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Road Songs

segunda-feira, julho 13th, 2009

“They said timing was everything
Made him want to be everywhere
But there’s a lot to be said to nowhere”

Queria ir embora, mas não sabia pra onde, não sabia  como, não sabia o que comeria e aonde dormiria, nem o que faria pra sobreviver. Então ele fez o que lhe parecia mais certo: escreveu um guia de viagem pra si mesmo, e rezou para que a massa melequenta flutuante dentro sua cabeça e o músculo vermelho pulsante dentro de seu peito não estivessem tão perdidos quanto ele. Uma vez pronto o guia, ele abriu uma página ao acaso e começou dali. Tem gente que não sabe viver em ordem mesmo, pensou.

“Someday, girl, I dont know when
We’re gonna get to that place
Where we really want to go
And we”ll walk in the sun
But, till then, tramps like us
Baby, we were born to run…”

Era de madrugada quando ela jogou tudo o que precisava na mochila. Tão leve, mas era melhor assim. O tênis velho fez barulho pisando nas folhas velhas da varanda, mas o portão permaneceu em silêncio enquanto ela o abria. Um cachorro latia lá longe e parecia acentuar ainda mais o silêncio. A lua crescente e as estrelas lá no alto pareciam sorrir enquanto ela andava em direção a rodoviária. Ela sorria de volta, e se perguntava se algo poderia ser melhor do que isso.

“I’m moving on alone, over ground that no one owns
Past statues that atone for my sins
There’s a guard on every door, and a drink on every floor
Overflowing with a thousand amens
And it’s hard to say who you are these days
But you run on anyway, don’t you baby?”

O problema de simplesmente se levantar e ir, ele acabava de descobrir, era que não pegava bem voltar pra pegar o mp3 player que havia esquecido na gaveta. Talvez seja um sinal, um aviso divino, uma mensagem do universo. Que o gosto musical dele era uma merda, e ele deveria parar de ouvir música? Talvez. Talvez. Amanhã ele tomaria as decisões, arrumaria as coisas, botaria caixotes no correio e se perguntaria pra onde ir. Hoje ele simplesmente se levantou e foi. E já estava bom demais.

“I hope you get this message.
Oh, you’re not alone.
I could be there in ten minutes or so.
I got my things, and we’ll make it up as we go along.
With you, I could…never…be alone.
Never be alone.”

Se você perguntasse pra ela porque ela estava indo, ela ficaria te olhando pelo tempo suficiente para fazer você implorar que ela voltasse a botar os olhos na estrada. E então ela simplesmente riria, a mais gostosa das risadas, e diria que você precisa ouvir mais música. 42 segundos depois, ela se voltaria para você e diria que não, talvez o que você precisa seja silêncio. Só senta aí e cala a boca, ela diria sorrindo, e pisaria mais fundo.

“I know a place where the sun hits the sky,
Everything changes and blows out the night,
Everyone knows why my tongue can’t be tied,
‘Cause I want to live where the sun meets the sky”

(Foto gentilmente surrupiada daqui)