Coisas Geek de um Hobbit Inútil

E não se esqueça da toalha.

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Tentando Fazer Igual

365 Dias de Tumblr

Essa história de “foto bonita + frase platitudística bonitinha” deveria ter cansado faz tempo. Mas não né, todo mundo precisa de um pouco de auto-ajuda em suas mais variadas formas – em música, em filme, em páginas de um livro, numa conversa com alguém de quem gostamos, num momento de contemplação, no meio da multidão no metrô, num exílio na rua principal, ou numa foto bonitinha com uma frase de efeito.

E esse cara se superou: nas fotos lindas, nas frases bacanas, na tipografia bem acertada. São 365 fotos, uma pra cada dia do ano, um projeto que acabou algumas semanas atrás. Dá vontade de salvar tudo, ir lendo com calma, concordando com tudo e sentido aquela vontade de cair no mundo só pra ver o que tem pra ser visto. E então as fotos cumpriram suas missão, e isso é tudo que importa.

Fix It

É como um nó na garganta, que parece não ir embora nunca. Me perseguindo, sempre presente, como um mosquito vermelho.

Medo de deixar tudo desabar. Medo de falhar miseravelmente, de desapontar todo mundo, de todos descobrirem que eu não sou nem um décimo do que acham que eu sou. De que percam a confiança, de que entendam tudo errado. Porque eu erro e erro feio, e esqueço das coisas mais fundamentais e importantes, e tento fazer malabarismos estranhos pra que tudo dê certo no final e todos fiquem bem. E lendo isso eu sei que é suicídio, que é impossível…mas olha só, eu acho que achei meu lugar no mundo, e tenho medo de perder tudo por causa de meus erros, minha falta de jeito, minhas tentativas de fazer tudo e agradar todos, minha desorganização, minha falta de responsabilidade, minha preguiça, minha mania de confundir as bolas, de ser passional demais, de ter medo de avançar, de dar passos largos demais quando eu finalmente decido avançar, de delirar que tudo orbita ao meu redor, de tentar fazer tudo ao mesmo tempo agora.

Argh.

Eu gosto quando as pessoas falam que confiam em mim. Faz uma puta massagem no ego, na auto-estima. Mas sempre vai vir acompanhado desse medo de desapontar, de pisar na bola em maneiras catastróficas e deixar ir tudo pra merda. Acho que eu sempre vou achar que sou um impostor, alguém que calhou de nascer com cara de bonzinho mas que no fundo não sabe o que está fazendo. Mas eu faço o melhor que posso, e as vezes é o bastante, e as vezes não.

Pra Nunca Esquecer

“Listen to the mustn’ts, child.
Listen to the don’ts.
Listen to the shouldn’ts, the impossibles, the won’ts.
Listen to the never haves, then listen close to me…
Anything can happen, child. Anything can be.”

― Shel Silverstein

Voltando

Como era que fazia mesmo? Tinha um lance de juntar as letras, depois as palavras, formando frases que, se pá, faziam algum sentindo quando lidas na sequência – algo como uma narrativa, algo como um argumento. Tipo as aulas de redação da escola, mas nas aulas de redação eu não podia escrever “tipo”. E as concordâncias todas tinham que bater certinho.

Bobeira dizer que eu não sei mais escrever. Depois de anos escrevendo um pouco todo dia, eu sinto falta de dizer o que eu fiz, passar pro “papel” o que eu sinto, tentar traduzir pelo menos parcialmente a bagunça que sempre está presente aqui dentro. Ou então fazer algum comentário sobre o tempo, as coisas, os filmes, livros, quadrinhos, as tais coisas geek no nome desse blog. O que passa é que eu ainda não consegui encaixar esse blog no Plano-Geral-das-Coisas-Atuais. Eu morro de vontade de escrever, mas eu também morro de vontades de tanta coisa que fica foda de encaixar tudo em um único dia de 24 horas. É complicado equilibrar coisas, mas estou tentando – e sei lá, de vez em quando parece que até consigo.

Mas as idéias vão acumulando. Coisas pra falar nunca faltam, coisas pra contar também não – e eu preciso guardar elas, antes que fujam, antes que eu me esqueça de tudo. Hoje na hora do almoço eu imaginei que conseguiria explicar tudo que vai aqui dentro utilizando uma máquina de pinball como metáfora, mas não escrevi e agora a idéia genial já não me parece grande coisa (e eu nem lembro direito como era a história, pra dizer a verdade). Sexta-feira eu queria contar pro mundo que as pessoas não são boas nem más, são só pessoas – mas deixei pra lá, e esqueci o motivo do insight nada profundo, só sei que perdi um post que seria legal de escrever. E eu tinha que falar do Hugo Cabret, mas preciso assistir o Hugo Cabret pra falar dele. E precisava contar de Twin Peaks – cara, que seriado bizarro! – e de Assassin’s Creed, e dos livros que ando lendo, e de tudo que anda acontecendo e tudo.

Talvez o segredo seja esse. Talvez faltassem acumular coisas pra contar, talvez faltasse acumular água no reservatório pra conseguir deixar o fluxo correr e as idéias poderem se misturar umas às outras. Talvez eu volte a escrever todo santo dia sim, santo dia não.

Mas continuemos, e vamos ver onde tudo isso vai dar…

 

Adeus, Wando

Wando morreu.

Acabou-se o fogo, acabou-se a paixão, ficaram as calcinhas. Morre um amante, nasce um santo safado. Quando é que vamos começar o processo de canonização? Imagina lá, o papa com aquela cara de amarrado, perguntando:

- Mas minha filha, qual foi o milagre que Wando realizou?

E a moça ruboriza, dá uma risadinha, olha pro papa pra ver se ele pegou o significado no ar, suspira e se prepara para contar tudo, tudo, tudo. Ah, moça…sei que já não és pura.

Tones of Home

Voltei pra São Paulo, mas minha alma ainda está chegando – deve ter pego uma curva errada em Albuquerque, ou ido tirar umas férias em Águas de São Pedro. Ainda estou estranhando o ritmo da cidade, das pessoas, da correria estabanada pra se pegar um trem, pra se chegar em algum lugar. É só um trem, gente, não se matem assim, daqui a pouco tem outro. Eu acho. Se o Kassab lembrar de paga a conta. Enfim, ainda estou a vinte por hora, mas logo eu acostumo de novo. Só não me acostumo com os babacas correndo na estação de trem.

Em outras notícias, relacionadas: São Paulo me oprime. É sério. Pergunte pra qualquer pessoa que estudou comigo em Ilha Solteira, e dá pra contar nos dedos as vezes que meus amigos me viram usando calça comprida. Nada contra calça comprida, muito pelo contrário, mas eu tenho cá pra mim que no frio você usa calça comprida e no calor você usa bermudas. Porque tá calor, porra, e você não é obrigado a usar calças compridas no calor. Mas São Paulo me oprime. Me sinto um pária quando saio na rua de bermudas, um excluído, um jeca sem modos. Não vejo pessoas de bermuda por aqui! E na faculdade é pior ainda: os poucos que usam bermudas são os maconheirinhos-filhinhos-de-papai. E aí, oprimido pela sociedade paulistana, eu ando sempre de calça jeans mesmo quando tá calor pra cacete.

Mas isso mudou! Hoje eu fui de BERMUDAS pra faculdade – não pra aula, porque ainda não começou, mas pra trabalhar na empresa júnior. Bermudas e tênis – ainda não estou preparado psicologicamente pra sair de chinelo em Sumpaulo.

…Ainda!