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Matte

terça-feira, agosto 18th, 2009

No Japão existe todo um ritual complicado e preciso para se fazer o chá, que busca refletir um conceito budista: nenhuma xícara de chá é igual à outra, nenhum momento é igual à outro, e nada se repete.

Aqui no apartamento eu coloco uma caneca de água para ferver, pego a caixinha de chá mate, separo a caneca, penso em jujubas randômicas, lembro meia hora depois da água que já deve ter ebulido completamente, coloco o que restou da água na caneca, mergulho um saquinho de chá e o deixo ali por alguns minutos para pegar gosto. Duas horas depois, eu lembro que fiz chá e deixei esfriando em cima do balcão. É um ritual que busca refletir algo que transcende a dinâmica das dez mil coisas e a sagacidade inexplorada da…ok, ainda não temos nenhuma reflexão para este ritual, mas até os japoneses já foram iniciantes um dia, não?

(Será que foram mesmo? Eu duvido. Enfim.)

No Rio Grande do Sul faz-se chimarrão com a erva mate.
No Mato Grosso do Sul faz-se tereré com a erva mate.
Eu, paulista vira-lata do faroeste, faço só chá mate mesmo e acho que já está bom.

Porque dois Ts? É um dos mistérios do ritual.

Porque dois Ts? É um dos mistérios do ritual.

Caffettiera Bisplendente Per Un Vero Caffe All’Italiana!

sábado, julho 25th, 2009

Aí eu resolvi que queria uma cafeteira. O Celso uma vez deu a dica dessas cafeteiras italianas que vão direto ao fogo, onde você coloca a água num reservatóriozinho e o café numa espécie de funil fechado, e através dos mistérios arcanos da ebulição você obtem café na parte superior do bagumelo. Na época eu achei legal, mas não dei atenção. Esses dias eu estava lá no shopping com o Rodolfo e vi uma dessas na loja, por um preço acessível, e acabei levando.

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(É tipo essa, mas essa custa 150 reais. A minha custou 50 reais, e deve ter sido feita com legítimo metal de Chernobyl.)

Pessoas normais simplesmente fazem café, mas o gene nerd me impede. Hoje em dia eu não faço mais nada sem consultar o Google antes. Eu poderia simplesmente jogar água no reservatório, colocar café no funilzinho, jogar no fogo e ver o que dá. Mas veja, hoje em dia existe a internet. Outros nerds antes de mim já sentiram o chamado do café quentinho, já desvenderam os mistérios arcanos de sua fabricação e escreveram sobre eles em seus blogs. Porque ignorar o conhecimento de nossos antepassados? E, porque não, repassar o que eu aprendi para que os nerds depois de mim possam também fazer café quentinho? Vamlá:

  • O primeiro passo é colocar agua no reservatório. Não seja mão de vaca, coloque água mineral ou filtrada. Se você olhar o reservatório, vai ver que ele tem um biquinho na parte de fora. Aquilo não é o pintinho da cafeteira: é uma válvula de segurança. Quando colocar água no reservatório, não ultrapasse a altura da válvula da cafeteira. A menos que queira fazer uma bomba de água quente e pó de café.
  • O segundo passo é colocar pó de café dentro da cuba (que parece um funilzinho fechado). Os sites dizem pra encher a cuba de pó (de café, srta. Winehouse, de café) mas sem apertar/compactar. Nada de apertar com a colherzinha pra caber mais, senão a água não consegue subir e você vai descobrir pra que serve a válvula de segurança. Dessa primeira vez que fiz, eu não enchi a cuba até a boca. O café ficou bom, mas poderia ficar melhor. Depois do almoço eu tento de novo, com mais sentimento.
  • Hora de fechar tudo e ir pro fogo. “A chama deve ser baixa”, mas caso você seja um zero como eu, fique sabendo que chama baixa é quando você gira o bagumelo do fogão até o fim. É aquele fogo que esquenta menos, lentamente, com calma, na malemolência. Falando em malemolência, viram que o Romário foi espancado? Meu evil side diz que num mundo justo, o Romário tinha mais é que apanhar mesmo. Mas voltando ao café. Chama baixa, pois quanto mais lenta for a ebulição melhor será o café. Eles mandam levantar a tampa da cafeteira, para que o vapor escape e não deixe o café aguado. É importante também tirar a cafeteira do fogo assim que estiver pronto (dá pra perceber porque café e o vapor param de sair pelo buraquinho).
  • Dê uma mexida no café com uma colherzinha, para uniformizar a densidade (o café começa subindo mais denso e misturado com o pó, enquanto que no final do processo ele sai mais aguado…então é bom misturar, pra não ficar uma bosta). Coloque na xícara ou na garrafa térmica, e pronto! U can haz coffee!
  • Tem todo um cuidado com a manutenção da cafeteira também. Lave ela imediatamente após fazer o café, e lembre-se: a cafeteira é inteira de metal, acabou de sair do fogo e NÃO ENCOSTE NESSA MERDA. Coloque ela na água por alguns instantes, depois desmonte e lave parte por parte. Não lave com sabão ou detergente, pra não pegar gosto. Passe bastante água no filtro, e olhe com cuidado pra ver se não tem resíduos obstruindo ele.
  • Eu li em um site que você pode pegar o que restou do pó, colocar num “recipiente com fecho hermético” (tupperware?) e guardar na geladeira. Não sei se procede ou não, mas como eu não tinha um tupperware sobrando, foi pro lixo mesmo. Ah bom, eu entendi errado. O café passado você joga fora mesmo, é o pó de café mesmo que você guarda na geladeira. Guardar café passado é coisa de fudido, meu amor.