Olá, Máfia Russa

Postado por Enrique em 25 de janeiro de 2010
  • Aí eu achei um apartamento MÓ-DA-HORA lá em São Paulo, por um preço quase-aceitável (mais sobre isso no próximo tópico), numa rua sossegada, com uma localização MÓ-LEGAL com TUDO por perto…supermercado, banco, lojas variadas, ônibus, e um bar-rock na esquina (show da semana passada: cover do Iron Maiden). Fiz a proposta pro tiozinho da imobiliária, que está esperando o OK do proprietário…o detalhe é que tem mais gente interessada no apartamento, e que haviam até mandado a documentação mas foi rejeitada sabe-se lá porquê. Tô em clima de rezas, preces, promessas, simpatias e articulações místicas variadas pra dar tudo certo.
  • Sobre o preço quase-aceitável: cara, que PUTA diferença entre o preço de aluguéis no interior e na capital. Todos os apartamentos que eu vi estavam na faixa de 700 a 1000 reais, apartamentos de 1 quarto, estilo pocket-quitinete, e nenhum deles era graaande coisa…com exceção do mencionado ali em cima. Lá em Ilha Solteira a gente morava numa casa de 3 quartos, 2 salas, cozinha enorme e quintal do tamanho da casa com 4 pés-de-acerola por 450 reais (rachados em 3 pessoas). Sim, eu sei, são duas situações totalmente diferentes, maaaas…é de se pensar, não?
  • Cêis já viram como são os apartamentos dos hotéis Formule 1 da vida? A idéia é: quarto pra três pessoas, na modalidade “supereconômica”. Eu já vi quartos apertados, mas puta-que-pariu, os caras pegam pesado. O quarto não tem banheiro: tem um armáriozinho com a privada, e um armáriozinho com o box-de-tomar-banho, e a pia fica do lado de fora. É uma cama de casal, com uma beliche em cima dela, de atravessado. Não é por nada não, mas o hotel que eu fiquei durante o show do Iron Maiden e durante o vestiba do Senac saia pelo mesmo preço e era bem mais espaçoso. Tipo, tinha um banheiro dentro do quarto,  um banheiro de verdade. O que os projetistas do Formule 1 tem contra banheiros? “Ah, vamos acabar com essa instituição burguesa, ultrapassada e anacrônica, esses malditos banheiros espaçosos! Dignidade nunca mais!!”. Vai entender…
  • Achei lá na FNAC de Sumpaulo: os contos completos do Sherlock Holmes e a obra completa do Edgar Allan Poe, in engrish, mil e tantas páginas cada um,  por 23 contos cada. Fui obrigado a levá-los na hora porque, porra, é o Sherlock Holmes e o Allan Poe completinhos por menos de 50 pilas.
  • Esse blog anda sendo atacado diariamente por spammers russos. Pelo menos eu acho que são spammers. Todo dia eu abro o blog e vejo que tem uma média de 40 a 50 comentários bloqueados, todos escritos no alfabeto russo, que o akismet bloqueia e apaga automaticamente após um tempo. Eu, curioso que sou, vou lá ver se não tem algum comentário de verdade capturado entre os spams…mas que nada, são todos em russo. Alguns são blocos enormes de texto, outros são cheios de interrogações e exclamações, alguns são compostos de dois ou três caracteres russos. Temo que meu blog tenha se transformado em um ponto de encontro da máfia russa, e que eles estejam utilizando minhas caixas de comentário para organizar suas atividades. Alguém sabe dizer “exijo minha participação nos lucros” em russo por aí?

Quadrinhos e Desenhos Pra Todo Mundo

Postado por Enrique em 19 de janeiro de 2010

Eu já mandei vocês irem ler Macanudo? Sim, Macanudo, do Liniers? Porque tipo, é a segunda MELHOR tira sendo feita atualmente. Coisa foda, mesmo, de se tirar o chapéu. Ou de comprar um chapéu e tirar ele, se você não tiver um chapéu. “Ah, mas eu não hablo español”. Não se faça de estúpido, meu filho, faz um esforcinho, pede ajuda pro google translator se o caso for grave, mas vai lá ler. Pelo amor da tua alma, ó infiel.

A primeira MELHOR tirinha, claro, são as do Laerte. (hmmm, singular pra plural num piscar de olho, mas são seis da manhã e a concordância está dormindo). Vão lá no Manual do Minotauro e passeiem pelos arquivos todos. Não se esqueçam de ler Songbook, os Pintinhos, Minha Guerra Mundial e a “incompleta pero insana demais pra ser ignorada, porra, tem o Lenin se pegando com o Trotski” 10 Tiras Que Abalaram o Mundo.  Aaaaah, e olhem o Intercâmbio também.

Essas últimas tiras do Malvados, “Quadrinhos dos anos 10″, estão ficando realmente boas. O Dahmer e seu ótimo/péssimo hábito de deixar a gente inconfortável logo cedo com coisas como “E quando anoitecia, as pessoas praticavam uma forma bizarra de solidão em grupo”. Falando nisso, vocês já leram o “Monumento ao Jovem Monolito“?

Zatanna

Fechando o post matinal, o Hiro desenhou a Zatanna, mais uma de suas Fast Girls. Acho que foi o Pedro quem disse que uma boa maneira de escolher uma namorada é saber se a guria fica bem nas roupas da Zatanna. E…ah vá, não tem como discordar. As Fasts Girls são garotas desenhadas rapidamente pelo Hiro, e são incofundivelmente fodásticas.

Ah…quatro rasgações de seda, e uma chapoletada. Todo santo dia eu dou uma chance, abro o jornal e leio a tirinha, mas não vejo graça alguma. Alguém aí vê graça das tirinhas do Caco Galhardo, ou sou só eu que funciono na frequência oposta ao cara? Coisa mais sem graça da porra…

De Labirintos e Minotauros

Postado por Enrique em 14 de janeiro de 2010

(Jorge Luis Borges é um dos escritores mais fantásticos de que se tem notícia. Ao contrário de outros contistas que focavam sua atenção em personagens, sentimentos e acontecimentos, Borges dedicava-se a brincar com conceitos vários, tais como espelhos, labirintos, infinitudes, probabilidades, identidades, realidades, verdades…como seria um livro que contivesse em si todos os livros já escritos? Como seria viver recluso em uma biblioteca onde existem todos os livros que podem ser escritos, em todos os idiomas, alfabetos e tipos de sinais conhecidos? Como seria olhar através de um objeto que contém todos os pontos do universo?

O texto abaixo é uma brincadeira com labirintos – do mesmo jeito que uma criança pega uma revistinha do Pato Donald e copia os traços para desenhar seu herói, eu peguei o conceito de labirinto e brinquei com ele, tentando imitar alguns dos traços de Borges, tentando contar uma história ao seu estilo. E tal qual a criança desenhando o Pato Donald, pode ter ficado uma bela bosta, mas eu estaria mentindo se dissesse que não me diverti tentando. :D )

O labirinto cretense só possui uma única direção. Em seu interior não configuram-se as bifurcações, os finais falsos, as idas e vindas tão comuns nos labirintos de jardim, tão popularizadas pelas revistas de passatempos. Sempre em frente segue o labirinto, e isso talvez confunda os observadores incautos. Qual o sentido de um labirinto que só segue uma única direção, em que somente anda-se para frente ou para trás, sem bifurcações e sem escolhas, aonde é impossível a perda do senso de direção e de espaço? Como é possível se perder em um labirinto que segue sempre em frente?

Como é possível se perder em um labirinto que segue sempre em frente?

Quando foi a primeira vez que percebi meus lábios formarem esta pergunta? De quem esperava uma resposta? Quando foi que parei de murmurá-la? Durante muitas eras vaguei, durante séculos segui em frente, em frente, sempre em frente, sem nunca chegar ao centro do labirinto, sem nunca encontrar nem a sombra do lendário minotauro que deveria ser morto pelo aço de minha adaga. Eternidades passei caminhando, e num lapso de segundo a fagulha da dúvida se acendeu em mim para nunca mais se apagar, para jamais me deixar sozinho novamente. Frente, frente, sempre em frente, mas…e se eu estivesse voltando? Eras e eras caminhando, eras e eras dormindo e acordando e voltando a caminhar, eras e eras virando-se para trás, eras e eras olhando para o alto, eras e eras de possíveis distrações, de possíveis confusões, de possíveis erros e mudanças de direções. Diante de meus olhos, a pedra fria das paredes do labirinto,  o teto cinza e o chão de terra batida, a penumbra constante que enganava a visão. Seria possível? Bem, tanto maior o período de tempo decorrido, maiores as chances de qualquer coisa ocorrer. Quem iria dizer que eu nunca errei meu caminho? Quem me provaria que eu nunca acordei um dia e comecei a voltar pelo caminho, sem perceber que estava errando? Eu poderia, a partir de agora, escolher uma única direção e segui-la em frente. Eu prestaria atenção, eu tomaria todos os cuidados, usaria de marcas e guias e toda sorte de recursos, eu evitaria de todas as formas o erro.

Em dez ou doze eternidades, me tornei paranóico. Não dava um passo sem revê-lo três ou quatro vezes. Me recusava a olhar para trás  (e todos os meus instintos queriam olhar para trás, me dizendo que eu estava indo pela direção contrária). Queria evitar o sono, queria seguir sempre em frente, queria nunca mais dormir, e continuava querendo até cair no chão exausto e acordar séculos depois, sem ter idéia da direção que estava seguindo.

A sanidade um dia me abandonou finalmente, ignorando todos os meus protestos, rejeitando todos os meus pedidos. Três eras depois ela retornou, por não haver aonde escapar em um labirinto sem direção. Novamente são e eternamente sem direção, abandonei a paranóia e a insegurança que arrastava pelos corredores eternos, assim como rejeitei a idéia absurda de chegar ao centro do labirinto e desmembrar o minotauro. Em frente eu seguiria, sempre em frente, frente, frente, e a frente seria qualquer direção em que eu me movesse. Tanto maior o tempo decorrido, maiores as chances de qualquer fato ocorrer. Quando o tempo necessário tiver se passado, eu finalmente encontrarei o minotauro no centro do labirinto. Nada será dito, nenhuma palavra entre nós será trocada. No chão eu me ajoelharei, e com minha adaga forjada do mais puro aço desenharei um tabuleiro no chão de terra batida.

(…Embora algo em meu peito diga que o tabuleiro já se encontra desenhado, enquanto o adversário aguarda pacientemente pelo meu próximo movimento.)

Estradas pra Lugares Estranhos…ou YAAAYY!

Postado por Enrique em 10 de janeiro de 2010

Alguém mais esperto do que eu já disse que a vida é um adventure game. Você vai juntando itens bizarros, sem saber o que eles estão fazendo ali e sem entender o que o impele a pegá-los todos e guardá-los em seu bolso sem fundo. E aí, de vez em quando, você olha no bolso e vê aquele monte de coisas: a galinha de borracha com uma polia na barriga, a peruca infestada de piolhos, o guia de conversação da língua dos peixes-bois, a caveira falante com ímpetos de dominação global, etc, etc, etc. Mas o que fazer com essa tralha toda? Aonde é que tudo se encaixa?QUAL item eu uso AONDE e depois com QUEM eu falo pra passar de fase? As possibilidades são muitas, é tudo muito nebuloso, nada faz muito sentido até que uma hora…BANG! A coisa toda faz sentido, e é bonito de se ver.

Finalzinho de 2008, eu decidi que não ia mais continuar na engenharia e que iria procurar um trabalho que me interessasse de verdade. A idéia era recomeçar do zero ou quase: juntar grana pra poder largar o emprego e me manter durante um tempo, enquanto eu começava um novo curso e procurava um novo emprego. Nunca foi um plano muito claro, e esse é um dos meus defeitos: meu planejamento deixa MUITO a desejar. Estilo adventure game mesmo, entendem? Juntando idéias, pedaços de planos, possibilidades, conhecimentos randômicos, riscos calculados e nem-tão-calculados-assim. Quanto mais eu tento evitar essa randomicidade toda, mais eu me enfio de cabeça nela. E o mais bizarro…é que funciona!

(Deve ser por isso que meu segundo personagem preferido do Guia do Mochileiro é o Zaphod)

(Deve ser por isso que meu segundo personagem preferido do Guia do Mochileiro é o Zaphod)

E as coisas foram acontecendo. A tal da grana foi sendo juntada (aos poucos, verdade seja dita), pedi demissão lá pelos idos de setembro (mas até eu me mandar efetivamente de Salvador foram uns bons três meses), pensei e repensei sobre o que eu queria fazer da minha vida (cheguei a conclusão que queria ser pirata), prestei vestibular no Senac de Sumpaulo pra saber se conseguiria passar num vestibular, e acabei passando bizarramente e inesperadamente bem. E aí eu saí de Salvador e voltei pra casa com todas essas peças no bolso, sem saber direito o que fazer com elas. Minha idéia inicial era: ótimo, dou conta do vestibular, então em janeiro eu começo a procurar emprego em São Paulo e assim que estiver me estabelecido por lá eu começo a faculdade. Não era bem um plano, era mais um “vamver o que acontece”. Mas aí…

Aí apareceu um EMPURRÃOZÃO, que fez todas as peças se encaixarem de uma vez só. Quarta-feira passada eu fui pra São Paulo fazer matrícula na faculdade, e devo voltar pra lá já na próxima semana (sem ser nessa, na outra) pra ir atrás de um lugar pra ficar. Dia 8 de fevereiro é a primeira aula da faculdade, e o começo efetivo de tudo que eu “tramei” durante 2009. Como diz uma certa moça muito estimada, “YAAAAAAAYYYYYY!!”.

E aqui vamos nós! O frio na barriga é imenso, não sem uma certa parcela de medo e receio…mas a vontade de se jogar e ver no que vai dar é maior, BEM maior. O primeiro passo da jornada é aceitar o chamado, diz Campbell. E eu pedi por esse chamado, caralho, como eu pedi. Agora é questão de ir fundo, aproveitar a chance que me está sendo concedida e dar o melhor de mim. E vamquevamo!

hellboy

Seja Bemvindo, 2010

Postado por Enrique em 4 de janeiro de 2010

E aí eu abri o blog do Neil Gaiman, e lá tinha um vídeo dele no show da Amanda Palmer, minutos após a virada do ano, dizendo alguns desejos e recomendações para o ano que acabava de nascer. “Oras, que ótimo! O sr. Gaiman acaba de me poupar o trabalho de escrever alguma coisa sobre a virada do ano! É por isso que ele é o meu segundo inglês favorito!”

(O primeiro sendo o Terry Pratchett. E se alguém se perguntou “mas e o Sean Connery?”, lembrem-se: ele é escocês)

Mas aí assistindo o vídeo, lembrei que o Neil Gaiman usou o mesmo texto em seu post de feliz-ano-novo do ano passado. E, pra piorar, eu TAMBÉM copiei o texto dele, traduzi e botei no blog na maior cara dura no ano passado. Hmpf.

Mas aí pensando cá com meus botões…2009 foi um ótimo ano. Pensando bem…um Ó-T-I-M-O ano. Cheio de pessoas fabulosas, de conversas incríveis, de novos pontos de vista, de mudanças externas e internas, repleto de epifanias, elucidações, revelações e fichas caindo. Foi um ano engraçado, emocionante, revigorante em vários sentidos…creio eu que o texto do Neil Gaiman foi bastante efetivo. E, vamos combinar, o sr. Gaiman bota pra foder sempre.

Então…porque não? Seja bemvindo, 2010 (E tu já chegou chegando! Daqui alguns dias eu conto mais sobre as novidades!)!

Que seu ano seja repleto de magia e sonhos e de boa loucura.

Espero que você leia ótimos livros, beije alguém que pense que você é maravilhoso, e não se esqueça de criar alguma arte. Escreva ou desenhe ou construa ou cante ou viva de um jeito que só você consegue.

Que seu ano seja uma coisa maravilhosa, em que você sonhe sonhos perigosos e sem limites. Que você crie algo que nunca existiu antes, que você seja amado e que você seja apreciado, e que você tenha pessoas para amar e apreciar em retorno.

E, mais importante (porque eu penso que deveria haver mais bondade e mais sabedoria no mundo) que você, quando necessário for, seja sábio, e que você seja sempre bom.

E eu espero que, em algum lugar do próximo ano, você surpreenda a si mesmo.

~Neil Gaiman

Batman: Arkham Asylum

Postado por Enrique em 29 de dezembro de 2009

O mundo possui uma boa porção de leis e fatos imutáveis que raramente são botados no papel, mas nem por isso deixam de ser verdade. Uma dessas leis é “Jogos baseados em heróis, filmes e licenças em geral nunca são essencialmente fodásticos”. A própria razão de ser desses jogos meio que impede que eles sejam bons – são jogos feitos pra aproveitar o lançamento de um filme ou o sucesso de um desenho animado, ou então porque algum executivo de alguma editora resolveu se perguntar porque diabos eles não participam mais ativamente da “lucrativa indústria de jogos eletrônicos”. Em resumo, são jogos feitos pra se ganhar dinheiro (não que isso seja errado), feitos na pressa para se aproveitar o sucesso da licença, com executivos gritando sobre como “as pesquisas mercadológicas dizem que os jovens de hoje em dia preferem FPSs online, seja lá o que for isso” enquanto os gamedevs tentam explicar (sem sucesso) que um FPS online do Alvin e os Chipmunks não faz nenhum sentido.

Claro, existem exceções. Mas pouquíssimas exceções espreitam sua lei de origem durante a noite, fazendo-a cagar de medo antes de saltar em sua frente, confundindo-a com sua longa capa negra e cobrindo sua cara de porrada, tudo no mais absoluto silêncio. Mas é claro, nem toda exceção é um jogo do Batman.

E que jogo do Batman, puta que pariu. Pra começo de conversa, a história foi escrita pelo Paul Dini – escritor e produtor de todas as temporadas do desenho do Batman (E de boa parte dos outros desenhos da DC também. E ele também escrevia roteiros pros Animaniacs! Vai dizer, o cara merece respeito). Tudo começa numa noite como outra qualquer, com o Batman levando o Coringa de volta para o Asilo Arkham, após uma tentativa frustrada de assassinar o prefeito. Como um bom cavalheiro, Batman resolve acompanhar o caso antigo até sua cela , provavelmente esperando um beijinho de boa noite. Mas é claro que tudo vai pra bosta: Harley Quinn toma conta do sistema de segurança do Arkham, solta todos os detentos enquanto o Coringa escapa para DENTRO do asilo e se nomeia Chepete (chefedessaporratoda). Só tem um cara macho e maluco o suficiente pra adentrar um sanatório fora do controle, abarrotado de presidiários comuns, malucos de pedra, psicopatas insanos e supervilões em geral, e sair descendo a porrada em todo mundo até botar tudo de volta nos trilhos: o Batman. Se você pensou “ei, isso lembra o gibi Asilo Arkham!”, eu digo: exato! A idéia básica é a mesma, mas enquanto o gibi puxa BEM mais pro lado do terror psicológico, com desenhos do Dave Mckean e o caralho a quatro, esse jogo segue a linha da ação mesmo, parecendo bastante com os roteiros dos desenhos.

Em termos visuais o jogo é impecável, a começar pelo próprio personagem principal. Eles usaram o Batman do Jim Lee como base, que eu particularmente não acho tããão legal…mas porra, é o Batman! Sombrio e enigmático, com a capa negra flutuando atrás dele…duvido que exista alguma pessoa que não passou os primeiros (quem sabe até os últimos) minutos do jogo babando na capa do Batman. Ela flutua atrás dele, se movimenta lindamente quando você pula, rola no chão, se joga pro lado e faz o caralho a quatro. E quando você anda calmamente (porque o Batman é tão foda que ele pode se dar ao luxo de andar calmamente num sanatório infernal), ela se arrasta atrás de você, da maneira mais Batman possível. (E eu acabei de escrever quatro linhas sobre a capa do Batman. É isso aí). Os vilões também estão foda…nada de Coringa baseado no Heath Ledger, aqui temos o Coringão clássico de terno roxo e sorrisão travadaço que aprendemos a amar, odiar e temer. O Croc ficou MUITO legal, gigantesco e medonho. A Hera Venenosa usa uma calcinha de folhas, e isso é tudo que eu preciso falar. A Arlequina é a Arlequina, maluquinha e escrotinha como sempre, e palmas pra dubladora dela. (Ah, uma palavra sobre os dubladores – são os mesmos do desenho! Até o Mark Hammil fazendo a voz do Coringa!).

E o visual do Asilo…puta que pariu. Sabe o tipo de jogo que você perde tempo só olhando os cenários, tamanha a atenção que os caras tiveram com detalhes? O jogo inteiro se passa na ilha do sanatório, que se divide em várias alas…ala de tratamento intensivo, penitenciária, mansão, jardim botânico (construído pra guardar a calcinha de folhas da Hera Venenosa). Sem falar nas áreas externas, que funcionam como hub entre as fases, e as cavernas abaixo da ilha. O cenário é tão lindo e tão foda, que você fica passeando por todas essas áreas, caçando detalhezinhos e referências que os caras colocaram. Tem a exibição de guarda-chuvas do Pinguim, as armas originais da Mulher-Gato, tem a cela do Duas Caras, a cela do Calendário, o prédio das organizações Wayne no horizonte…tem literalmente centenas de coisinhas. (E você ganha pontos ao achar essas referências, com o sistemas de desafios do Charada.)

Sobre o jogo em si…sabe beat-them-up, tipo Final Fight? Sabe Metal Gear? Sabe Metroid? Sabe Prince of Persia (a franquia nova)? Batman pega os melhores detalhes desses jogos, refina eles (na base da porrada, porque é o Batman) e entrega um jogo novinho, quase sem defeitos. De Final Fight ele toma as porradas: nosso amigo Batman senta a mão em 4, 6, 8, 20 inimigos desarmados de uma vez só. É MUITO legal sentar a mão nos caras, e você pode (e deve) usar seus brinquedos como o batarangue e o bat-cabo-de-aço-com-um-ganho-na-ponta pra fazer a experiência o mais dolorosa possível para os inimigos. Tem sisteminha de combos, golpes especiais e etc, nada muito complexo mas bastante satisfatório.

De Metal Gear…cara, o Hideo Kojima a séculos tenta fazer um sistema stealth pro Metal Gear, sem grande sucesso. Os motivos são a) os controles de Metal Gear são uma bosta e b) Depois que você pega armas fodas, o sistema stealth que se foda, eu vou é metralhar todo mundo. Batman resolve isso, com uma mão nas costas…ou melhor, pendurado numa gárgula, de cabeça pra baixo, espreitando os inimigos. Sim, dá pra fazer isso no jogo. A idéia é matar os inimigos sem que eles percebam e sem causar alarde, da maneira mais legal possível…e Batman consegue isso com perfeição. Os controles do jogo são fluidos, bem feitos, intuitivos e fáceis de usar. Um botão pro batarangue, um botão pra usar o cabo de aço e subir nos prédios/gárgulas, um botão pra andar agachado, etc e tal. É fácil aprender COMO fazer as coisas, de modo que você se preocupa mais na estratégia em si (estratégia sendo “como eu faço pra matar todos eles da maneira mais estilosa possível, de preferência deixando todos pendurados nas gárgulas”). O jogo te força a usar esse modo stealth em vários cenários, porque o Batman é especialmente vulnerável contra armas de fogo. Espera, vulnerável não é a palavra…bom, Bruce Wayne desaprova armas de fogo, então ele se recusa a encarar de frente os inimigos que usam essas armas.

De Metroid e Prince of Persia vieram a exploração, também feita com muito esmero. O “mundo” é a ilha do asilo Arkham, dividida em setores como eu já disse ali em cima. Você é livre pra explorar cada setor, conforme você vai “abrindo” eles, avançando no jogo e adquirindo novos itens que te possibilitem chegar em novos lugares. Certas alturas só podem ser acessados com o bat-lançador-de-cabo-de-aço, certas paredes só podem ser quebradas com bombas, etc e tal…o mesmo esquema de exploração popularizado por Metroid, mas que eu não esperava ver num jogo do Batman (e que foi uma ótima surpresa, porque eu pago mó pau pra Metroid). Você também tem um modo “detetive”, habilitado com um botão, que muda a visão do jogo para uma espécie de raio-X-radar-visão-além-do-alcance. Nesse modo, você consegue ver todos os inimigos da fase (mesmo que estejam bloqueados por paredes), bem como as paredes que podem ser quebradas, itens relevantes e tudo mais. É essencial pra explorar o mundo e também para planejar os ataques no modo stealth.

Concluindo: o jogo do Batman é um jogo à altura do Batman. Talvez o jogo pudesse ser um pouco mais longo, e o fato do jogo todo se passar somente no Asilo Arkham faz o mapa parecer pequeno (o que não é verdade, ele é grande se você parar pra pensar), mas são reclamações frescas. E vocês sabem o que o Batman faz com os frescos.

(Não sabem? Ele bota uma roupinha colorida neles, e transforma eles em Robin, ora bolas.)

Feliz Natal!!!

Postado por Enrique em 24 de dezembro de 2009