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Olhões Azuis e o meu despojamento arrumado

quarta-feira, agosto 12th, 2009

“Why do you let me stay here” já tinha um clipe até que simpático…tá, ok, era tão tosco que era simpático…tá, ok, o clipe era uma bosta, mas tem os olhões azuis e eu não resisto à eles. Até filme do Will Ferrell eu já vi por causa deles. Mas enfim, cada um com seus problemas. “Why do you let me stay here” já tinha um clipe assistível, mas esse clipe novo que fizeram para divulgar o “500 days of Summer” ficou muito legal. E tem os olhões azuis dançando. E usando roupas dos anos 50. E – ah, meu bom Deus – uma faixa no cabelo. Srta. Zooey, mate-me logo, não me torture assim :~

Fazia uma cara que eu não sentia tanta vontade de ver um filme quanto esse “500 Days of Summer”. E não é só pelos olhões azuis – “Yes Man” também tem eles, mas não me animei a ver até agora. O trailer me conquistou de primeira: uma referência aos Smiths logo no começo, a cena mais que perfeita do elevador, a música da Regina Spektor, os olhões azuis, o aviso de que a história tem um final triste, a piadinha do Anal Girl, a música do Hall & Hoates, a sequência estilo-musical, a piadinha do Syd e Nancy no final….”Oh…so I’m Nancy?” fecha o trailer e deixa você murmurando “eu preciso ver essa merda agora oÔ”.

(Conversa na volta do almoço, caminhando com a Manuela do estacionamento até a entrada da empresa.

- Ai, olha aquele guri do Processo. Ele é todo esquisitão, né? Parece que tá sempre sujo…(O guri em questão é um projetista da disciplina de processo, e o cara realmente é como ela fala)
- Uhuuum, ele tá sempre assim, punk for life.
- Ai credo, porque não se cuida? (Aí nesse momento eu olhei pro cara e vi que ele tava de camiseta, calça e tênis velho – bem parecido…comigo. Ah, foda-se, a Manu é minha amigona, vamperguntá…)
- Eu ando desarrumado assim?
- Pffff…você é despojado, mas arrumadinho. Aquele guri é sujo.

E aí eu voltei do almoço contente, protegido pelo conhecimento que sou “despojado” porém limpinho ^^ )

Adeus, Sr. Hughes

sexta-feira, agosto 7th, 2009

“Life moves pretty fast. If you don’t stop and look around once in a while, you could miss it.”

“Curtindo a Vida Adoidado” é um dos meus filmes favoritos desde a época do prézinho. Talvez isso denuncie o quão tapado eu sou, mas pode-se dizer que ele é responsável por parte do que eu sou hoje – mais especificamente, a parte de mim que vive lembrando que a vida se move rápido demais, que não tem NADA de errado em querer tirar um dia de folga ou três, que se você não está se divertindo então tem alguma coisa errada. É a parte de mim que me faz vir todo dia trabalhar de all-star num lugar em que todo mundo está de sapato social, e é a parte de mim que dá um riso de canto quando lembra que está fazendo isso.

É a parte de mim que arma pequenos atos de rebeldia, que toma decisões baseadas na diversão e no desprendimento, que pensa “e porque não?”, que não liga para o que os outros vão pensar ou dizer. É a parte de mim responsável pela minha ausência de vergonha alheia – todo mundo tem direito e dever de fazer papel de bobo – e pelo meu moderado desprendimento social – nesse aspecto, meu irmão e o Larri ganham de lavada de mim. É minha parte cool – que pensa “o que Ferris Bueller faria no meu lugar” – e apesar dela me botar em frias, eu gosto pra caramba dela.

E eu devo isso a John Hughes. Descansa em paz, velhão. E valeu :) .

Uwe Boll, o Terror dos Filmes de Videogame

domingo, novembro 16th, 2008

Quando Uwe Boll disse que pretendia dirigir a adaptação cinematográfica de World of Warcraft, a Blizzard mandou uma carta em resposta à ele. Dizem que a carta é cheia de palavras e frases como “nunca”, “jamais”, “impossível”, “ninguém em sua sã consciência deixaria isto acontecer”, e termina com “Nós jamais venderíamos os direitos do filme para você…especialmente, não para você!”. Não se dando por contente, Uwe Boll anunciou então que faria um filme sobre a série Metal Gear Solid, e disse que teria até um script pronto. Algumas horas depois, Hideo Kojima estava respondendo em seu website: “ABSOLUTAMENTE NÃO! Eu nem sei porque Uwe Boll está dizendo essas coisas. Nós nunca nem conversamos com ele! É impossível que algum dia venhamos a fazer um filme com ele!”.

A Face da Besta

A Face da Besta

Uwe Boll é um destruidor de filmes de videogames. Não dá pra saber se ele faz de propósito, ou se ele é simplesmente maluco. Existem filmes fracos (como Quarteto Fantástico), existem filmes ruins (como o Motoqueiro Fantasma), e existem os filmes do Uwe Boll. “A Reconquista” pode ser o pior filme já feito, mas foi um golpe de sorte: o conjunto da obra de Uwe Boll supera em várias escalas de ruindade a obra-prima do John Travolta. O primeiro filme de videogame a ser tocado de forma impura por Uwe foi House of The Dead. O arcade shooter com agentes secretos dando cabo de zumbis e criaturas mutantes é transformado num filme de horror genérico, com adolescentes que vão para uma rave em uma ilha (“Isla de Muerta”, veja você) e descobrem que a ilha foi tomada por zumbis. O filme é tão bom que ele tem 4% de pontos positivos no Rotten Tomatoes, e só conseguiu pagar metade de seu orçamento.

Em seguida veio Alone in The Dark. Esse artigo aqui, escrito pelos roteiristas originais do filme, descreve o prazer que é trabalhar com Uwe Boll. Os dois roteiristas tinham em mente um filme de suspense e terror psicológico, com um detetive normal se deparando com situações e criaturas que desafiam sua sanidade, estilo H. P. Lovecraft. Mas Uwe tinha idéias diferentes das deles: ele queria um detetive sobrenatural com poderes especiais, nos moldes de Blade e do Corvo, com direito a tiroteios e perseguições automobilísticas (?!?!). Ao invés das criaturas que espreitam nas sombras, Uwe queria monstrengos grandes e gosmentos feitos em CG. Os roteiristas também queriam um final enigmático para deixar os espectadores inquietos, mas a sabedoria de Uwe os mandou terminar o filme com tiroteios mais violentos e monstros ainda maiores e mais nojentos que os vistos anteriormente. Vendo que não havia mais salvação, os dois roteiristas abandonaram o barco e não deixaram Uwe usar o script deles – o que não o impediu de fazer um filme ainda pior e mais escroto. Resultado: 1% de resultados positivos no Rotten Tomatoes, e apenas um quarto de seu orçamento pago.

A saga de Uwe continua com Bloodrayne, Bloodrayne 2 (lançado direto pro vídeo), Postal (que foi lançado em QUATRO salas de cinema nos EUA) e Dungeon Siege. Dungeon Siege marca a entrada de Uwe no gênero da fantasia épica, como se fosse a sombra de Sauron se aproximando da Terra-Média. Com 60 milhões pra gastar, esbanjou em cenários passáveis, efeitos convincentes para um filme dos anos 80 e atores conhecidos por suas pontas em seriados. Claro que nada disso conseguiu afastar o principal problema dos filme de Uwe (ele mesmo), e Dungeon Siege foi mais uma bomba nas bilheterias: apenas um sexto de seu orçamento foi pago, e uma vaga em praticamente todas as listas de piores filmes já feitos.

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

Parecem pessoas sujas de lama, mas são orcs!

A questão que não quer calar: quem diabos financia esse cara? Em toda carreira dele, não há um filme que tenha dado lucro, ou ao menos algum reconhecimento crítico ou público. Aliás, é raro uma pessoa ser unanimidade entre críticos e público, mas o Uwe consegue: todo mundo concorda que ele é um monstro e seus filmes são aberrações abissais. Seria Uwe Boll a arma secreta de Adolf Hitler, criado geneticamente para destruir Hollywood e a indústria do cinema? Seria Uwe Boll a arma secreta da Associação das Velhinhas Católicas de São João das Quatro Pontes, criado geneticamente para destruir a indústria dos videogames? Seria Uwe Boll o anti-Cristo, a besta do Apocalipse, o Destruidor de Mundos, a Sombra de Morgoth, Aquele-cujo-nome-não-pronunciamos, o Mal correndo pelos encanamentos do castelo? Quem irá nos salvar de Uwe Boll?