“I need a shot of salvation, baby, once in a while…
You hear the whistle blowing, I hear it for a thousand miles.”
Hunf. Então é por isso que hoje eu me senti mais sarcástico e cretino que o normal. Parabéns, seu grande filho da puta.
“I need a shot of salvation, baby, once in a while…
You hear the whistle blowing, I hear it for a thousand miles.”
Hunf. Então é por isso que hoje eu me senti mais sarcástico e cretino que o normal. Parabéns, seu grande filho da puta.
“They said timing was everything
Made him want to be everywhere
But there’s a lot to be said to nowhere”
Queria ir embora, mas não sabia pra onde, não sabia como, não sabia o que comeria e aonde dormiria, nem o que faria pra sobreviver. Então ele fez o que lhe parecia mais certo: escreveu um guia de viagem pra si mesmo, e rezou para que a massa melequenta flutuante dentro sua cabeça e o músculo vermelho pulsante dentro de seu peito não estivessem tão perdidos quanto ele. Uma vez pronto o guia, ele abriu uma página ao acaso e começou dali. Tem gente que não sabe viver em ordem mesmo, pensou.
“Someday, girl, I dont know when
We’re gonna get to that place
Where we really want to go
And we”ll walk in the sun
But, till then, tramps like us
Baby, we were born to run…”
Era de madrugada quando ela jogou tudo o que precisava na mochila. Tão leve, mas era melhor assim. O tênis velho fez barulho pisando nas folhas velhas da varanda, mas o portão permaneceu em silêncio enquanto ela o abria. Um cachorro latia lá longe e parecia acentuar ainda mais o silêncio. A lua crescente e as estrelas lá no alto pareciam sorrir enquanto ela andava em direção a rodoviária. Ela sorria de volta, e se perguntava se algo poderia ser melhor do que isso.
“I’m moving on alone, over ground that no one owns
Past statues that atone for my sins
There’s a guard on every door, and a drink on every floor
Overflowing with a thousand amens
And it’s hard to say who you are these days
But you run on anyway, don’t you baby?”
O problema de simplesmente se levantar e ir, ele acabava de descobrir, era que não pegava bem voltar pra pegar o mp3 player que havia esquecido na gaveta. Talvez seja um sinal, um aviso divino, uma mensagem do universo. Que o gosto musical dele era uma merda, e ele deveria parar de ouvir música? Talvez. Talvez. Amanhã ele tomaria as decisões, arrumaria as coisas, botaria caixotes no correio e se perguntaria pra onde ir. Hoje ele simplesmente se levantou e foi. E já estava bom demais.
“I hope you get this message.
Oh, you’re not alone.
I could be there in ten minutes or so.
I got my things, and we’ll make it up as we go along.
With you, I could…never…be alone.
Never be alone.”
Se você perguntasse pra ela porque ela estava indo, ela ficaria te olhando pelo tempo suficiente para fazer você implorar que ela voltasse a botar os olhos na estrada. E então ela simplesmente riria, a mais gostosa das risadas, e diria que você precisa ouvir mais música. 42 segundos depois, ela se voltaria para você e diria que não, talvez o que você precisa seja silêncio. Só senta aí e cala a boca, ela diria sorrindo, e pisaria mais fundo.
“I know a place where the sun hits the sky,
Everything changes and blows out the night,
Everyone knows why my tongue can’t be tied,
‘Cause I want to live where the sun meets the sky”

(Foto gentilmente surrupiada daqui)
“É assim que funciona:
Você é jovem até não ser mais
Você ama até não amar mais
Você tenta até não conseguir mais
Você ri até chorar
Você chora até rir
E todos devem respirar
Até seus últimos suspiros
Não, é assim que funciona:
Você olha dentro de você
Você toma as coisas que gosta
E tenta amar as coisas que tomou
E então você pega o amor que criou
E então gruda um bom tanto
No coração de outra pessoa
Bombeando o sangue de outra pessoa
E andando de mãos dadas
Você reza para não quebrar
Mas mesmo que aconteça
Você irá fazer tudo de novo”
E aí que o Rei do Pop morreu. Vida longa ao Rei.
Não sejamos hipócritas: nós súditos do Rei do Rock nunca respeitamos muito ele. Sim, é fácil agora tirar lembranças da infância e lembrar que “Black & White” foi um dos primeiros videoclipes realmente l-e-g-a-i-s que eu vi. Ou que eu sabia fazer o moonwalk na terceira série e fazia sucesso nos intervalos da escola por causa disso. Ou ainda que eu ganhei o cd do Thriller de presente do meu pai, e torci o nariz quando vi mas uma semana depois eu só ouvia ele. Ele era bom! Ele era legal! Ele foi relevante, disso ninguém tem dúvidas.
Mas de vários anos pra cá a gente perdeu o respeito. Claro que ele não ajudava – uma cara diferente e cada vez mais estranha quando aparecia na TV, essa mania estranha e possivelmente perversa de abraçar meninos, e a gente também já não ligava tanto pras músicas. No meu caso, eu virei súdito de Elvis e rejeitei e desprezei tudo que fosse (ou parecesse) pop por um bom tempo. Demorou séculos pra que eu percebesse que essas separações entre rock e pop eram imaginárias (e um tanto ridículas), mas todo bom adolescente curte um perrengue, vai dizer. E durante todo esse tempo eu esqueci do Michael. Volta e meia apareciam notícias dele – ele balançando seu filho numa sacada, ele gravando um clipe multimilionário com a irmã, ele endividado até as botinas – e eu ria quando sabia delas. Putz, esse cara já era, dá um tempo. “MJ? Tá falando da Mary Jane Watson-Parker? Ah, sim o Michael Jackson…ele tá vivo ainda?”
Não, não está mais. E agora dá-lhe todo mundo baixando os discos dele (tô baixando o Bad nesse momento), vendo seus vídeos no youtube (42 milhões de exibições de Thriller da última vez que olhei), pensando que ele era estranho mas era legal, e que talvez ele nem fosse pedófilo, vai dizer, era um incompreendido, um maluco. A gente fica gentil com os reis quando eles morrem, não? É fácil, é natural. E mesmo assim, que bando de filhos da puta somos nós.
O Outro Rei morreu. Vida longa ao Rei.

E rezemos pra ele não voltar como zumbi pra se vingar
“Parece um teorema
Sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas nããããã-hãããã-oooo teeeeem fiiiiim”
1 – Faith No More foi uma banda de heavy metal dos anos 80/90. Sabe aquela história de juntar metal, rap e funk do tal do “nu-metal”, que ninguém sabia fazer direito exceto o Systemófodáum? Pois é, eles inventaram esse estilo 20 anos antes, e eles faziam direito. Com doses exatas de metal, de rap e de funk. O segredo é o funk, perguntem pro James Brown.
2- Eu disse que o segredo era o funk? Mentira. O segredo era o doidinho do quartinho, o vocalista Mike Patton. Até 1988, o FNM era uma banda razoavelmente boa, com um som diferente, e com um vocalista de merda. Aí um belo dia eles resolveram chutar o vocalista de merda e botaram esse tal de Mike Patton no lugar. Ninguém sabe de qual hospício saiu o cara, mas o fato é que Faith No More passou de banda decente à PUTA QUE BANDA FODA assim que ele entrou.
3. Existem poucas pessoas mais bizarras e mais talentosas do que Mike Patton, e olha que existem pessoas bizarras pra caralho nesse mundo. Pra começar, o cara consegue cantar infinitamente afinadamente e meia frase depois trocar pra gritos guturais que fariam o Max Cavalera dormir abraçadinho com o Igor. Segundo, as letras dele são incrivelmente fodásticas, surreais, criativas, cheias de imagens bizarras e frases de efeito – e o mais legal, ele compõe as letras se preocupando não com o significado mas com o som das palavras. Terceiro, ele não para quieto: já na época do FNM ele ainda mantinha outra banda, o Mr. Bungle. Depois do FNM ele fundou o Fantomas e vários outros projetos, um mais bizarro do que o outro. O cara é foda.
4. Ele é foda, mas ele é maluco. E eu não falo isso de um jeito bonitinho. Um dos hobbies do Mike Patton é colecionar espécimes médicos. Tipo, pedaços de gêmeos siameses. Tipo, restos de operações. Tipo, coisas nojentas em geral. Durante o Hollywood Rock ele fez amizade com o João Gordo, e perguntou pro Gordo se ele curtia filmes pornôs. Tipo, filmes pornôs pesados. O João Gordo disse que achava que sim, e o Patton arrumou uma fita pra ele. Uma fita cujo conteúdo é nojento e grotesco demais pra esse blog, e olha que até de horse porn a gente já falou aqui. E reza a lenda que ele tomou xixi de uma botina durante um show no Hollywood Rock. Dizem que é mentira, mas eu digo que se não era xixi, era algo pior. Segundo meu irmão, “quando ele era cocô ele comeu uma criança e ficou desse jeito”.
5. Esquisitices à parte, Faith No More é muito bom. A banda voltou a se reunir num festival inglês, e o resultado foi mais que satisfatório. Esse clipe é da minha música favorita da banda, “The Real Thing”, e a letra dela é foda demais. Não faz o menor sentido, mas é ótima de se cantar. E prestem atenção no sujeito de terno vermelho, cabelo engomado e rosa invertida na lapela. Se virem ele na rua, saiam correndo.