estar constantemente expandindo o adjacente possível.

E isso me deixou pensando: eu mantenho esse blog há sete anos justamente pra isso, pra expandir o adjacente possível. É legal postar aqui, e eu sinto que ficaria meio morto se não tivesse um lugar pra escrever e despejar minhas idéias bobas, mas o maaais legal é quando você consegue se conectar de algum jeito com outras pessoas; é descobrir que outras pessoas leêm o que você escreve e de alguma forma se importam, de alguma forma aquilo move elas a fazer alguma coisa, da mesma forma que acontece comigo quando leio algo legal, ou descubro um outro blog interessante. Por todas as pessoas maravilhosas e fodonas que esse blog me permitiu e permite ter contato, já vale mil vezes o esforço de mantê-lo. E blog não é grande, nunca teve mais do que uns 100 acessos diários, nem tenho a pretensão que ele se torne grande – pelo contrário, pequeno é mais legal, porque você acaba conhecendo todo mundo que acessa aqui…ou quase. (Anônimos sempre existirão, e eu também sou anônimo na maior parte do tempo XD ). O que quero dizer é: “Yo no tengo tantos, pero los que tengo son de oro”, nas palavras do Fito Paez, em um disco que conheci por causa do adjacente possível e da dona Chris, dona do maravilhoso “Pequenas Bobagens e Outros Passatempos”.

(Tá, e agora tá na hora de ir pra faculdade antes que a van passe e me deixe aqui XD)

Os Mandamentos Paradoxais

“Pessoas são ilógicas, insensatas e só pensam em si mesmas. Ame-as mesmo assim.
Se você for gentil, será acusado de ter motivos egoístas ocultos. Seja gentil mesmo assim.
Se você obtiver sucesso, ganhará alguns falsos amigos e verdadeiros inimigos. Suceda mesmo assim.
O bem que você fizer hoje será esquecido amanhã. Seja bom mesmo assim.
Honestidade e franqueza lhe farão vulnerável. Seja honesto e franco mesmo assim.
Os maiores homens e mulheres com as maiores idéias podem ser alvejados pelos menores homens e mulheres com as menores mentes. Pense grande mesmo assim.
As pessoas torcem pelos perdedores, mas seguem apenas os vencedores. Lute por alguns perdedores mesmo assim.
O que você passou anos construindo pode ser destruído em uma noite. Construa mesmo assim.
As pessoas precisam de ajuda, mas irão te atacar se você ajudá-las. Ajude-as mesmo assim.

Dê ao mundo o melhor de si, e você será chutado nos dentes. Dê ao mundo o melhor de si mesmo assim.”

Escrito por um certo senhor Kent M. Keith, e encontrado por aí en la internet. Resume bem minha filosofia de vida nos dias chuvosos, resume bem minha mania besta e irresistível de ter fé na vida. E vam que vamo.

Sobre As Segundas-Feiras (parte IV)

- Mas qual o sentido de uma cidade onde não se pode passear durante a noite?

A voz dela parecia se espalhar por todos os lados da grande avenida. O vento jogava seu cabelo pra trás e ela o encarava de nariz erguido, com um sorriso que poderia chamar pra briga qualquer uma das forças da natureza.

- Quer dizer, olha só isso aqui! Não é perfeito?

Ele olhou, e subitamente entendeu o que ela queria dizer. A lua e os postes de iluminação travavam uma batalha inglória contra a escuridão da noite. Todo o movimento ininterrupto do dia parecia ter se esgotado, e os dois eram os únicos a caminhar pela calçada naquela madrugada. Mas ainda mais forte e ainda mais onipresente era o silêncio que reinava. O mundo em silêncio, onde todo e qualquer barulho – a voz dela, os passos dois dois, o barulho de suas roupas ao se esfregar pelo corpo – contava.

- É como se as coisas fossem mais reais… – balbuciou ele.
- EXATO! – e a gargalhada dela parecia maior do que a própria vida. – Droga, eu gosto tanto disso aqui. De andar sem rumo durante a noite, de falar bobagens, de simplesmente…

E de repente ela pareceu ficar sem palavras, e o fitou. E sorriu – o sorriso que podia enfrentar todas as forças e potências do mundo sem perder a compostura. E ele ficou sem jeito, e sorriu de volta – um sorriso que não arriscaria nem xingar uma brisa sem um bom motivo, mas que era de sua própria forma verdadeiro. Ela riu – não dele, nem de seu sorriso bobo, mas de tudo, da vida, do universo e de tudo mais. Porque não havia outra coisa a se fazer, diante daquilo tudo, diante da enormidade e da absurdidade e da maravilhosidade daquilo tudo, a não ser rir – e deixar que tudo acontecesse. E então ela se lembrou do que vinha falando antes.

- Mas o que eu quero te dizer é que – olha só, eu poderia te encher de platitudes. A vida é bela. A vida continua. A vida dá voltas, ou era o mundo? Tanto faz. Tudo que vai, volta. Nada está perdido. Na natureza nada se perde, tudo se copia. Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. Seja manso como a pomba, e esperto como a serpente. Dance como se ninguém estivesse olhando. Conte até dez e tente de novo. E mais um monte. Procura na internet, tem centenas de lugares abarrotaaaados de platitudes.

A voz dela parecia crescer e gesticular sozinha, e ele a ouvia com atenção. Ela o olhava, tentando decifrar o que se passava atrás daqueles olhos escuros, mas ao mesmo tempo parecia tentar se convencer das próprias palavras que dizia.

- Mas você sabe qual é a verdade verdadeira? Hein? Eu vou te dizer a verdade verdadeira, pela primeira vez em sua vida!

E riu, como se a verdade verdadeira fosse a coisa mais engraçada do mundo. Abrindo os dois braços o máximo que podia, ela começou a girar lentamente sobre seus próprios pés, como se quisesse alcançar o mundo todo num único gesto.

- A verdade verdadeira é que eu não sei. Você não sabe. Ela não sabe. Eles não sabem. Ninguém nessa madrugada inteira sabe. E tooooodo mundo vai se virando do jeito que consegue, e reza com força pra que no final tudo dê certo.

E nesse momento ela terminava sua rotação sob si mesma, e com o sorriso que faria deuses descerem do olimpo encarou-o novamente – mas ele não estava mais lá.
Agora só havia ela na grande avenida vazia na madrugada. E, para não deixar a verdade verdadeira sem ser pronunciada, disse pra si mesma, pra ele, pro silêncio da noite e pra qualquer um que quisesse ouvir:

- E no fundo é essa a beleza de todas as coisas, não é?

E sorriu, um sorriso que não enfrentaria ninguém, mas que ficaria ali pra sempre, porque certos sorrisos permanecem pra sempre. E pensou consigo mesma, “Bom, nada mal pra uma segunda-feira que acaba de começar”.

Da Pressa e do Grito

Eu tenho pressa. Corro contra o relógio. Hoje uma menina de 17 anos me surpreendeu, com trinta vezes mais sabedoria e atitude do que eu jamais conseguir ter em meus 27 anos. “Eu não sei quando eu vou morrer, então eu quero fazer tudo o que puder” não é uma filosofia nova…mas ouvir isso da boca de uma pessoa tão nova (e tão genial, admita-se), me fez sentir tão velho e babaca que sei lá. Eu aqui com minhas picuinhas, com meus desejos e sonhos que sempre ficam pra mais tarde, com todas as coisas que ficam pra mais tarde, pra amanhã, pra uma oportunidade melhor, pra quem sabe quando. E se eu fosse embora amanhã, o que ficaria? “Aqui jaz mais um que quase chegou lá, mas desistiu porque dava muito trabalho”. O tempo é curto.

E perde-se tempo demais esperando as portas se abrirem, esperando por sinais, esperando que o tempo mude, esperando a hora certa, o momento exato, a condição ideal, esperando, esperando, esperando. É preciso chutar as portas, criar os próprios sinais, trazer o vento e a tempestade e a chuva e o sol na marra. Eu caí na estrada, me meti numa fria de faculdade/empresa/pesquisa que só tende a ficar mais caótica com o passar do tempo, e preciso confessar que fazia tempo que não me sentia tão VIVO. Mas eu sinto que tenho que fazer muito mais, sinto que preciso ir muuuito mais longe. E que não posso ficar perdendo tempo parado. Que não posso e não quero mais imaginar como teria sido se tal coisa X tivesse acontecido em tal momento Y. Que posso me dar ao luxo de dizer NÃO pra tudo que me incomoda e me atrapalha e me prende. Que posso levantar minha voz e dizer o que eu penso, que tenho direito e dever de brigar por mim mesmo e por tudo que me importa, ou de dar as costas e ir embora se eu me cansar. Que não posso ficar correndo atrás das pessoas, e que quem realmente se importa com você dá um jeito de fazer parte da sua vida, e você não tem que ficar implorando peloamordedeus pra que isso aconteça. Que eu devo tentar fazer tudo o que eu conseguir, mesmo que fique uma bosta, mesmo que ninguém se importe, mesmo que dê errado, mas eu preciso meter a cara e parar de me esconder atrás de justificativas. Porque se tem uma verdade nessa vida, ela é a seguinte: quem quer faz, quem não quer arruma justificativas. E sinceramente nos últimos tempos eu quero que todas as justificativas se fodam, principalmente (mas não só) as minhas.

Eu ando com uma vontade maluca de gritar. Meio sem motivo, meio pelo simples prazer de berrar, meio pra exorcizar meus demônios. Ando incomodado, algo coçando aqui dentro, fico procurando as palavras pra botar pra fora e não acho – só encontro um grito lá dentro. Não é um grito de desespero, não é um grito de raiva, não é loucura – é algo diferente. E tem sim desespero, raiva e loucura nele, mas não são esses sentimentos a chave. Eu sinto que tô mudando, me sinto bem diferente de um ano, dois meses, duas semanas atrás. De ontem mesmo. Algo mudou aqui dentro, alguma coisa se partiu e uma ficha caiu, mas principalmente as portas se abriram e tudo mudou. Talvez a vontade de gritar sejam as dores do parto de algo que precisa nascer, algo que ficou anos e anos esperando pra nascer e agora tá saindo à força. Me sinto cansado, mas me sinto cansado de esperar – pelos outros, pelo mundo, principalmente por mim mesmo. Isso tudo que eu escrevi parece cheio de raiva, mas na verdade é o contrário. Eu tô bem, me sinto bem, e sinto SEI que estou no caminho certo. Eu caí na estrada, finalmente, e não quero mais olhar pra trás. E quem quiser que venha junto.

“…porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações…” – Jack Kerouac, um sábio filho de uma puta.

Sobre As Segundas-Feiras (parte III)

( As pessoas costumam não gostar das segundas-feiras. Porque ela vem depois do domingo, porque ela significa ter que acordar cedo e voltar pra suas rotinas sem graça – mas não é culpa não é da segunda-feira que as rotinas das pessoas seja um pé no saco. Mas segundas-feiras são fabulosas e possuem um encanto que é só delas. Esse post – essa série de posts, semanais e tal – é uma tentativa de mostrar as coisas incríveis que acontecem somente durante as segundas-feiras. Eu ainda não sei direito para onde essa série está indo, mas tenho vontade de levá-la para lugares mais estranhos do que anteriormente planejados. Vamos ver aonde isso dá. )

Isto se passou a muito tempo atrás, na Bagdá imortalizada nas Mil e uma Noites, durante o Califado de Harun al-Rashid. “Ha”, pode pensar o nobre leitor, “Não existiam segundas-feiras no calendário árabe!”. E eu serei obrigado a responder: ssshhhhh! Segundas-feiras sempre existiram, e foi em uma segunda-feira ensolarada em que Azab ibn Nawfal passeava pelo mercado de Bagdá quando ouviu os acordes que mudariam sua vida. É preciso que você saiba que o mercado de Bagdá nessa época era o maior e mais maravilhoso de todo mundo – onde todas as mercadorias possíveis de serem imaginadas eram comercializadas, desde um mero tapete encantado com o poder de voar até o lendário e misterioso ovo negro da ave fênix. O mercado de Bagdá era um universo em miniatura de cores, formas e sons – e talvez por isso Azab tenha diminuído o passo para ver um músico, quase pálido e cinza diante da imensidão de cores do mercado, tirar um violino da bolsa e começar a dedilhar o instrumento. Primeiro brincando, como se testasse as cordas, como se testasse as notas para ver se elas ainda estavam ali – e depois criando um ritmo, uma melodia simples, quase tola, que fez Azab sorrir sem querer. A melodia agora se repetia em sua mente, dançando entre seus pensamentos e revirando suas memórias. Em um espaço de segundos aquelas notas dedilhadas haviam se tornado parte da alma de Azab, e eles jamais esqueceria delas – mas é óbvio que naquele momento ele não perceberia. Ele estava mais preocupado em continuar andando e evitar trombar com outros transeuntes, e nessa preocupação ele percebeu que o músico agora começava a tocar o violino de maneira apropriada. Azab pensou em se virar. Azab pensou em continuar andando. Azab pensou mil coisas, e em todas essas mil coisas havia o toque das notas dedilhadas, desde já alterando o curso de sua história.

Muitos anos depois, Azab se perguntaria o que aconteceria se ele não tivesse ouvido aqueles acordes. Se ele tivesse acordado mais tarde, se ele tivesse virado uma rua antes, se o músico tivesse demorado mais trinta segundos para começar seu trabalho. Sua vida seria totalmente diferente, seus passos seriam outros, suas decisões seriam guiadas por outra estrela, e ele não conheceria as maravilhas e os dores que a jornada lhe proporcionara, e ele não teria ganhado tanto, e ele não teria perdido tanto, e suas cicatrizes teriam nascido de outras histórias e não daquelas que ele agora contava para quem quisesse ouvir. Tudo, tudo seria diferente. Melhor ou pior, só cabe a Alá e as senhoras que fiam nossos destinos saber. Tudo que Azab sabe, e aprendeu naquele momento, é que certos sons, uma vez ouvidos, jamais podem ser desouvidos.

Internas

Desistir é fácil. Parte de ti diz que é tudo inútil, que é mais fácil se resignar e desistir e ir embora, saída do palco pela esquerda e até a próxima.

Lutar exige força, coragem, insistência. Parte de ti arregaça as mangas, cerra os dentes, quer pular no ringue quantas vezes forem necessárias.

E outra parte diz que essas duas partes vão estar sempre perseguindo uma à outra, e que essa dança no escuro só causa a exaustão. Que algo precisa mudar fundamentalmente aqui dentro, antes que qualquer mudança externa possa ocorrer. Que é preciso reconstruir tudo, repensar tudo, achar a raiz do problema e arrancá-la com força. Que mais do que desistir ou lutar, é preciso aprender – e mudar.

Mas como se faz isso, eu pergunto. E ela diz que não sabe, que é só uma parte de mim que já se cansou de tantos erros e derrotas e oportunidades perdidas.

Sobre As Segundas-Feiras (parte II)

( As pessoas costumam não gostar das segundas-feiras. Porque ela vem depois do domingo, porque ela significa ter que acordar cedo e voltar pra suas rotinas sem graça – o que não faz sentido, pois a culpa não é da segunda-feira que as rotinas das pessoas seja um pé no saco. Mas segundas-feiras são fabulosas, fantásticas, e possuem um encanto que é só delas. Esse post – essa série de posts, semanais e tal – é uma tentativa de mostrar as coisas incríveis que acontecem somente durante as segundas-feiras, e de cuja existência vocês jamais suspeitariam pois estavam ocupados demais reclamando de um dia da semana inocente. )

Existem infinitas lendas que rondam os gatos. Sete vidas, nove vidas, trazem má sorte se cruzam um caminho, trazem boa sorte se vivem na sua casa, enxergam fantasmas, e vários outros poderes sobrenaturais. Superstições com cachorros? Não lembro de nenhuma. Mas sobre gatos existem infinitas. Aqui vai mais uma:

Toda segunda-feira a Lua escolhe um gato, entre os milhões de gatos que existem no mundo. Assim que o domingo se transfoma em segunda, o felino saberá instintivamente que algo está pra acontecer, e correrá para fora da casa de seus “donos”, para longe da vista dos humanos. A transformação acontecerá rápida, sem dor e quase instântanea: num minuto um gato, noutro minuto um homem. É um acordo estranho, feito entre Lua e felinos a muito tempo atrás. Os gatos deixariam os humanos pensarem que são os reis da criação, mas a cada semana um embaixador felino visitaria o mundo dos humanos durante um dia inteiro, para observar como andam as coisas.

Cada gato recebe este presente de uma maneira diferente. Alguns simplesmente aproveitam a oportunidade para conhecer os humanos – se misturar entre eles, tentar entender como eles pensam e como vivem em sociedade – quase uma missão antropológica. Outros encaram como uma missão educacional: se vingam de quem maltrata gatos, recompensam quem os trata bem, e espalham lendas e superstições para incutir o medo de felinos no coração dos homens. (Também conta-se que nesse dia especial o gato transformado em humano pode transformar um humano em gato. Os detalhes e os motivos de tal transformação escapam do objetivo desse relato – mas talvez em outra segunda-feira nós voltemos nesse assunto.)