Posts com a tag ‘Música’

(That’s really all this was)

terça-feira, setembro 15th, 2009

Suck it in, suck it in, suck it in if you’re Rin Tin Tin
( or Anne Boleyn)
Make a desperate move or else you’ll win
And then begin
To see
What you’re doing to me, this MTV is not for free
( It’s so PC it’s killing me)
So desperately I sing to thee
Of love
Sure!
But also rage and hate and pain and fear itself
And I can’t keep these feelings on the shelf
I’ve tried
( Well, no, in fact I lied)
Could be financial suicide, but I’ve got too much pride inside
To hide
( Or slide)
I’ll do as I’ll decide and let it ride until I’ve died
And only then shall I abide this tide
Of catchy little tunes
Of hip three minute ditties
I wanna bust all your balloons,
I wanna burn all of your cities to the ground!
I’ve found I will not mess around
Unless I play then hey,
I will go on all day
Hear what I say:
I have a prayer to pray
( That’s really all this was )
And when I’m feeling stuck and need a buck
I don’t rely on luck because the hook…

Olhões Azuis e o meu despojamento arrumado

quarta-feira, agosto 12th, 2009

“Why do you let me stay here” já tinha um clipe até que simpático…tá, ok, era tão tosco que era simpático…tá, ok, o clipe era uma bosta, mas tem os olhões azuis e eu não resisto à eles. Até filme do Will Ferrell eu já vi por causa deles. Mas enfim, cada um com seus problemas. “Why do you let me stay here” já tinha um clipe assistível, mas esse clipe novo que fizeram para divulgar o “500 days of Summer” ficou muito legal. E tem os olhões azuis dançando. E usando roupas dos anos 50. E – ah, meu bom Deus – uma faixa no cabelo. Srta. Zooey, mate-me logo, não me torture assim :~

Fazia uma cara que eu não sentia tanta vontade de ver um filme quanto esse “500 Days of Summer”. E não é só pelos olhões azuis – “Yes Man” também tem eles, mas não me animei a ver até agora. O trailer me conquistou de primeira: uma referência aos Smiths logo no começo, a cena mais que perfeita do elevador, a música da Regina Spektor, os olhões azuis, o aviso de que a história tem um final triste, a piadinha do Anal Girl, a música do Hall & Hoates, a sequência estilo-musical, a piadinha do Syd e Nancy no final….”Oh…so I’m Nancy?” fecha o trailer e deixa você murmurando “eu preciso ver essa merda agora oÔ”.

(Conversa na volta do almoço, caminhando com a Manuela do estacionamento até a entrada da empresa.

- Ai, olha aquele guri do Processo. Ele é todo esquisitão, né? Parece que tá sempre sujo…(O guri em questão é um projetista da disciplina de processo, e o cara realmente é como ela fala)
- Uhuuum, ele tá sempre assim, punk for life.
- Ai credo, porque não se cuida? (Aí nesse momento eu olhei pro cara e vi que ele tava de camiseta, calça e tênis velho – bem parecido…comigo. Ah, foda-se, a Manu é minha amigona, vamperguntá…)
- Eu ando desarrumado assim?
- Pffff…você é despojado, mas arrumadinho. Aquele guri é sujo.

E aí eu voltei do almoço contente, protegido pelo conhecimento que sou “despojado” porém limpinho ^^ )

Sobre Chuva e Christopher Walken

segunda-feira, agosto 10th, 2009

Hoje teve garoa em Salvador – coisa pouca, coincidência ou não durou só durante o intervalo entre eu botar o pé pra fora do ônibus e botar o pé pra dentro da empresa. Mas toda chuva leve será perdoada – não incomoda tanto, e deixa o mundo todo com um jeitão wabi-sabi.

Chuva pesada não tem perdão. Se ela vem quando estou em casa e sem perspectiva de sair dela, sem problema: pode acabar o mundo em água, pode mais é alagar o universo. (Consciência social zero) Mas o problema é quando São Pedro abre a super-mega-boga-Ducha Omniversalis Acquorium 3000, com direito a gotas que mais parecem pedradas e ventos fortíssimos e randômicos (daqueles que você coloca o guarda-chuva de lado pra evitar a chuva e num piscar de olhos ele muda a direção e te enxarca pela frente). Sei lá, nada me tira da cabeça que é pessoal, que o problema de São Pedro é com a gente aqui embaixo. “Hoje acordei com vontade de MOLHAR GERAL”, ele deve pensar, nosso nobre santo sociopata.

(Só tem eu no escritório. Rápido, é a chance que esperei todos esses anos, a chance para qual venho treinando exaustivamente todos os dias – dançar igual ao Christopher Walken em Weapon of Choice! Vamos lá, é ago…merda, ainda tem duas projetistas sentadas ali no canto)

Minha ignorância e falta de interesse generalizada pela música eletrônica não me impede de gostar do Fatboy Slim. Talvez porque não se pareça com música eletrônica – as músicas são criativas, tem uma estrutura, os barulhinhos servem pra alguma coisa, as letras não dizem nada mas são legais tipo “you can go with this, or you can with that”. Teve uma época que eu resolvi dar uma chance pra música eletrônica – e baixei uns discos de Chemical Brothers, Daft Punk e mais uns caras que esqueci o nome. Achei tudo uma bela merda e apaguei pra liberar espaço no HD. Mas o Gordinho Magrelo é legal. Por onde será que anda?

Eu ainda ia falar sobre blogs e twitter, mas fica pro próximo post. Ou não.

Em Silêncio, Por Favor

segunda-feira, agosto 10th, 2009

Entenda meu corpo, batimentos por minuto
Minha história e meus quilômetros por hora
Entenda meu canto, meus tantos por cento
Meus contos de réis, tantos por mês
Entenda meu corpo, sal e litros d’água
Por centímetros ao cubo
(em silêncio, por favor)

Foi durante a volta pra casa, no trajeto do ônibus, que percebi que não tinha nenhuma música no mp3 que eu quisesse ouvir. Estranho, porque eu vivo com o fone de ouvido enfiado na orelha pra não ouvir a gritaria do ponto de ônibus, dos ambulantes, dos doceiros, do ônibus cheio…a idéia é formar uma barreira protetora, quase que um pocket universo particular. Sim, eu sei que sou um tanto antisocial, mas é melhor do que ouvir maluquinho gritando AMENDOIM DORAAAADO TRÊIS É UM REAAU todo santo dia.

Mas esse dia eu não tava afim de ouvir nada. E nos dias subsequentes, mais exatamente no fim de semana, isso continuou. Sem músicas, sem barulho, sem guitarras distorcidas atravessando meu tímpano, sem melodias acalentando minha mente, sem letras se instalando nos meus pensamentos, sem…nada. E não foi ruim, por incrível que pareça.

“Isso é terrível! Como pode alguém viver sem música?!” eu pensei.

Mas dá pra viver com um zunido no ouvido o tempo todo? Será preciso mesmo tanto barulho? E não falo em decibéis, eu falo em idéias, sentimentos, sensações que as músicas nos passam. Como a pessoa que quer se alegrar e coloca um disco do Foo Fighters pra tocar, ou a pessoa que tomou um pé na bunda e se acaba ouvindo Joy Division. Certas pessoas (eu incluso) ouvem músicas para sentir coisas, para pressionar o botãozinho mental que aciona alguma coisa específica. Mas será que é preciso essa amplificação o tempo todo? Eu acho que não.

E eu me senti confortável no silêncio. Já esteve num lugar com milhões de pessoas querendo falar ao mesmo tempo e se esforçando para chamarem a atenção? E aí quando você sai de lá a sensação de calma e alívio refrescante é quase orgásmica? Foi mais ou menos isso.

Sei que isso não vai durar pra sempre, mas enquanto durar é melhor eu anotar isso pra não esquecer: silêncio é importante. Abaixar o volume do mundo é uma coisa boa. Vivemos na era da informação, mas boa parte da informação só serve pra lotar o HD. Essa procura incessante por coisas novas, essa necessidade de ter algo interessante pra falar vai matar a nós todos. Cale a boca de quando em vez. Tire o pé do acelerador e aprecie a paisagem. Não alimente o urso panda. Poupe energia. Sossega o faixo. Esvazie seu oceano de platitudes. Etc.

(Sim, eu sei que já usei essa imagem. Mas ilustra perfeitamente, então vai ela mesmo. Notem o microfone com o fio cortado. Laerte é foda.)

Das Músicas Bichas

domingo, agosto 2nd, 2009

Porque tem músicas que você não deveria gostar, mas gosta. E não estou falando de sertanejo, funk, nem nada disso: estou falando de músicas bichas! “M-m-mas do que você está falando? Eu só ouço Metallica, cara, não curto essas viadagens! Como eu sei que uma música é bicha??”. É assim, Suzana: tem músicas que fazem o seu viadômetro apitar. O viadômetro, como você DEVIA saber, é o instinto masculino que nos ajuda a perceber em que time um cara joga. É como o sentido-aranha, mas calibrado pra medir frescura. E as músicas bicha…bem, elas fazem o seu viadômetro apitar, e apitar nervosamente. Mas ao mesmo tempo o seu pézinho tá lá batendo, sua cabeça balançando no ritmo, quem sabe até cantando o refrão junto, quem sabe até danç….Haaa, Suzana, te peguei no pulo, hein? Tsc tsc tsc. Enfim, com vocês, minhas músicas bichas preferidas:

Pulp – Disco 2000 – Sabe “Creep”, do Radiohead, aquele hino dos losers e charlie browns do mundo todo? Pois é: pega “Creep”, enfia 2 quilos de ecstasy pela garganta dela e JOGA ela numa boate qualquer de, sei lá, Manchester. O resultado é “Disco 2000″, a música loser mais dançante e divertida do mundo. (A parte do “Vamos nos ver sábado, baby, você pode até trazer seus bebês” é engraçada bagarai). E bicha também, musicalmente falando. Mas não precisa nem dizer, porque o movimento britpop como um todo foi uma grande viadagem. O que? Você achava que aquelas briguinhas Blur vs. Oasis eram o que? Liga o viadômetro, Suzana.

Franz Ferdinand – Michael – Assim. Ahn. “Michael” fala sobre belos garotos dançando numa bela pista de dança. Fala sobre o tal Michael dançando como uma bela putinha dançando. Fala sobre Michael…errr….Michael servido em uma bandeja “e nada importa agora”. Olha, eu sou bem tolerante, mas…PORRA, BANDEJA DE PRATA TAMBÉM NÃO, QUE VIADAGEM, VÉI! Enfim, a música é ótima e viciante, mas as vezes eu tenho mó vergonha de ver ela lá no meu “top faixas mais ouvidas” do Last.FM.

Scissor Sisters – I Don’t Feel Like Dancing – Pra quem não conhece Scissor Sisters, basta saber que boa parte de seus integrantes era go-go boy antes de entrar pra banda. Dá pra dizer tranquilamente que o cara mais macho da banda toda é a Ana Matronic. Aliás, Ana Matronic ruleia o mundo, como toda boa ruiva. Mas não estamos aqui pra falar de mulher hoje, eu acho. “I Don’t Feel Like Dancing” é ótima, grudenta e com um maldito refrão que vai ficar na sua cabeça por uns dias. O clipe é uma viadagem sem tamanho, mas inspirada em filmes de ficção científica antigos. E aparece a Ana Matronic no clipe, pra quem quiser ver. ( E aí quando a tua mãe te pegar vendo um clipe cheio de go-go boys, você diz “Mamãezinha, não é nada disso! Eu estava só vendo as referências aos filmes antigos e a Ana Matronic!”. Aham. É isso aí, Suzana. )

David Bowie – Lady Stardust: Eu ia pegar aquela música que ele canta junto com o Mick Jagger, porque casal gay cantando ia ser legal numa lista assim. Mas porra, “Lady Stardust” é uma balada sobre um alienígena andróginos cantando e seduzindo jovens ingleses. É dramático, é poético, é muito, mas muito bicha. E na verdade Lady Stardust é sobre Marc Bolan, outro cara que vai aparecer nessa lista daqui a pouco. Então, vai lá, Mr. Bowie, se joga!

The Pipettes – Pull Shapes Eu gosto das Pipettes. Quer dizer, gostava, porque elas se separaram e tal. Minha preferida era a Rosay (a moreninha). E…estão ouvindo a música? Estão mexendo o pézinho? Estão, né? Tsc tsc tsc, ô decepção do papai. Bom, pelo menos agora são mocinhas cantando. E…ei, fazer a coreografia também é demais, né? Putamerda, Suzana.

U2 – Discotheque: Tem muita gente que odeia o disco Pop, do U2, justamente por causa de Discotheque. Eu não. Eu acho Discotheque mó legal. Até a parte do “BOOM-CHA! BOOM-CHA!”. Hahahahah…não, eu estou falando sério. Eu acho massa. Ficou legal, não tem nada a ver com U2 e ainda assim é uma música do U2, e era essa a idéia, não era não? Pfff, povinho sem senso de humor. Booom-cha! Booom-cha!!

T-Rex – 20th Century Boy: Aaaah, o T. Rex, a maior banda glam de todos os tempos. Essa música é bicha? Meu lado Regina me diz que sim, meu lado Cojones diz que não. Ah, é glam rock, é afetado e pesado por natureza, e aí que reside a graça. E pensando bem, eu não deveria estar dizendo que T. Rex é bicha. Porque tipo, o Marc Bolan deve ter pego mais mulheres numa semana do que eu vou pegar em toda minha vida. E não, não é um exagero.

Mika – Grace Kelly: Quando eu disse pro meu irmão que estava fazendo uma lista de músicas bichas, ele disse simplesmente “Mika Mika Mikaaa!!”. Sim, a viadagem se espalha pela família. Mas de qualquer jeito, uma música chamada “Grace Kelly” e que diz “Eu tentei ser um pouco mais Freddie” simplesmente precisa estar numa lista de músicas mais bicha. Não bastasse isso, o Mika é tipo o viadão mais legal da música atual. Essa música é ótima, a letra é boa de cantar, o clipe tem menininhas engraçadinhas…vai lá, fecha a porta do quarto e se joga. Ai, se papai te pega agora, hein, Suzana?

The Killers – Joyride: Podemos argumentar que o último álbum do Killers assaltou o armário de vestidos da mamãe e caiu na noite, sem pudor e sem limites. Podemos dizer que o Brandon Flores seeempre flertou com a viadagem, porque vamos combinar. Mr. Brightside não era nada máscula. Mas brincadeiras à parte, eu continuo achando Killers uma das melhores bandas atuais, e eu gosto pra caralho do último álbum. Mesmo ele usando quilos de maquiagem e me olhando de um jeito tri estranho. Enfim, acho que Joyride é a música que melhor representa os novos…err…rumos da banda.

Eu tinha uma décima música, mas tive que resetar o computador e perdi ela. Agora não lembro mais qual era, de modo que vamos ter que improvisar.
Mr. David? Mr. Jagger? Não, você não, Suzana.
Estão liberados: podem soltar a franga (e o que mais vocês estiverem habituados a soltar por aí no Reino Unido).

(EMI FILHA DA PUTA! Enfim, vocês vão ter que clicar no link aqui para que ver dois ilustres rockstars britânicos soltando a franga. E controle-se, Suzana, pelo amor de Deus, é só uma música. Sossega a tarraqueta!)

Pop, Girls, Etc.

sábado, agosto 1st, 2009

A primeira vez que eu li Alta Fidelidade eu tinha uns 17 anos, em 2001, e me apaixonei pelo livro. É difícil um adolescente desajeitado apaixonado por música conhecer Rob Fleming e não querer ser como ele. A vida patética dele é tão atraente, cheia de discos e citações e listas, trabalhando numa loja de discos com dois sidekicks, arrumando sua enorme coleção de discos, dizendo e pensando coisas inteligentes, analisando o pé-na-bunda-que-levou e as rejeições passadas com o mais puro e fino humor britânico. Rob Fleming era o adulto que eu queria me tornar. Eu não sei se pensava isso com todas as letras, mas me conhecendo como eu conheço…é, são grandes as chances.

Meu herói, arrumando a coleção de discos

Meu herói, arrumando a coleção de discos

Corta pra 2009, minutos depois de terminar de reler Alta Fidelidade. Eu ainda acho Rob um sujeito legal: faria compras na loja dele, iria no pub se ele me chamasse pra tomar umas cervejas, leria o blog dele (hoje em dia, idiotas como Rob tem blog). Mas…já não sei se quero ser como ele. Não sinto mais tanta inveja dele, de sua loja de discos, de seu conhecimento musical, de seus amigos, de sua “experiência” sentimental. Hoje eu consigo ver o Rob por trás de todas essas coisas e, surpresa, ele não é tão diferente de mim. Não tenho uma loja de discos, mas tenho conhecimento musical, amigos nerds, uma bagagem cheia de pés-na-bunda..já me basta. E aí você percebe que o seu herói da adolescência é um cara tão fodido e confuso e torto quanto você. E aí duas coisas acontecem, simultaneamente:

  1. Você se sente orgulhoso, porque atingiu seu objetivo.
  2. Você se sente deprimido, porque…que objetivo de merda, hein?

E orgulho e depressão se cancelam, então você fica com aquela expressão de “já vi tudo e tô nem aí”, exatamente como Fleming faria. Hmpf. Mas é verdade: hoje em dia eu entendo muito mais do livro do que entendi quando tinha 17 anos. Hoje em dia eu não fico mais pensando, eu tenho CERTEZA que foram todas as músicas tristes que me deixaram mais …suscetível a decepções amorosas, que me deixaram com um repertório pronto para toda sorte de pés-na-bunda. Hoje em dia eu não preciso mais imaginar as crises existenciais – eu vivo elas. Tem uma hora em que um sujeito engravatado entra na loja segurando a chave do BMW, e Rob fica se perguntando o que o cara pensa dele. Acontece isso comigo todo santo dia no escritório – o que será que esses caras pensam desse guri de camiseta e all-star que mais parece um intruso aqui? E o principal – aquilo que Rob fala sobre a necessidade de haver lastro, tranqueiras, coisas que te seguram para que você simplesmente não saia voando e se perca por aí. Isso é verdade, pelo menos pra mim.

( Não que eu esteja reclamando de nada. É minha vida, e eu tenho orgulho dela, por mais bagunçada e boba que seja. )

Isso tudo foi pra dizer que hoje em dia eu me identifico ainda mais com o Rob Fleming, e que pelo menos tenho a decência de sentir orgulho disso, pelo menos não em público? É, parece que sim. Mas serve também pra dizer que Alta Fidelidade continua sendo um ótimo livro. A parte final – depois que Rob e Laura voltam, e eles começam a conversar sobre eles, sobre a relação, sobre o que eles pensam, sobre como eles funcionam – ainda é minha preferida, e me faz pensar que ainda tem uma coisa de que eu sinto inveja de Rob e que eu ainda não consegui. Eu ainda continuo morrendo de vontade de escrever como Nick Hornby – e reler Alta Fidelidade me fez ver como eu continuo tentando emular ele, inconscientemente e sem sucesso. O cara é muito bom, no sentido de…eu não sei, ser cool? Eu simplesmente quero escrever como ele, quando eu crescer.

Sobre Botas e Corridas e Pulos

quinta-feira, julho 23rd, 2009

Você não escolhe a música, é a música que escolhe você. E a música que me escolheu foi “Eleanor Put Your Boots On”, do Franz Ferdinand. Sim, não façam essa cara.

Eu nem mesmo sei porque ela está correndo, e nem sei porque ela tirou as botas em primeiro lugar. Mas tudo que eu posso fazer é pedir que ela vista as botas de volta, enfie o salto na sujeira do Brooklyn mesmo sabendo que não é nem um pouco digno sair correndo. E faz sentido, não sei porque. Corre, Eleanor, como se tudo dependesse disso. Como se as últimas esperanças do universo residissem no seu ato de vestir ou não as botas. Eu poderia estar lá quando você pousar, sabe. Poderia mesmo. Não façam essa cara.

Eu sempre vou lembrar de Ilha Solteira quando ouço essa música, do penúltimo semestre lá, ainda na república. As tardes passadas no computador, estirado no sofazinho azul que eu havia roubado do Esponja. Eu tenho diversas memórias desse semestre, não de coisas que aconteceram, mas de coisas que eu vi ou assisti: Elizabethtown, Arquivo X, Eleanor Put Your Boots On. Não me lembro de fatos e acontecimentos com clareza, mas esses sons e imagens ficaram e me trazem uma sensação que ainda hoje me faz bem. E eu acordei com Eleanor na cabeça. Não façam essa cara.

Eleanor me escolheu, e tudo que eu posso fazer é vestir as botas e seguir ela pela sujeira do Brooklyn, até chegar na estátua com o dicionário nas mãos. E subir até a unha dela, e pular, SIM, um pulo atmosférico até as correntes de ar me trazerem de volta ao chão. Porque, afinal, ela fica tão elegante quando corre, a Eleanor. Não que eu já a tenha visto correr, mas…ela corre acompanhada de pianos e instrumentos que eu nem mesmo sei o nome, com tanta delicadeza e estilo que eu não posso deixar de pensar que seja elegante. Não façam essa cara.

E essas melodias e versos passam a fazer sentido pra mim, mesmo que eu não entenda bem ele. Eu somente sei que é importante que a Eleanor vista suas botas, e continuarei ouvindo a música até que ela as vista ou até que eu enjoe do pianinho. E sabe-se lá porque cargas d’águas, eu não consigo evitar sorrir quando chega o último verso e o vocal ordena, com energia:

“So, Eleanor put those boots back on!
Put the boots back on, and run!
Come on over here…
Come on over here…”